Construindo a Geografia
          5 srie - Ensino Fundamental

          Uma Janela para o Mundo

          Regina Araujo
          Raul Borges Guimares
          Wagner Costa Ribeiro

edio 2000,
 Editora Moderna.

          Ministrio da Educao
          Instituto Benjamin Constant
          Diviso de Imprensa Braille
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          - 2004 -

          (c) 1999
          Regina Araujo
          Raul Borges Guimares
          Wagner Costa Ribeiro

          Coordenao Editorial: 
          Virginia Aoki
          Edio de Texto: Snia Cunha de S. Danelli, Carlos Zancheta, Lygia Maria Terra Soares          

          ISBN 85-16-02279-X 

          Todos os direitos de edio 
          reservados  EDITORA MODERNA LTDA

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Dados Internacionais 
          de Catalogao na Publicao (CIP)
          (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

  Araujo, Regina
     Construindo a Geografia / Regina Araujo, Raul Borges Guimares, Wagner Costa Ribeiro. - So Paulo : Moderna, 1999.

     Contedo: v. 1. Uma janela para o mundo - v. 2. O Brasil e os brasileiros - v. 3. Recortando o mapa do mundo - v. 4. Cenrios do mundo contemporneo.
     Bibliografia.

     1. Geografia (Ensino fundamental) I. Guimares, Raul Borges, 1963-. II. Ribeiro, Wagner Costa, 1962-. III. Ttulo.

 99-1142          CDD-372.#hia

          ndice para catlogo sistemtico:
  1. Geografia : Estudo fundamental 372.#hia

          ISBN 85-16-02279-X

Tire o melhor proveito deste livro e procure conserv-lo. Ele  uma fonte permanente de consulta.

Apresentao

  Assistindo ao noticirio da televiso, viajando ou mesmo dando uma volta no bairro onde moramos, muitas coisas nos chamam a ateno. Quem nunca se interessou pelas 
viagens espaciais, pela vida nas grandes metrpoles, por lugares distantes, ou pelos problemas ambientais do planeta? Quem no gostaria de compreender um pouco melhor 
o mundo em que vive? Quem no  curioso?
  Os livros nos ajudam a matar nossa curiosidade. Mas nenhum deles tem todas as respostas. Um livro s vale a pena quando nos apresenta novas questes e nos desperta 
para novos assuntos.
  Atravs deste livro, voc vai construir - com seus colegas e com o apoio do(a) professor(a) - uma janela para o mundo. O estudo da geografia ser essa janela. 
Afinal, observar a realidade, descrever os resultados dessa observao, registr-los em desenhos, grficos, textos e mapas e elaborar explicaes sobre os fatos 
e acontecimentos, tudo isso faz parte do trabalho da geografia.
  Voc vai perceber que vrios assuntos que despertam sua curiosidade j foram estudados por muita gente. Alm disso, voc vai entrar em contato com novos temas, 
que, esperamos, tambm vo despertar a sua curiosidade.
  Quantas formas diferentes so usadas para cultivar os alimentos que consumimos? Quais so as razes que levam milhes de pessoas a mudar de um pas para outro, 
deixando para trs suas famlias e amigos? Voc ser convidado a pensar, a debater e a se manifestar diante desses e de muitos outros assuntos. Afinal, este livro 
no faz sentido sem o seu trabalho!

  Mos  obra!
  Os autores

Sumrio Geral

UNIDADE I - Uma viagem 
  pela geografia

Captulo 1. Investigando a 
  Terra - 6
 A geografia dos viajantes e 
  exploradores - 18
 Diante de novos desafios - 28

Captulo 2. O mapa e o 
  registro de 
  acontecimentos - 39
 O mapa  uma forma de 
  registro de 
  acontecimentos - 43
 O mapa e as vises do 
  mundo - 61
 As linhas imaginrias - 66

Captulo 3. A explorao 
  do universo - 75
 Olhando para o cu - 79
 Satlites artificiais - 92
 Sondas espaciais - 102

UNIDADE II - O espao geogrfico

Captulo 4. Ambiente 
  natural e ambiente 
  produzido - 117
 Vises da natureza - 119
 A sociedade tecnolgica e 
  os recursos naturais - 129

Captulo 5. A diversidade 
  natural do planeta 
  Terra - 143
 O tempo e o clima - 145
 As florestas e as zonas 
  trmicas da Terra - 168

Captulo 6. Ambiente da 
  cidade e ambiente do 
  campo - 178
 Viver na cidade - 187
 Arar, plantar, colher - 198

UNIDADE III - A geografia da produo

Captulo 7. A produo 
  industrial - 218
 As empresas transnacionais e 
  a globalizao - 223
 Dos teares mecnicos ao 
  just-in-time - 230
 Tipos de indstria - 240

Captulo 8. A produo 
  agrcola - 254
 A diversidade da produo 
  agrcola - 262
 O trabalho no campo - 281

Captulo 9. A circulao 
  da produo mundial - 288
 O trfego areo, o 
  rodovirio e o 
  ferrovirio - 296
 O comrcio internacional - 303

UNIDADE IV - O mundo em 
  movimento

Captulo 10. Fronteiras: as 
  linhas que dividem os 
  mapas - 333
 A origem das fronteiras - 338
 Fronteiras em movimento - 345
 Tipos de fronteiras - 357

Captulo 11. As migraes 
  internacionais - 376
 Em busca de asilo - 378
 Em busca de trabalho - 384
 O sonho americano - 391
 A fortaleza europia - 396

Captulo 12. A cidadania e 
  a vida em sociedade - 404
 Gesto da cidade e 
  cidadania - 409
 Consumo e cidadania - 412
 Espaos privados e espaos 
  pblicos - 414
A geografia das 
  manifestaes - 422

Bibliografia citada - 430

6
Nota de Transcrio

  Quando seguidas de numeral entre parnteses, as palavras sublinhadas so explicadas por pequenos textos das margens do livro em tinta, transcritos no final de 
cada captulo, sob o ttulo Notas de rodap, cada um deles precedido do nmero e da palavra correspondente.

          UNIDADE I

          Uma viagem pela Geografia

  Uma rua pode ser observada de diversas maneiras. Por detrs de uma janela, de modo que rudos da rua nos cheguem amortecidos, ou abrindo-se a porta, saindo do 
isolamento, caminhando pela rua. Coloque-se em cada uma dessas situaes: o que voc pode observar na rua, por trs de uma janela? E o que  possvel observar passeando 
pela rua?
  Henry Bates foi um viajante ingls que percorreu a Floresta Amaznica entre 1848 e 1859. Nesse perodo, ele colecionou mais de 14 mil tipos de bichos diferentes 
(mamferos, aves, rpteis e insetos). Grande parte desses animais era totalmente desconhecida pela cincia daquela poca. Sobre sua aventura Bates escreveu um livro 
que fez muito sucesso na Europa.

  No auto-retrato que voc pode observar na foto, ele procurou descrever uma situao que viveu no meio da floresta, ao ser atacado por um bando de tucanos. Apesar 
de seus estudos e grande experincia com animais, ele nunca tinha visto nada igual.

foto mostrando um homem em uma floresta com os olhos arregalados olhando um bando de tucanos que voam em sua direo. A seguir, legenda
  O explorador Henry Bates em sua viagem pela Amaznia.

  Como voc acha que ele deve ter se sentido nessa situao?

7

  Agora, observe com ateno a foto e o mapa abaixo. Tente fazer uma comparao, identificando semelhanas e diferenas entre as duas figuras.

a foto mostra o encontro das guas de dois rios Negro e Solimes. O mapa mostra o encontro das guas dos mesmos rios da foto, alm da vegetao natural, rea desmatada, 
principal rea urbana e rodovias. A seguir, legenda
  O encontro das guas dos rios Solimes e Negro, fotografado pelo satlite Landsat e representado num mapa.

  Estudar geografia  tambm aprender a olhar o mundo. Como voc j percebeu, existem vrias maneiras de se fazer isso. Por exemplo, em um passeio, podemos descobrir 
muito sobre a realidade que nos cerca. Os viajantes e exploradores do passado eram mestres em observar as coisas ao seu redor. A geografia desenvolveu vrias formas 
de registro, permitindo o estudo de lugares que no conhecemos.
  "Uma viagem pela geografia"  o nome da primeira unidade deste livro. Essa unidade foi organizada em trs captulos. No primeiro, "Investigando a Terra", vamos 
estudar como a geografia construiu uma maneira de olhar o mundo. No segundo, "O mapa e o registro de acontecimentos", veremos como as pesquisas e observaes realizadas 
durante sculos so registradas na forma de mapas. Finalmente, em "A explorao do universo", acompanharemos a evoluo de tcnicas que permitiram a observao da 
Terra a partir do espao csmico.

               oooooooooooo
8

Captulo 1

          Investigando a Terra

uri Gagrin foi o primeiro homem a ver o que j se sabia: o nosso planeta  redondo! Isso aconteceu em 12 de abril de 1961, quando esse astronauta russo permaneceu 
em rbita (1) veja a pgina 36 ao redor da Terra a 300 quilmetros de altura e a 29 mil quilmetros por hora. A partir dessa data, houve muitas outras expedies 
ao espao e inmeras imagens da superfcie terrestre foram produzidas e apareceram em jornais, revistas, no cinema e na televiso. Veja a foto (fig. 1).

Figura 1. 

foto mostrando uma imagem da Terra. A seguir, legenda
  Terra fotografada pela nave Apolo 11, na qual viajaram os astronautas norte-americanos Neil Armstrong, Michael 
 Collins e Edwin Aldrin, em 1969. Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar o solo lunar.

  Hoje, a forma arredondada da Terra no  mais novidade para ningum. Sabemos que nosso planeta realiza a cada 24 horas o movimento de rotao, um giro em torno 
de si mesmo. A cada ano a Terra realiza o movimento de translao, ou seja, uma volta completa ao redor do Sol.
  Esses fatos eram desconhecidos no passado. Durante muito tempo se acreditou que a Terra era plana e se localizava no centro do universo. Tais idias nasceram da 
observao dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas. Aos olhos de um observador que est na superfcie terrestre, esses astros parecem nascer de um lado do horizonte, 
percorrer um caminho no cu e se esconder do lado oposto (fig. 2). 

9
Figura 2. 

          Movimento aparente das estrelas no cu

desenho mostrando uma pessoa no centro da Terra: a sua frente o norte, nas costas o sul, a direita leste e a esquerda oeste. A seguir, legenda
  Durante muito tempo acreditou-se que a Terra era o centro do universo e que tudo mais, incluindo as estrelas, girava em torno dela.

Atividade 1

          Os limites da observao

  Nem sempre as coisas so o que parecem. Voc mesmo pode produzir um efeito visual que comprove essa idia. Gire vrias vezes o seu corpo em torno de si mesmo. 
Pare e olhe ao seu redor. O que voc observa?  verdadeiro? Justifique a sua resposta e anote as concluses em seu caderno.

  Na verdade, esses movimentos aparentes dos astros no cu so provocados pelo movimento de rotao e de translao da Terra. Foram necessrios muitos anos de observao 
para se chegar a essa concluso.
  A observao das estrelas, por exemplo, resultou no seu agrupamento em constelaes, identificadas pelos desenhos que elas formavam no cu. Essas constelaes 
ou agrupamentos de estrelas foram inicialmente explicadas atravs das histrias de deuses, os mitos.
   o caso do mito de rion e Escorpio. Segundo os gregos, rion era um caador que corria o risco de ser ferido mortalmente por um 
10
escorpio. A Constelao de rion desaparece no horizonte quando a Constelao de Escorpio surge do lado oposto, da a origem dessa histria mitolgica. Veja a 
ilustrao (fig. 3).

Figura 3.  

ilustrao mostrando as constelao de rion e Escorpio. A seguir, legenda
   medida que a Terra gira, as Constelaes parecem atravessar o cu.

  A associao do nome das constelaes  mitologia permitiu que essas observaes do cu fossem passadas de uma gerao para outra. Longe de ser apenas uma fantasia 
dos povos antigos, essas informaes representavam o conhecimento obtido pela observao do cu, e eram muito teis no dia-a-dia (fig. 4).

Figura 4. 

foto mostrando o Observatrio Astronmico de Chichen Itza. A seguir, legenda
  Observatrio Astronmico de Chichen Itza, construdo pelos maias, povo que habitava as terras baixas da Pennsula de 
ucatn (que atualmente pertence ao Mxico). Muito antes da chegada dos espanhis, os povos da Amrica j relacionavam os astros com os ciclos de plantio e de colheita 
dos produtos agrcolas.

11
  A presena da Constelao de Peixes no cu (fig. 5), por exemplo, indicava para os antigos babilnios, assrios e persas o incio da atividade da pesca. Para o 
povo egpcio, aps as cheias do Rio Nilo, quando o Sol se localizava na regio do cu em que se observava a Constelao de Gmeos, isso marcava a poca da germinao 
e da fecundidade. 

Figura 5. 

ilustrao mostrando um mapa celeste. A seguir, legenda
  No mapa celeste encontra-se representado o cu observado em Braslia (DF), no dia 23 de setembro s 20 horas. Cada lugar da superfcie terrestre possui o seu mapa 
celeste.

   medida que eram percorridas distncias cada vez maiores pela superfcie terrestre, a idia de que a Terra era plana foi se transformando. Observou-se, por exemplo, 
que os navios comeavam a desaparecer quando atingiam a linha do horizonte: primeiro o casco, depois as velas, at desaparecer o mastro. Veja a ilustrao (fig. 
6). Se a Terra fosse plana, um navio que se afastasse de um porto seria visto diminuindo lentamente de tamanho, at se transformar num longnquo ponto na linha do 
horizonte. Devido  forma arredondada do nosso planeta, no  isso o que se observa.

12
Figura 6. 

ilustrao mostrando um homem, que da terra observa um navio se distanciando na curvatura da Terra. A seguir, legenda
  Quem observa um navio se distanciando do porto tem a impresso de que ele est afundando no mar, pois s consegue ver o que est acima da linha do horizonte.

  Outro fato que chamava muito a ateno dos primeiros viajantes era a existncia no cu de estrelas desconhecidas e jamais observadas nas suas terras de origem. 
Como uma superfcie plana e que era o centro do universo poderia apresentar um cu estrelado diferente em cada localidade? Isso tambm somente poderia ser explicado 
pela forma arredondada da Terra.
  A existncia do movimento de rotao, porm, foi mais difcil de ser demonstrada atravs da observao. 
  A demonstrao do movimento de rotao da Terra s ocorreu em 1851, com a experincia do fsico francs Jean Bernard Lon 
 Foucault. Para comprovar a existncia desse movimento, Foucault construiu um pndulo em um edifcio localizado em Paris. Veja a foto ao lado (fig. 7).

Figura 7. 

foto mostrando o edifcio do Pantheon. A seguir, legenda
  O edifcio do Pantheon, no centro de Paris (Frana), onde Foucault realizou sua famosa experincia. O pndulo foi colocado na cpula desse edifcio, num vo livre 
de 63 metros.

  Se a Terra no girasse, o pndulo balanaria para frente e para trs, indefinidamente. Mas no foi o que se verificou. A cada hora, a linha mudava de direo, 
provando que o edifcio preso  Terra girou sobre o pndulo. Veja o esquema dessa experincia na figura 8.

Figura 8. 

          A experincia de Foucault

esquema representativo. A seguir, legenda
  O pndulo de Foucault fica pendurado por uma roldana que gira livremente, enquanto a Terra realiza o movimento de rotao.

  Aos poucos, foram se ampliando os conhecimentos adquiridos a respeito da Terra. O poder de observao e a capacidade de duvidar da aparncia das coisas, tudo isso 
foi sendo utilizado para transformar o mundo e atender s necessidades humanas.

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Atividade 2

          Quantas estrelas voc pode ver no cu?

  Saia numa noite estrelada e olhe para o cu. Quantas estrelas voc v? Procure fazer um desenho. Trace um quadro numa folha de papel com o
tamanho de 2 palmos por 2. Utilize as seguintes regras para no se perder no cu e localizar as estrelas no seu desenho:

 a) estique o seu brao e use o indicador, o punho fechado ou a mo aberta para medir distncias entre duas ou mais estrelas (fig. 9);

Figura 9. 

desenho mostrando como caucular a distncia (em graus) entre as estrelas, usando a mo:
 indicador :o 1}
 punho fechado :o 10}
 mo aberta :o 18}. A seguir, legenda
  Dada a quantidade de estrelas no cu, no  difcil o observador se perder. Uma maneira simples e rpida de calcular distncias (em graus) entre as estrelas  
utilizar a mo, conforme a ilustrao.

 b) aplique essas mesmas medidas para desenhar as estrelas dentro do quadro que voc traou na folha de papel. Exponha, em sala de aula, o resultado desse trabalho.

pea orientao ao professor

A geografia dos viajantes e exploradores

  Quando, no sculo XV, os europeus lanaram-se ao mar em busca de novas terras, eles sabiam muito pouco sobre o que existia fora de seu prprio continente (2). 
Essa grande aventura, conhecida pelo nome de Grandes Navegaes, foi incentivada pela busca de imensas riquezas e de lugares to bonitos e mgicos quanto o paraso. 
Entretanto seus realizadores no sabiam direito o que iriam encontrar pela frente. Falava-se at em monstros capazes de engolir caravelas, que habitariam as guas 
ferventes dos mares desconhecidos.
  A histria da chegada dos europeus  Amrica  prova desse desconhecimento. O navegante Cristvo Colombo, que aportou em terras americanas no sculo XV, morreu 
acreditando que tinha chegado na sia. Ele havia partido em busca das riquezas asiticas descritas pelo mercador Marco Polo em seus relatos de viagem para a China, 
entre 1271 e 1295.
14
  Assim, quando a esquadra de Colombo chegou a uma minscula ilhota do Caribe (3), no ano de 1492, ele imediatamente comeou a procurar o litoral da China e a ilha 
de Cipango (atual Japo). O pobre navegador estava, literalmente, perdido no mundo! E no adiantava procurar no mapa: os atlas (4) daquela poca representavam apenas 
o mundo conhecido pelos europeus - e a Amrica ainda no fazia parte desse mundo. A figura 10 mostra uma rplica da Santa Maria, uma das trs caravelas que integraram 
a esquadra de Colombo.

Figura 10.

foto mostrando a rplica da caravela Santa Maria, atracada no Porto de Gnova, na Itlia

Atividade 3

          Ampliando os horizontes

  Analise atentamente as figuras 11, 12 e 13.

Figura 11. 

mapa mostrando a Europa, frica e sia. A seguir, legenda
  Mapa do mundo elaborado por Paolo Toscanelli, em 1457.

Figura 12. 

desenho mostrando mapa elaborado por Nicholas Visscher, em 1658

Figura 13. 

desenho mostrando mapa elaborado por Carington Bowles, em 1790

 1. O mapa representado na figura 11 foi concebido poucas dcadas antes da famosa expedio de Cristvo Colombo, que descobriu a Amrica para os europeus. Com base 
nele, procure explicar por que o navegante acreditava ter aportado no litoral da sia quando, na verdade, chegou ao arquiplago das Antilhas.
 2. Compare os mapas das figuras 11, 12 e 13. Descreva as principais diferenas entre eles e procure explic-las. Preste ateno nas informaes que eles trazem, 
principalmente quanto  presena e ao contorno dos continentes e ao tamanho dos mares.

pea orientao ao professor

  As Grandes Navegaes mostraram um imenso novo mundo para os europeus. Nele, tudo era diferente e desconhecido. Os naturalistas (5) sequer sonhavam com a variedade 
e diversidade de espcies de flora e fauna que esse "novo mundo" abrigava. As imponentes florestas tropicais causaram muito espanto e curiosidade nesses especialistas, 
pois elas eram completamente diferentes das formaes vegetais existentes no continente europeu. Observe as fotos (figura 14).

Figura 14. 

duas fotos: a primeira mostra a Mata Atlntica, e a segunda mostra a Floresta Negra. A seguir, legenda
  Mata Atlntica, no Brasil, e Floresta Negra, na Alemanha. As florestas da Amrica do Sul apresentam uma variedade muito maior de espcies vegetais do que as florestas 
tpicas europias.

  Alm disso, as formas de organizao da vida social dos povos nativos tambm eram desconhecidas e, muitas vezes, estranhssimas, quando comparadas ao modo de vida 
da civilizao europia. Cada um desses 
16
povos tinha formas particulares de encarar a passagem para a vida adulta, o casamento e a morte. Eles tambm haviam desenvolvido seu prprio sistema de crenas e 
cultos religiosos. A Europa no se viu apenas diante da diversidade da natureza do planeta, mas descobriu que essa diversidade tambm existia no plano da cultura. 
As festas e ritos dos povos americanos, como a da foto (fig. 15), eram muito diferentes das celebraes tradicionais da Europa.

Figura 15. 

foto mostrando vrias pessoas observando os ndios, que usam enfeites e instrumentos musicais. A seguir, legenda
  Festa dos ndios peruanos realizada anualmente em Cuzco, em honra ao Deus Sol. Essa celebrao faz parte do calendrio religioso inca, povo que dominava a regio 
quando os espanhis desembarcaram na Amrica.

  Uma vez descobertos os caminhos e entradas para os outros continentes, era preciso saber mais sobre eles. Foi nesse contexto que surgiram os exploradores: um misto 
de cientistas e aventureiros. Em muitos casos, tambm atuavam como soldados a servio de um rei ou como comerciantes a servio de uma grande companhia de comrcio.
  Assim, agrupados em expedies de reconhecimento, os exploradores europeus se espalharam pelos quatro cantos do mundo e se embrenharam na vastido dos territrios 
da Amrica, da sia e da frica. Muitas dessas expedies jamais retornaram ao velho continente, pois seus integrantes acabaram vitimados por doenas at ento desconhecidas 
ou foram mortos pelos nativos.
  Os relatos de viagens produzidos por essas expedies descreviam as regies visitadas e eram fartamente ilustrados com desenhos de plantas e animais; veja um exemplo 
na foto (fig. 16). Tambm as formas de organizao social, as lnguas e os sistemas religiosos dos povos encontrados eram registrados para estudos posteriores. Juntos, 
esses milhares de inventrios (6) retratando os mais diversos territrios e povos deram um poderoso impulso s atividades cientficas desenvolvidas na Europa.

Figura 16. 

desenho mostrando algumas aves. A seguir, legenda
  Desenho extrado do livro O naturalista do Rio Amazonas, de Henry Bates. Muitos exploradores que viveram no sculo XIX produziram livros fartamente ilustrados 
sobre as viagens que faziam.

17
  A atividade dos viajantes-
 -exploradores era muito importante para os governantes europeus, interessados nas riquezas das regies exploradas. Em muitos pases, em especial na Inglaterra, 
o rei financiava grande parte das expedies. As descobertas realizadas eram debatidas calorosamente na Sociedade Geogrfica Real, lugar onde esses pioneiros se 
reuniam entre uma aventura e outra. Grande parte da geografia fsica do continente africano, seus rios, nascentes, montanhas e florestas, por exemplo, foi desenhada 
pelos inventrios descritivos de exploradores ingleses como sir Livingstone (fig. 17), entre outros.

Figura 17. 

gravura mostrando um homem sobre um animal e alguns homens e mulheres caminhando. A seguir, legenda
  Gravura de 1878 retratando David Livingstone em viagem pela frica. O explorador percorreu cerca de 50 mil quilmetros no continente, numa viagem repleta de episdios 
dramticos. Alm de adoecer vrias vezes, ele chegou a se perder na selva africana.

18
Atividade 4

          Uma expedio na escola

  Organize uma expedio em grupos pela sua escola. Cada grupo escolhe um lugar para observar e descrever, utilizando-se de anotaes e desenhos. Depois, apresente 
um relatrio da sua expedio para a classe.

Diante de novos desafios

  Como voc pde ver, a descrio foi o ponto de partida de muitos estudos geogrficos. Porm, a partir da introduo de novas tecnologias de comunicao e da observao 
mais detalhada da Terra, outros elementos passaram a ser utilizados na anlise e na explicao dos problemas que afetam a vida humana.
  Existem vrias maneiras de se explicar um problema. Muitas vezes surgem polmicas que duram anos e anos at que se consiga chegar a uma explicao aceita por todos. 
Um bom exemplo disso  o da mudana climtica.
  Um trabalho envolvendo mais de trezentos cientistas de vinte pases no Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental de Mudana Climtica), 
uma entidade cientfica internacional que estuda as mudanas climticas, confirmou que a temperatura mdia da Terra est subindo. Segundo esses cientistas, a temperatura 
da Terra est subindo entre 0,3C e 0,6C a cada dcada. Ainda segundo esse estudo, os dois perodos de aquecimento mais rpido da Terra foram de 1920 a 1940 e de 
1975 a 1990.
  O aquecimento da Terra poder alterar profundamente a vida humana. As calotas polares (7) descongelariam, elevando o nvel da gua do mar e causando, por exemplo, 
o alagamento de cidades localizadas no litoral.
  Os cientistas concordam que o problema existe, mas discordam quanto  sua origem.
  Para alguns, o aquecimento global  causado pela ao humana e pelo modo de vida urbano que a nossa sociedade adotou. A atividade industrial e os produtos gerados 
por ela produzem grandes quantidades de gases estufa. Por exemplo, a queima dos derivados de petrleo pelos motores dos automveis, caminhes, nibus, navios, trens, 
avies, das caldeiras etc. libera gs carbnico, um dos gases estufa - o automvel  o grande vilo dessa histria (fig. 18). O clorofluorcarbono - outro gs estufa 
empregado nas mquinas usadas para refrigerar (geladeiras, freezers e condicionadores de ar) - sequer  natural, isto , no existe na natureza. Leia mais sobre 
os gases estufa no quadro 1.

Figura 18. 

foto mostrando uma rua com intenso movimento de carros. A seguir, legenda
  Trfego intenso nas ruas de Bancoc, capital da Tailndia. A enorme quantidade de carros em circulao no mundo pode estar colaborando para o aquecimento global 
do planeta. Se mais gente andasse de nibus, trens e metrs, nosso planeta poderia se tornar um lugar melhor para se viver.

19
Quadro 1

          O efeito estufa

  O Sol  a fonte de aquecimento do planeta que habitamos. O calor solar chega  superfcie da Terra, que o reflete. Alguns gases que se encontram na atmosfera podem 
absorver essas radiaes solares, capacidade conhecida como efeito estufa. Observe a ilustrao (fig. 19).

Figura 19. 

esquema demonstrativo do efeito estufa. A seguir, legenda
  Observe na figura as alteraes ambientais provocadas pelo aumento de gases estufa.

  Ao contrrio do que pode parecer, o efeito estufa no  um problema para a vida na Terra. Na verdade, ele  o responsvel pela manuteno da temperatura mdia 
do planeta em torno de 15C. O problema apontado por alguns estudiosos do clima da Terra  o aumento da concentrao na atmosfera dos gases estufa, que so gases 
que impedem a disperso do calor refletido pela superfcie da Terra. Confira no grfico (fig. 20).

Figura 20. 

contedo de grfico de barras, mostrando a contribuio dos gases no efeito estufa
 Dixido de carbono 61%
 Metano 15%
 CFC 11%
 xido de nitrognio 4%
 Outros 9%
  Legenda: a figura acima  um grfico de barras. Observe que quanto maior a barra, maior a contribuio do gs no efeito estufa.

  Os principais gases estufa so: o gs carbnico, produzido a partir da combusto de combustveis fsseis (como derivados de petrleo) ou pela queima de reas naturais 
(como acontece na Floresta Amaznica); o metano, produto das atividades agrcolas; os compostos de clorofluorcarbono, produzidos em laboratrio. Existem ainda o 
xido de nitrognio, o oznio e o vapor d'gua. Isso mesmo, at aquela fumacinha que sai da gua fervente contribui para o efeito estufa!
 fim do quadro

20
  Para esses pesquisadores, a soluo para impedir a elevao da temperatura da Terra estaria na eliminao da produo de gases estufa, principalmente o gs carbnico 
e o clorofluorcarbono. Para tal, eles propem um rgido controle de emisso de gases estufa, utilizando inclusive informaes coletadas por satlites artificiais 
(8).
  Outros cientistas apontam os processos naturais como causadores da elevao da temperatura na Terra. Segundo eles, nosso planeta estaria entrando num processo 
de aquecimento climtico, como j ocorreu em outros perodos de sua histria. Alm disso, argumentam que no h ainda conhecimento cientfico suficiente para provar 
a interferncia humana sobre o clima da Terra.
  Est formada a polmica! Os interessados em manter o consumo do petrleo e seus derivados - os pases produtores de petrleo, as empresas que fazem o seu refino 
e os fabricantes de automveis - dizem que no  necessrio controlar a emisso de gases estufa. Ao menos como precauo, entretanto, deveria ser adotada a postura 
de diminuir a emisso desses gases. Afinal, se a relao entre as atividades humanas e o aquecimento global no  ainda aceita como verdadeira, ela tambm no est 
descartada.
  Como voc v, no  fcil explicar as coisas cientificamente. Essa explicao exige muita pacincia e trabalho, alm de disposio para fazer valer seus argumentos. 
Nem sempre essas esxplicaes so movidas apenas pelo interesse cientfico. Muitas vezes, elas so influenciadas por interesses polticos e econmicos.

Passando a limpo

 1. Explique, com suas prprias palavras:
 a) Como foram comprovados a forma da Terra e os seus movimentos?
 b) Qual foi a importncia das viagens realizadas pelos exploradores europeus?

 2. Como vimos, as atividades industriais e o modo de vida urbano contribuem para a emisso de gases estufa na atmosfera. Considerando isso:
 a) narre, em um pequeno texto, as suas atividades rotineiras em um dia de semana.
 b) circule em seu texto as atividades que contribuem para aumentar a produo de gases estufa.  

Notas de rodap

 (1) rbita - Movimento que um astro realiza em torno de outro (Lua ao redor da Terra. Terra e outros planetas ao redor do Sol, por exemplo).
 (2) Continente - Diviso territorial da Terra, considerando as grandes extenses de terras emersas. Em geral, citam-se seis continentes, mas alguns estudiosos classificam 
a Europa e a sia como um nico bloco (a Eursia), enquanto outros no incluem a Antrtida (massa de terra coberta de gelo) entre os continentes.
 (3) Caribe - Regio da Amrica banhada pelo Mar do Caribe.
 (4) Atlas - Coleo de mapas. Os atlas escolares, por exemplo, contm uma srie de mapas do mundo e de nosso pas, organizados para facilitar o estudo dos mais 
diversos temas.
 (5) Naturalistas - Pessoas que estudam a natureza. No sculo XIX, muitos naturalistas europeus percorreram a Amrica, frica e Austrlia pesquisando, fazendo desenhos 
e coletando exemplares de plantas, animais e rochas.
 (6) Inventrio - Documento ilustrado com desenhos e mapas, contendo a descrio de um lugar ou dos bens pertencentes a algum.
 (7) Calotas polares - Grandes pores de guas congeladas existentes nas regies polares: rtico (norte) e Antrtida (sul).
 (8) Satlites artificiais - Equipamentos que viajam nos limites da rbita da Terra. H vrios tipos de satlites artificiais: alguns registram informaes sobre 
oceanos, florestas, cidades, outros atuam nas telecomunicaes, recebendo e transmitindo imagens para vrios pontos do planeta etc.

               oooooooooooo
21

Captulo 2
 
          O mapa e o registro de 
          acontecimentos

  A capacidade de observar, descrever e registrar acontecimentos naturais e da vida social permitiu o conhecimento e a transformao do planeta Terra segundo as 
necessidades humanas. H inmeros exemplos do uso de imagens como forma de registro desses acontecimentos.
  As pinturas rupestres so representaes grficas de gestos e aes registradas na rocha (em cavernas ou ao ar livre) por povos que no conheciam a escrita. Elas 
mostram cavalos, renas, bises, ursos e outros animais que serviam de alimento ao grupo. Esses animais eram muitas vezes desenhados feridos ou em situao de fuga. 
Observe um exemplo de pintura rupestre na foto (fig. 1).

Figura 1. 

foto mostrando pintura rupestre descoberta pelos arquelogos na parede de uma caverna na Borgonha, Frana

  No se sabe ao certo qual era a finalidade das pinturas rupestres. Uma das explicaes possveis  que elas deviam fazer parte de rituais relacionados com a caa.
22
  As mais conhecidas parecem ter sido criadas h cerca de 30 mil anos e encontram-se na Espanha e na Frana. No Brasil, no Parque Nacional da Serra da Capivara, 
no Piau, existem mais de mil pinturas desse tipo.
  So tambm muito conhecidos os desenhos dos exploradores do sculo XIX. Como vimos no captulo 1, eles registravam em palavras e imagens o que descobriam em suas 
viagens. Assim, ampliaram o conhecimento a respeito dos costumes de outros povos, classificaram plantas e animais, traaram caminhos por terras e mares at ento 
desconhecidos pelos comerciantes europeus.
  Esses cientistas-aventureiros tinham na habilidade do desenho um poderoso instrumento de registro. Muitas vezes as imagens que produziam valiam mais do que mil 
palavras.
  O uso de fotografias facilitou o registro de acontecimentos por meio de imagens. J em 1840, uma mquina fotogrfica colocada num balo registrou as caractersticas 
dos arredores de Paris.
  A partir dessa poca, houve um aperfeioamento constante das cmeras fotogrficas e dos filmes para registro de vistas areas da superfcie terrestre, ampliando 
as possibilidades de se obterem informaes geogrficas.
  O registro fotogrfico popularizou-se com a inveno da cmera porttil em 1888, pois seu uso no exige grandes habilidades. Multiplicaram-se os viajantes que 
registravam em fotografias as imagens de terras e povos distantes. Voc provavelmente nunca viu um vulco em erupo, mas, por causa da fotografia, tem uma idia 
da grandiosidade desse fenmeno. A popularizao da fotografia permitiu aos jornalistas divulgar imagens das guerras (fig. 2) e de grandes acontecimentos. A observao 
e o registro desses acontecimentos continuam causando grande impacto na opinio pblica.

Figura 2. 

foto mostrando um tangue de guerra e vrios homens por perto. A seguir, legenda
  Tanque de guerra britnico usado na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Imagens como essa foto de 1917 divulgaram o horror da guerra para todos os cantos do mundo.

23
Atividade 1

          O registro fotogrfico

  Com o auxlio do professor, organize a classe em grupos para registrar os arredores da escola por meio de fotografias. Cada grupo deve apresentar um lbum com 
doze fotos e suas respectivas legendas explicativas.

O mapa  uma forma de registro de acontecimentos

  As fotografias areas e as imagens de satlites so imagens da superfcie terrestre vista de cima. Uma fotografia area  o registro de tudo o que se v de um 
avio. Plantaes, florestas, rios, cidades, estradas e edificaes aparecem nas formas e nas tonalidades que a mquina fotogrfica capta.
  J o mapa  uma forma de registro que resulta da seleo dos elementos considerados mais importantes.  uma representao da superfcie, sendo, portanto, mais 
fcil de ler. Observe a figura 3, prestando ateno na diferena entre uma fotografia area e um mapa.

Figura 3. 

ilustrao dos mesmos lugares, por uma foto area e um mapa; 
  mapa: rea urbana, rea (Taubat), rea rural, vrzea do rio, estrada, rua, rodovia estadual SP-123 e rio Paraba do Sul; escala aproximada 1:45.000. A seguir, 
legenda
  Regio em torno da rea urbana da cidade de Taubat, no Estado de So Paulo: detalhe de uma fotografia area tirada em 1977 e representao em mapa da rea vizinha.

24
  No traado do mapa, as estradas e edificaes foram uniformizadas e receberam tratamento especial. Os vrios tipos de plantao identificados na fotografia area 
esto representados numa nica cor. Alm disso, os nomes de rios e de cidades registrados no mapa obviamente no aparecem na fotografia. A legenda do mapa facilita 
a sua leitura, porque indica as formas e cores que foram utilizadas para representar a superfcie terrestre no papel.

Escala

  Para estar completo, o mapa deve apresentar escala. A escala estabelece a correspondncia entre o tamanho real da superfcie terrestre e o seu tamanho representado 
no mapa. No mapa da figura 3, cada centmetro desenhado no papel corresponde a 320 metros de superfcie.
  Existem duas maneiras de expressar a escala de um mapa: a escala numrica e a escala grfica.
  A escala numrica mostra a relao entre cada centmetro do mapa e os centmetros da superfcie representada, expressa numa frao. Essa frao indica quantas 
vezes o todo foi reduzido para ser representado no mapa. Assim, 1:5.000 (l-se 1 por 5 mil)  uma escala em que cada centmetro do mapa corresponde a 5.000 centmetros 
da superfcie, ou seja, 50 metros. Reveja a figura 3 e confira a escala numrica.
  A escala grfica  a forma de identificar de modo mais direto a relao utilizada. Trata-se de uma linha horizontal dividida em centmetros, que indica diretamente 
a medida correspondente na superfcie, como se pode observar na escala grfica do mapa da figura 4.

Atividade 2

          Planta da sala de aula

  Faa com seus colegas uma planta da sala de aula.

 a) Utilize um rolo de barbante para medir o tamanho das paredes, do quadro-de-giz, da mesa do professor, das carteiras dos alunos etc.
 b) Pegue o pedao de barbante com a medida da maior parede. Com a ajuda do professor, dobre ao meio esse pedao de barbante, depois novamente ao meio, e assim sucessivamente 
tantas vezes quantas forem necessrias para obter uma medida que possa ser representada numa folha de papel.
 c) Repita esse procedimento o mesmo nmero de vezes para as outras medidas efetuadas pela turma.
 d) Desenhe a planta da sala, obedecendo os tamanhos obtidos com os barbantes dobrados.
 e) Desenhe as carteiras e pinte-as com cores diferentes, de acordo com o time de futebol por que cada um torce.
 f) Discuta com os colegas: quantas vezes o barbante dobrado cabe no barbante inteiro? Como representar essa relao na escala numrica? E na escala grfica?
 g) Indique no papel a escala numrica e a escala grfica. Faa uma legenda com as cores utilizadas.

25
  Os mapas a seguir (figuras 4, 5, 6 e 7) ilustram as diferenas de representao de uma rea em diversas escalas. Em cada um deles obtm-se diferentes informaes 
de Braslia, a capital do pas.

Figura 4.

          Braslia: plano piloto

mapa mostrando ferrovia, rodovia e rio

Figura 5.

          Brasil: Distrito Federal

mapa mostrando rea urbanizada, ferrovia, rodovia e metr

Figura 6.

          Brasil: Regio Centro-Oeste

mapa destacando a regio Centro-Oeste. A seguir, descrio
 Capital: Braslia (Distrito Federal), Gois - Goinia, Mato Grosso do Sul - Campo Grande, Mato Grosso - Cuiab

 Cidade importante: 
  Gois - Ceres, Ipor, Anpolis, Luzinia, Rio Verde, Jata, Itumbiara
  Mato Grosso do Sul - Corumb, Paranaba, Dourados, Ftima do Sul, Ponta Por, Aquidauana
  Mato Grosso - Sinop, Rondonpolis
 Rodovia pavimentada
 Rodovia sem pavimentao
 Ferrovia

Figura 7.
     
          Brasil na Amrica do Sul

mapa mostrando o territrio brasileiro na Amrica do Sul. A seguir, descrio
 Capital do Brasil: Braslia
 Capitais dos estados brasileiros: Porto Velho, Rio Branco, Manaus, Boa Vista, Macap, Belm, So Lus, Fortaleza, Teresina, Natal, Joo Pessoa, Recife, Macei, 
Aracaju, Salvador, Palmas, Cuiab, Goinia, Campo Grande, Belo Horizonte, Vitria, Rio de Janeiro, So Paulo, Curitiba, Florianpolis, Porto Alegre
 Fronteiras internacionais: Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Bolvia, Peru, Equador, Colombia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa (FRA)

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  Na figura 4, cada centmetro do mapa representa 2,5 quilmetros da superfcie. Nesse tipo de mapa  possvel visualizar o formato de avio da cidade. O corpo do 
avio  ocupado pela Esplanada dos Ministrios e, na sua frente, encontra-se a Praa dos Trs Poderes. Nessa praa esto a sede do Executivo (1) veja a pgina 73, 
no Palcio do Planalto; a sede do Judicirio (2), no Palcio da Justia; e a sede do Legislativo (3), no Congresso Nacional.
  O mapa da capital federal nessa escala informa que se trata de uma cidade planejada, pois a forma de avio da rea urbana (4) de Braslia no surgiu espontaneamente: 
foi pensada antes de a cidade existir. Alm disso, nesse mapa se nota como a atividade poltica ocupa um lugar central na cidade.
  Na figura 5, cada centmetro do mapa corresponde a 7 quilmetros da superfcie. J no  mais possvel visualizar as ruas e edificaes, unificadas numa mancha 
que simboliza a rea urbana.
  Por outro lado, esse mapa oferece uma viso dos arredores do Plano Piloto, onde esto localizadas as chamadas cidades-satlites e os limites do Distrito Federal. 
Em Gama, Ceilndia, Sobradinho, Ncleo Bandeirantes e Planaltina (cidades-satlites) reside a maior parte das pessoas que trabalham no Plano Piloto. Nessa escala 
 possvel mapear, por exemplo, o deslocamento dirio dessa populao trabalhadora.
27
  Na figura 6, cada centmetro do mapa corresponde a 160 quilmetros da superfcie. Nessa escala no  mais possvel localizar o Plano Piloto e as cidades-satlites. 
O Distrito Federal  representado por um quadriltero. Esse mapa oferece novas informaes, como os estados brasileiros mais prximos de Braslia, suas rodovias, 
cidades mais importantes e at mesmo os seus principais rios.
  Finalmente, na figura 7, cada centmetro no mapa corresponde a 580 quilmetros. Ele representa todo o territrio brasileiro e sua posio na Amrica do Sul. Como 
nos outros casos, h perdas e ganhos de informao. Braslia, agora, no passa de um ponto contornado por uma circunferncia que simboliza a capital, conforme indica 
a legenda. Nesse mapa  possvel calcular a distncia entre Braslia e as capitais dos estados brasileiros e sua posio em relao ao Oceano Atlntico.
  Resumindo: conforme a escala, o mapa representa pequenas reas, como as plantas das cidades. Nele, a representao  muito prxima das formas e contornos reais 
das edificaes, ruas e quadras. Mapas que representam reas maiores perdem detalhes, mas ganham informao de conjunto mais geral, ampliando a compreenso do espao 
geogrfico como um todo.

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Orientao

  Alm da escala, o mapa tambm pode apresentar orientao. A orientao  o alinhamento do norte indicado no mapa com o norte do terreno.
  Devido ao movimento de rotao da Terra, o Sol surge sempre do mesmo lado do horizonte (leste), realiza um caminho pelo cu e atinge o horizonte oposto (oeste). 
Esse caminho  chamado de movimento aparente do Sol. Estendendo-se a mo direita para leste e a esquerda para oeste, tem-se o norte  frente e o sul s costas. So 
os pontos cardeais, utilizados na orientao dos mapas. Analise a ilustrao (fig. 8) e leia o quadro 1.

Figura 8. 

ilustrao mostrando os pontos cardeais e o movimento aparente do Sol, ao amanhecer (leste), ao meio dia (norte), ao anoitecer (oeste). A seguir, legenda
  O caminho aparente do Sol depende da posio do observador. A ilustrao mostra a trajetria do Sol para um observador que esteja prximo ao Equador.

Quadro 1

          A orientao com a bssola

  A bssola auxilia o alinhamento do mapa com o terreno: basta posicionarmos o norte que est indicado no mapa com o norte indicado pela agulha da bssola (na maior 
parte dos mapas, o norte est na parte superior da folha).
  As direes obtidas a partir da bssola apresentam um desvio, que precisa ser corrigido quando se exige maior preciso. Esse desvio, chamado declinao magntica, 
 indicado nas cartas de navegao. O desvio ocorre porque a agulha da bssola oscila livremente e se alinha no sentido do plo norte magntico, que no coincide 
exatamente com o plo norte geogrfico, ponto ao redor do qual a Terra gira. Observe na figura 9 o esquema desse fenmeno.

Figura 9. 

esquema representativo da declinao magntica para oeste com duas setas: uma aponta em direo ao Norte Geogrfico e a outra em direo ao Norte Magntico. A seguir, 
legenda
  No Brasil, dependendo da localidade, a direo do norte geogrfico fica de 10 a 20 graus a leste do norte magntico.
 fim do quadro

29
Atividade 3

          Faa voc mesmo uma bssola

  Material: m; agulha; rolha; fita adesiva; prato fundo com gua.
  Procedimento:

 a) esfregue o m vrias vezes na agulha, sempre numa mesma direo;
 b) fixe com a fita adesiva a agulha na rolha;
 c) a rolha com a agulha magnetizada dever movimentar-se livremente no prato (fig. 10);
 d) a agulha ir sempre apontar para o norte magntico.

Figura 10.

desenho mostrando uma bssola

  Agora, pegue a planta da sala de aula da atividade 2 e, com a bssola, responda no seu caderno: em que direo se encontram a sala da diretoria, os banheiros, 
a cantina, a biblioteca e a quadra em relao a sua sala de aula?

pea orientao ao professor

Mapeamento por computadores

  As imagens da superfcie terrestre registradas em fotografias areas e em imagens de satlites podem ser armazenadas em computadores e usadas como informao para 
atualizao rpida e fcil dos mapas. Os mapas que j existem tambm podem ser arquivados na memria dos computadores.
  Uma das aplicaes desse tipo de mapa tem sido o planejamento das cidades. Em Curitiba, por exemplo, foi organizado um sistema de informaes com o nmero de domiclios 
e habitantes por quadra, idade e sexo dos moradores, nmero de nascimentos e diversos outros dados permanentemente atualizados. A partir da, vrios mapas digitais 
esto sendo produzidos e comparados entre si, para orientar a realizao de obras na cidade. As informaes sobre transporte coletivo (percurso e nmero de
30
usurios das linhas de nibus), por exemplo, podem ser analisadas em conjunto com os dados sobre a distribuio dos habitantes na cidade. Isso permite que se faa 
um plano para atender melhor aos usurios, com a criao de novas linhas, aumento do nmero de veculos, alteraes no percurso dos nibus etc.
  A meteorologia tambm faz uso dos computadores na confeco de mapas. Veja a foto (fig. 11). A previso do tempo exige complicados e volumosos clculos que somente 
um supercomputador  capaz de resolver rapidamente. Mapear as direes do vento, a distribuio de nuvens e a possibilidade de ocorrerem tempestades envolve bilhes 
de clculos por segundo. Os resultados desses clculos so representados graficamente na forma de mapas de previso do tempo.

Figura 11. 

foto mostrando dois mapas com as previses do tempo referentes aos meses de janeiro e julho de 1984. A seguir, legenda
  Os dois mapas da figura foram produzidos pelo computador a partir de informaes fornecidas por satlites meteorolgicos. Eles apresentam a porcentagem de dias 
nublados nos meses analisados, em uma gradao que vai do azul-claro (nas regies que permaneceram encobertas durante quase todos os dias) ao vermelho, em reas 
nas quais predominaram os dias claros. Observe que, na Bacia Amaznica, por exemplo, ocorreram mais dias de cu claro no ms de julho do que no ms de janeiro.

O mapa e as vises do mundo

  A maioria das pessoas imagina o mundo como o viu em planisfrios. Os planisfrios so mapas que representam toda a superfcie terrestre, incluindo as grandes extenses 
de terras emersas (continentes), as ilhas e os oceanos. Uma das imagens mais fortes que temos do mundo  o planisfrio desenhado na forma estabelecida pelo matemtico 
e cartgrafo belga Gerhard Kremer Mercator, em 1569.
  No planisfrio de Mercator (fig. 12), as terras prximas aos plos parecem ser muito maiores do que so na realidade. Olhando para ele, temos a impresso de que 
a frica  relativamente pequena e a Groenlndia  quase do tamanho da Amrica do Sul.

Figura 12. 

planisfrio de Mercator destacando a Groenlndia e Austrlia. A seguir, legenda
  A projeo de Mercator  realizada tornando paralelas as linhas meridianas. Quanto mais distante do Equador, maior ser a distoro provocada no tamanho dos continentes. 
A Austrlia e Groenlndia possuem reas semelhantes, mas parece que a Groenlndia  muito maior.

  A forma de representar a Terra desenvolvida por Mercator  a mais conhecida, mas no  a nica. Outros planisfrios foram desenhados e oferecem novas vises do 
mundo. Entretanto nenhum deles conseguiu representar toda a superfcie terrestre sem provocar algum tipo de distoro.
  Em 1973, o alemo Arno 
 Peters apresentou uma outra forma de visualizar a superfcie do nosso planeta. Nela, as grandes massas de terra so representadas com as propores reais entre 
suas reas. Por isso, olhando para o planisfrio de Peters (fig. 13),  fcil perceber que a Amrica do Sul  muito maior do que a Groenlndia. Peters resolveu o 
problema da distoro do tamanho, mas, para isso, teve de distorcer a forma.

Figura 13. 

planisfrio de Peters mostrando as terras emersas no sentido norte-sul. A seguir, legenda
  A projeo de Peters produziu um efeito de alongamento das terras emersas no sentido norte-sul.

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Atividade 4

          Vises de mundo

  Compare os planisfrios de Mercator e de Peters (figuras 12 e 13) e responda em seu caderno: Qual dessas formas de representar a superfcie terrestre valoriza 
a posio europia no mundo? Explique sua resposta.

  Seria impossvel desenhar um planisfrio que preservasse tanto a forma (como fez Mercator) quanto o tamanho (Peters) dos continentes! As duas alternativas, assim 
como todas as outras j elaboradas, apresentam alguma deformao. Leia, por exemplo, o quadro 2, que trata da projeo azimutal.

Quadro 2

          O Brasil no mundo

  Na maior parte dos planisfrios, a Amrica do Norte parece estar muito distante da sia, e a Europa aparece no centro do mundo. Entretanto, como a Terra  redonda 
e o mapa  plano, qualquer parte da superfcie terrestre pode ser eleita como o centro de um planisfrio.
  No mapa abaixo, o Brasil aparece como o centro do mundo. A forma e o tamanho dos continentes so distorcidos, mas  possvel visualizar com mais nitidez a posio 
do Brasil na Amrica do Sul e no mundo, assim como identificar com maior preciso o que  prximo e o que  distante do nosso pas.

Figura 14. 
 
          Projeo centrada no Brasil

mapa mostrando o Brasil no centro do mundo. A seguir, legenda
  A projeo centrada no Brasil revela a proximidade de nosso pas em relao  Antrtida e  frica.

 fim do quadro

33
As linhas imaginrias

  No planisfrio encontram-se traadas linhas imaginrias, chamadas paralelos e meridianos. Essas linhas so utilizadas para a localizao de qualquer ponto na superfcie 
terrestre, alm de dar a orientao do mapa.
  Os paralelos so linhas imaginrias, paralelas ao Equador, que unem pontos de mesma latitude (5). A linha do Equador divide a Terra em duas partes iguais: os hemisfrios 
norte e sul. Confira na figura 15.
  O Trpico de Cncer e o Trpico de Capricrnio marcam os pontos extremos ao norte e ao sul do Equador que definem a zona mais quente do planeta.
  O Crculo Polar rtico e o Crculo Polar Antrtico delimitam as zonas mais frias da Terra, ao redor dos plos Norte e Sul.
  Os meridianos so linhas imaginrias que se cruzam nos plos. Qualquer um deles poderia ser eleito como meridiano principal. O Meridiano de Greenwich  utilizado 
como referncia para dividir a Terra nos hemisfrios ocidental e oriental (fig. 15) e para calcular a longitude (6). Ele tem esse nome porque passa sobre o Observatrio 
de 
 Greenwich, nas proximidades da cidade de Londres, na Inglaterra. Veja a foto (fig. 16).

Figura 15.

          Os hemifrios

mapas mostrando os hemisfrios Sul, Norte, Ocidental e Oriental. A seguir, legenda
  Qualquer ponto da superfcie terrestre pode ser localizado por meio da latitude, a norte ou a sul do Equador, e da longitude, a leste ou a oeste do Meridiano de 
Greenwich.

Figura 16. 

foto mostrando a fachada do Observatrio de Greenwinch. A seguir, legenda
  O Observatrio de Greenwich foi construdo para ser o Observatrio Astronmico da Coroa Britnica. Por isso,  

  conhecido como Observatrio Real.

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Atividade 5

          O paralelo e meridiano local

  Esta atividade precisa ser realizada num dia ensolarado, entre 10 e 14 horas.
  Material: uma estaca (cabo de vassoura ou espeto de churrasquinho) e rolo de barbante.
  Procedimento:

 a) Coloque a estaca fincada na vertical sobre uma superfcie exposta ao sol. Caso voc no tenha acesso a uma rea com terra ou a um tanque de areia, utilize um 
vaso velho com terra para  fixar a estaca.
 b) Marque a posio da extremidade da sombra da estaca s 11 horas da manh. A partir desse ponto, trace uma circunferncia com o auxlio de um pedao de barbante, 
tendo como centro a estaca.
 c) s 13 horas, marque o ponto em que a  sombra da estaca ir cruzar novamente a circunferncia. 
 d) Trace uma reta unindo esse ponto e o ponto inicial. Parabns! Voc acabou de estabelecer o paralelo local! Essa linha  paralela  linha do Equador.
 e) O meridiano local pode ser traado a partir de uma perpendicular que passa pelo centro da circunferncia que voc traou e o paralelo, formando uma cruz. Essa 
linha se encontra, no Plo Norte e no Plo Sul, com todos os outros meridianos.
 f) Posicione uma bssola sobre a linha do meridiano local. Verifique a diferena existente entre o meridiano, que aponta para o norte geogrfico, e a linha formada 
pela agulha da bssola, que aponta para o norte magntico. Muito bem! Voc acaba de obter a declinao magntica local (desvio entre o plo norte magntico e o plo 
norte geogrfico).

Figura 17.

esquema representativo da declinao magntica

pea orientao ao professor

Passando a limpo

  Forme pelo menos cinco frases combinando as colunas A e B. Exemplo: o Trpico de Cncer localiza-se no hemisfrio norte.

Coluna A
  hemisfrio norte
  meridianos
  Mercator
  Equador
  escala numrica

  planisfrio
  paralelo
  latitude
  Crculo Polar Antrtico

Coluna B
  linhas imaginrias que se encontram nos plos
  1:50.000
  Trpico de Cncer
  cartgrafo que elaborou uma forma de desenhar a superfcie terrestre
  distncia em graus de qualquer ponto da superfcie terrestre em 
  relao ao Equador
  hemisfrio sul
  paralelo que divide a Terra em dois hemisfrios
  mapa que representa toda a superfcie terrestre
  Crculo Polar rtico

Notas de rodap

 (1) Poder Executivo - Administra a vida pblica e executa as decises dos poderes Legislativo e Judicirio. No Brasil, o Poder Executivo  exercido por prefeitos, 
governadores e presidente da Repblica.
 (2) Poder Judicirio - Zela pelo cumprimento das leis de um pas.  exercido pelos juzes de Direito.
 (3) Poder Legislativo - Elabora e vota as leis de um pas, estado ou municpio. Os vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores exercem o Poder 
Legislativo.
 (4) rea urbana - rea ocupada por uma cidade.
 (5) Latitude - Indica a distncia (medida em graus) de um ponto da superfcie da Terra em relao ao Equador. Pode ser Sul ou Norte.
 (6) Longitude - Indica a distncia (medida em graus) de um ponto da superfcie da Terra em relao ao Meridiano de Greenwich. Pode ser Oeste ou Leste.

               oooooooooooo
35

Captulo 3

          A explorao do Universo

  As estrelas, o vento, a chuva, a neve, o trovo, o relmpago e a tempestade tm despertado o espanto e a curiosidade das sociedades humanas desde os tempos mais 
remotos. No  difcil entender o fascnio do homem pelo cu.

Atividade 1

          D "asas" a sua imaginao

Figura 1.

foto mostrando um quadro com imagens de uma casa  beira de um mar revolto. Atrs da casa aparecem algumas sombras; uma delas tem olhos e asas. A seguir, legenda
  Vento noturno, de Charles E. Burchfield.

  O artista que pintou o quadro da foto acima tentou mostrar o que ele sentiu, quando criana, numa noite de ventania. Observando o desenho, procure descrever no 
seu caderno o que ele sentiu.
  Voc j passou por alguma situao semelhante? Escreva outro texto, como se fosse uma carta para o artista, contando a sua experincia.
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  Para muitos povos antigos, esses fenmenos naturais eram manifestaes de foras divinas. Os deuses produziriam os ventos - quando assopravam - e os troves - 
quando conversavam entre si. Os relmpagos que cortavam o cu seriam as flechas das divindades. Os egpcios, por exemplo, acreditavam que o Sol era R, um deus todo-poderoso, 
capaz de fazer crescer os frutos da terra ou, ao contrrio, deixar o solo ressecado e devastado.
  Contudo nada provocou tanta curiosidade nos povos quanto as estrelas. Olhando para elas, eles descobriram outros astros no cu: os planetas, os meteoros, os cometas. 
Os povos do deserto, tais como o da foto (fig. 2), aprenderam a se guiar pelas estrelas nas suas viagens.

Figura 2. 

foto mostrando algumas pessoas e animais no deserto. A seguir, legenda
  Caravana de nmades no deserto iraniano. Os povos do deserto usam o cu como guia de viagem.

  Uma parte dessa histria est escrita nos mapas. A linha do Trpico de Capricrnio foi traada exatamente no trecho da superfcie terrestre em que, sobre a cabea 
de um observador, se encontra a constelao de Capricrnio. A mesma correspondncia  verificada entre a linha do Trpico de Cncer e a posio do observador que 
olha para a constelao de mesmo nome.
  Com o uso do telescpio, o homem tomou contato com aquilo que o seu olho nu no  capaz de enxergar. O telescpio ampliou a nossa capacidade de viso, possibilitando 
novas descobertas. Observe as fotos da figura 3. A infinita curiosidade humana passou a se dirigir a um mundo cada vez maior.

Figura 3. 

duas fotos: a primeira mostra pessoas utilizando um telescpio pequeno; a segunda, um homem usando um supertelescpio. A seguir, legenda
  Galileu Galilei (1564-1642) revolucionou a astronomia e desenvolveu instrumentos de observao muito superiores aos que existiam no seu tempo, como aquele que 
aparece na reproduo  esquerda. Os astrnomos da atualidade dispem de supertelescpios solares como o que existe no Observatrio dos Pirineus, na Frana ( direita).

37
Olhando para o cu

  O telescpio foi inventado em 1608. Antes de seu uso, os cientistas j conheciam e observavam, a olho nu, os planetas Mercrio, Vnus, Marte, Jpiter e Saturno.
  Vistos da Terra, os planetas so muito semelhantes s estrelas, porm possuem um brilho diferente. Mudando de posio todas as noites, esses astros parecem caminhar 
pelo cu. Da a origem do nome: planeta vem do grego plan, "aquele que vagueia".

Atividade 2

          Identificando Mercrio e Vnus no cu

  A observao dos astros no cu exige condies especiais que, muitas vezes, no so possveis devido s luzes da cidade. Contudo, alguns planetas do Sistema Solar 
so de fcil localizao.  o caso de Mercrio e
Vnus, que surgem no horizonte em dois momentos: na direo leste, pouco tempo antes de o Sol nascer, ou na direo oeste, logo aps o pr-do-sol. Esses dois planetas 
apresentam uma luz fixa, sem brilho. Experimente o seu poder de observao.

  O uso do telescpio permitiu a descoberta de outros satlites, alm da Lua. Satlites so astros que giram ao redor dos planetas. Em 1610, o astrnomo italiano 
Galileu Galilei descobriu quatro satlites em torno de Jpiter. Mais tarde, os cientistas verificaram que Saturno tambm possua satlites.
  Somente 173 anos aps a inveno do telescpio, os astrnomos identificaram um novo planeta. Durante todo esse tempo acreditou-se que Saturno (fig. 4) era o planeta 
mais distante do Sol. Afinal, se existisse algum outro planeta, por que ele no poderia ser visto como os demais?

Figura 4. 

foto mostrando o planeta Saturno. A seguir, legenda
  Saturno, fotografado pela sonda Voyager 2. Esse planeta leva quase trinta anos para dar uma volta completa em torno do Sol; por isso,  o ano dele dura 30 vezes 
mais do que o nosso.

38
  Essa descoberta aconteceu em 1781, graas aos estudos de William Herschel, um pesquisador alemo que morava na Inglaterra. Com um telescpio mais potente, ele 
pde identificar um planeta que aparecia como um minsculo ponto no cu, ofuscado pelo brilho das estrelas. Pela primeira vez, desde a Antiguidade, foi preciso dar 
nome a um planeta. Seguiu-se, ento, a tradio dos povos antigos de homenagear os deuses da mitologia greco-romana.
  O planeta imediatamente posterior a Marte  Jpiter, o pai de Marte, para os romanos. Depois de Jpiter vem Saturno, o av de Marte. Se depois de Saturno havia 
outro planeta, este deveria ser o bisav de Marte. Assim, o novo planeta descoberto recebeu o nome de Urano, o bisav de Marte na mitologia grega. Veja a figura 
5.

Figura 5. 

foto mostrando o planeta Urano. A seguir, legenda
  Urano, fotografado pela sonda Voyager 2. A combinao dos gases que existem em suas camadas exteriores faz com que sua imagem tenha essa cor azul-esverdeada. Embora 
no aparea na foto, as misses espaciais que chegaram mais prximas a Urano encontraram anis como os de Saturno.

  A partir de ento Urano foi intensamente observado pelos cientistas. Conseguiu-se traar, com bastante preciso, seus caminhos pelo cu e descobrir dois satlites 
ao seu redor: Titnia e Oberon.
  Seguindo a trajetria de Urano pelo espao, os astrnomos tiveram outra surpresa. Encontraram mais um planeta. Essa descoberta foi ainda mais difcil e levou cerca 
de sessenta anos, envolvendo muitos estudos, clculos matemticos e a construo de telescpios ainda mais potentes.
  Em 1846, os astrnomos Johann Galle e Heinrich D'arrest localizaram um planeta cujo brilho variava entre o verde e o azul, lembrando as cores do mar. Por esse 
motivo, o novo planeta foi batizado de Netuno, o deus do mar na mitologia. Veja a foto (fig. 6).

Figura 6. 

foto mostrando o planeta Netuno. A seguir, legenda
  Netuno, fotografado pela sonda Voyager 2, em 1989. A mancha que aparece na fotografia  resultado de um intenso movimento dos gases que existem em sua camada exterior. 
 o planeta do Sistema Solar onde ocorrem mais tempestades, com ventos que atingem mais de 2.400 quilmetros por hora.

  Os telescpios do mundo inteiro se voltaram para a nova vedete do espao. Como Jpiter, Saturno e Urano possuam satlites, imaginou-se que Netuno tambm os possusse. 
Dito e feito. O satlite de Netuno foi observado pela primeira vez em 1851. Mantendo-se a tradio de batizar os astros com os nomes da mitologia, esse satlite 
recebeu o nome de Trito, filho de Netuno.
39
  Pluto (fig. 7) foi o ltimo planeta descoberto pelos astrnomos, em maro de 1930. Uma equipe de pesquisadores coordenada pelo professor Percival Lowell, do Arizona 
(EUA), levou 23 anos para encontr-lo no espao.

Figura 7. 

foto mostrando o planeta Pluto e seu satlite Caronte. A seguir, legenda
  O planeta Pluto e seu satlite Caronte, fotografados pelo telescpio espacial Hubble. O Hubble, em rbita desde 1990, foi o primeiro telescpio a investigar o 
espao sem a interferncia da atmosfera terrestre.

O Sistema Solar

  O Sistema Solar (fig. 8)  o conjunto formado pelo Sol e seus nove planetas conhecidos:
40
Mercrio, Vnus, Terra, Marte, Jpiter, Saturno, Urano, Netuno, Pluto. O Sistema Solar apresenta tambm asterides, cometas e meteoros.

Figura 8. 

ilustrao do Sistema Solar, com seus nove planetas, cada um em sua rbita: Mercrio, Vnus, Terra, Marte, Jupiter, Saturno, Urano, Pluto e Netuno. A seguir, legenda
  Neste desenho, o Sistema Solar  representado como se estivesse sendo observado de um ponto atrs de Pluto.

  Os asterides ou planetides so fragmentos planetrios rochosos, pequenos corpos celestes que giram ao redor do Sol. A maior parte deles situa-se entre Marte 
e Jpiter, formando um cinturo.
  Os cometas tambm orbitam ao redor do Sol, mas realizam um percurso alongado, ora se afastando ora se aproximando do centro do Sistema Solar. Como so formados 
de pedaos de rochas e gelo, quando se aproximam do Sol comeam a liberar gases, formando longas caudas brilhantes. Veja a foto do famoso cometa Halley (fig. 9), 
que passa pela Terra com intervalos de 75 ou 76 anos.

Figura 9. 

foto mostrando o cometa Halley, fotografado pela Nasa, em 1986

  Os cientistas acreditam que os meteorides so resultado da poeira que os cometas deixam para trs no seu percurso pelo espao. Ao atingir a atmosfera terrestre, 
esse material se incendeia, riscando o cu. So os chamados meteoros ou estrelas cadentes (fig. 10). Grande parte dos meteoros sequer chega ao solo, desintegrando-se 
no ar; quando atingem a superfcie terrestre, recebem o nome de meteorito.

Figura 10. 

foto mostrando meteoro no cu estrelado, na Finlndia

  De todos esses astros do Sistema Solar, Pluto  o que desperta mais dvidas. Seria realmente um planeta?
  Pluto  muito pequeno. Para se ter uma idia, a Lua, satlite da Terra, tem quatro vezes mais volume do que esse "planeta". A situao se torna
41
ainda mais curiosa quando analisamos o tamanho de Pluto e a sua posio. Os planetas menores so os mais prximos do Sol (Mercrio, Vnus, Terra e Marte). Os chamados 
planetas exteriores (com rbitas exteriores  da Terra) tendem a ser gigantes, como  o caso de Jpiter, Saturno, Urano e Netuno.
  Geralmente os astros com menos de mil quilmetros de dimetro so considerados asterides. Esse limite foi estabelecido porque Ceres (o maior asteride) tem 940 
quilmetros de dimetro. Pluto tem um pouco mais do que o dobro desse tamanho. O debate entre os cientistas tem sido enorme por causa disso.
  Se continuarmos a considerar Pluto como um planeta,  possvel que, futuramente, tenhamos de aceitar que o Sistema Solar rene no nove, mas dezenas, talvez centenas 
de planetas, caso as observaes astronmicas localizem outros corpos parecidos com Pluto na mesma regio do espao.
  Alm disso, no podemos esquecer que o Sol  apenas uma pequenina estrela entre os 100 bilhes de estrelas que formam a nossa galxia, a Via Lctea (fig. 11), 
e que a nossa galxia est entre outros 100 bilhes de galxias que existem no universo. Mais dia, menos dia, novas informaes desses mundos longnquos podero 
alterar nossas idias a respeito do universo.

Figura 11. 

foto mostrando a Via Lctea. A seguir, legenda
  A Via Lctea  uma galxia em forma de espiral. O Sistema Solar est situado num dos braos da espiral.

  As dimenses do universo e as distncias astronmicas so assustadoras para quem est acostumado com os padres de medida mais usuais da Terra. Assim, criou-se 
uma medida de distncia astronmica para o estudo do universo: o ano-luz. A luz percorre 300 mil quilmetros por segundo, 26 bilhes de quilmetros por dia, 800 
bilhes de quilmetros por ms, 10 trilhes de quilmetros por ano!  a enormidade do universo que justifica o uso desse tipo de clculo.
  Um raio de luz necessita, por exemplo, de 100 mil anos-luz para atravessar a Via Lctea. Assim, so necessrios milhes de anos para que o raio de luz de uma estrela 
localizada em outra galxia chegue at ns. Por esse motivo, olhar para o cu estrelado  olhar para o passado! Afinal, como as luzes dessas estrelas levam milhes 
de anos para atravessar o universo e chegar at ns, uma noite estrelada aos olhos de um observador terrestre representa uma verdadeira escritura da poca em que 
a Terra estava em formao. O cu estrelado  uma espcie de mapa de um universo que no existe mais.

42
Satlites artificiais

  O que existe em comum entre a fotografia de um lbum de famlia, uma chapa de raios X e a imagem de uma regio da Terra obtida de um avio ou de um satlite artificial 
do espao?
  Todos esses materiais so registros de acontecimentos na forma de uma imagem. As imagens so reprodues de cenas do mundo que nos rodeia, efetuadas por sensores 
que captam a luz refletida pelos objetos. Enquanto a viso humana consegue perceber, no mximo, 32 nveis de iluminao, esses sensores podem ultrapassar em muito 
esse limite, revelando dados que o olho humano no  capaz de ver.
  O registro de informaes sobre nosso planeta ganhou enorme impulso com o lanamento ao espao de satlites artificiais, equipamentos que viajam dentro da rbita 
da Terra. Graas a eles, hoje dispomos de um extraordinrio volume de dados sobre oceanos, mares, continentes, rios, florestas, cidades, registrados em fitas magnticas 
ou em filmes fotogrficos. Essas imagens facilitam a localizao de reservas minerais (ferro, ouro, mangans), de colheitas agrcolas, de acidentes ecolgicos e 
fenmenos atmosfricos, como furaces e ciclones (fig. 12).

Figura 12. 

foto mostrando o Furaco Florence sobre o Oceano Atlntico, fotografado por satlites meteorolgicos dos Estados Unidos, em 1994

  O lanamento de satlites artificiais ao redor da Terra tambm permitiu um rpido desenvolvimento das telecomunicaes. Os recentes satlites movidos a energia 
solar so capazes de operar milhares de ligaes telefnicas e transmitir vrios programas de TV ao mesmo tempo. Graas a tais aperfeioamentos da comunicao, as 
informaes e imagens da superfcie terrestre so difundidas praticamente em todo o mundo, sendo utilizadas nos negcios e no entretenimento.
43
  Dos satlites que registram imagens da Terra, os mais importantes so os da famlia Landsat, lanados desde 1972. Veja a foto (fig. 13). Em vez de cmaras fotogrficas, 
os Landsat possuem sensores de espelhos que captam a luz refletida da superfcie terrestre, transformando-a em cdigos digitais (1) veja a pgina 113. Esses cdigos 
so convertidos em sinais de rdio e transmitidos para uma estao na Terra, sendo ento reconvertidos em imagens das florestas, superfcies ocenicas, reas urbanas. 
A rbita dos Landsat circunda a Terra entre os plos rtico e Antrtico; a cada dezesseis dias, eles passam pelo mesmo trecho da superfcie terrestre, captando possveis 
transformaes que tenham ocorrido. Veja o esquema da figura 14.

Figura 13. 

foto mostrando pessoas com roupas especiais, trabalhando na construo do Satlite Landsat 4. A seguir, legenda
  Satlite Landsat 4 em construo. Em rbita desde 1982, ele j enviou cerca de 1 milho de imagens da Terra.

Figura 14. 

esquema representativo da rbita geoestacionria e rbita polar. A seguir, legenda
  Os satlites geoestacionrios acompanham a rotao da Terra. So bastante empregados nas telecomunicaes. Os satlites de rbita polar fotografam toda a superfcie 
terrestre  medida que o planeta realiza o movimento de rotao.

  Os satlites de comunicao acompanham a rotao da Terra, localizando-se acima da linha do Equador (fig. 14). Assim, parece que eles esto fixos em relao ao 
solo. Os satlites de comunicao recebem e transmitem imagens por meio de grandes antenas parablicas instaladas em todo o mundo.
  Quando deixam de ser utilizados, esses satlites no voltam para a Terra, continuam em rbita, agravando o problema do "entulho csmico". Leia mais sobre esse 
assunto no quadro 1.

44
Quadro 1

          Entulho csmico

  [...] (2) A quantidade de detritos em rbita da Terra atingiu o limite e transformou o cu numa lixeira perigosa. Na faixa entre 250 a 1.000 quilmetros acima 
da superfcie, o equivalente  distncia entre Belo Horizonte e Juiz de Fora ou entre So Paulo e Braslia, j existem mais de 7 mil objetos [...] Alguns tm o tamanho 
de uma bola de beisebol. Outros, como a estao espacial russa Mir, so do tamanho de um edifcio de dez andares [...]
  A nuvem de sujeira [...] inclui satlites em funcionamento e outros j desativados, restos de foguetes, tanques de combustvel, parafusos e at luvas de astronautas. 
Muitos desses objetos viajam a mais de 3.200 quilmetros por hora [...] A essa velocidade, uma esfera de metal do tamanho de uma unha que se chocar contra um objeto 
maior libera energia equivalente  exploso de uma granada [...] Problema ainda maior  que o choque sucessivo desses objetos poderia resultar numa reao em cadeia. 
 como se milhares de automveis trafegando em alta velocidade numa auto-estrada comeassem a trombar uns com os outros [...] "H um consenso de que j chegamos 
ao ponto crtico ou estamos muito prximo dele", diz o cientista da Nasa responsvel pelo estudo sobre o assunto. (Revista Veja, 22 mar. 1995.)

Figura 15. 

ilustrao mostrando o problema do "entulho csmico". A seguir, legenda
  A ilustrao mostra a que distncia da superfcie terrestre esto alguns dos objetos em rbita: reatores nucleares soviticos (1,15); satlites artificiais de 
vrios tipos e pases (2, 3, 4, 5, 7, 8, 9, 10, 12, 18), incluindo o  SCD1 (6), primeiro satlite fabricado no Brasil; estao espacial russa Mir (11); telescpio 
Hubble (13, 14); nibus espacial norte-americano (16); cpsula espacial chinesa (17); e o Vanguard 1 (18), lanado pelos Estados Unidos em 1958, o mais antigo objeto 
em rbita.

Figura 16. 

contedo do grfico demonstrativo do nmero de objetos no espao, por pas
 Pases        N.o de peas
 -         -
 Rssia - 3.800
 Estados Unidos - 3.450
 Pases europeus - 180
  O grfico mostra que a maior parte do lixo em rbita pertence  Rssia e aos Estados Unidos.

 fim do quadro

45

Atividade 3

          Construindo uma escultura

  Faa uma escultura de arame amarrado e retorcido, que fique em p sozinha para representar o planeta Terra cercado por satlites artificiais.
  Material: arame; bola de isopor de 10 cm de dimetro; 4 bolas de isopor de 2 cm de dimetro; tintas de vrias cores; pregos longos e finos; alicate.
  Procedimento:

 a) Pinte a bola de isopor de 10 cm de dimetro, representando a superfcie do planeta Terra.
 b) Assinale com lpis os seus plos e transpasse um prego em cada um deles, determinando seu eixo imaginrio.
 c) Represente os satlites artificiais com as bolas de isopor de 2 cm. Pinte-as com cores variadas e espete alguns pregos de tal forma que eles fiquem de comprimentos 
diferentes, como se fossem antenas.
 d) Com o arame, monte uma base e um eixo de fixao da Terra e seus satlites, finalizando sua escultura.

  Organize com os colegas uma exposio de esculturas na sua escola.
  Alm de rastrear a superfcie terrestre ou tornar mais rpidas as comunicaes, os satlites artificiais podem atuar como observatrios de estrelas, cometas e 
galxias cada vez mais distantes. Nenhum observatrio astronmico terrestre, por mais potente que seja, possui as condies de visibilidade que esses satlites artificiais 
podem apresentar, livres das interferncias impostas pela atmosfera terrestre.
  Muitos dos satlites astronmicos existentes so resultado de programas desenvolvidos em conjunto. O International e o 
 Infrared, por exemplo, foram lanados por norte-americanos e europeus. O International foi lanado em 1978 e estuda o comportamento da poeira csmica. O Infrared, 
lanado em 1983, registra informaes da propagao dos raios solares infravermelhos, longe da interferncia da atmosfera terrestre.

Sondas espaciais

  Alm dos satlites artificiais, vrios pases tm lanado ao espao as sondas espaciais. Elas se diferenciam dos satlites artificiais por serem projetadas para 
viajar alm da rbita da Terra. Dentre os projetos de pesquisas espaciais que utilizam sondas, destacam-se os programas dos Estados Unidos, da Rssia e da Agncia 
Espacial Europia.
  A sonda espacial tem ampliado extraordinariamente a capacidade humana de explorao e compreenso do universo. Ela permite a coleta de materiais e informaes 
 distncia. Todos os planetas do Sistema Solar, com exceo de Pluto, j foram visitados por uma sonda espacial ou, pelo menos, fotografados por alguma delas.
  As sondas Voyager 1 e Voyager 2 fazem parte do programa norte-americano de pesquisa espacial. Elas realizaram uma extraordinria viagem pelo Sistema Solar, produzindo 
imagens de Jpiter, Saturno, Urano e Netuno.
46
  Jpiter mostrou uma atmosfera em constante movimento, com turbilhes de gases e tempestades. As imagens tambm revelaram que em Io (fig. 17), uma das luas conhecidas 
de Jpiter, ocorrem erupes vulcnicas como as existentes na Terra.

Figura 17. 

foto mostrando a erupo vulcnica em Io, satlite de Jupiter, fotografado pelo Voyager 1

  A Voyager 1 permitiu estudar mais de perto os anis de Saturno (fig. 18). Descobriu-se que esses anis so formados de rochas de gelo que giram constantemente 
ao redor do planeta. Essa sonda tambm revelou a existncia de anis em Jpiter, Urano e Netuno, o que era at ento desconhecido pelos cientistas.

Figura 18. 

foto mostrando os anis coloridos de Saturno. A seguir, legenda
  Anis de Saturno fotografados pela Voyager 1. Minsculos fragmentos cobertos de gelo giram em torno do planeta,  formando esses belos anis.

  Depois de percorrer todos esses planetas, Voyager 1 e 
 Voyager 2 deixaram o Sistema Solar em direo ao Sistema Alfa de Centauro, a estrela mais prxima do Sol. Caso as baterias nucleares que movimentam as duas sondas 
continuem a funcionar, elas precisaro de mais 20 mil anos para chegar ao seu destino.
47
  Programas de pesquisas espaciais desse tipo levaram ao desenvolvimento de novos materiais, capazes de suportar condies de temperatura e de presso diferentes 
das existentes na Terra.
  O desenvolvimento de tecnologias de supercomputadores e de sistemas automticos comandados a longas distncias tambm est associado a essas pesquisas.
  Muitas das tecnologias usadas nas indstrias foram desenvolvidas nos programas espaciais.  o caso, por exemplo, da utilizao de braos robticos na soldagem, 
pintura e montagem de carros nas fbricas. Veja a foto (fig. 19). Na medicina,  crescente o uso de equipamentos com sensores capazes de produzir imagens do interior 
do corpo humano (ultra-sonografia, tomografia computadorizada), semelhantes aos sensores eletrnicos existentes nos satlites artificiais. Observe a foto (fig. 20).

Figura 19. 

foto mostrando a linha de montagem da General Motors. O brao robtico desenvolvido para consertar satlites no espao foi adaptado para produzir automveis

Figura 20. 

foto mostrando o tomgrafo computadorizado para diagnsticos mdicos. A tecnologia desenvolvida no setor espacial  tambm utilizada para produzir imagens do interior 
do corpo humano

Atividade 4

          Teste de sobrevivncia no 
          espao

  Suponha que voc faa parte de uma equipe que est explorando a Lua. Para sobreviver, a equipe precisa chegar  nave-me, distante 30 quilmetros. Sua tarefa  
organizar os equipamentos que a tripulao utilizar 
nesse trajeto, ordenando-os do item mais importante ao menos importante. Compare a sua lista de prioridades com a dos colegas e procure elaborar, com a ajuda do 
professor, a lista final da turma. (Atividade baseada em Investigando a Terra, v. 2, p. 141.)

Lista de equipamentos
  caixa de fsforos;
  alimento concentrado;
  18 metros de corda de nylon;
  pra-quedas de seda;
  aquecedor porttil;
  2 pistolas calibre 45;
  1 caixa de leite em p;
  2 tanques com 45 kg de oxignio cada um;
  mapa estelar das constelaes da Lua;
  caixa de primeiros socorros com seringas de injeo;
  transmissor e receptor FM de funcionamento a energia solar;
  20 litros d'gua;
  bote salva-vidas;
  bssola;
  foguetes de sinalizao.

  As sondas espaciais que visitaram os outros planetas do Sistema Solar comprovaram que a posio da Terra em relao ao Sol  muito importante para a definio 
das condies ambientais e da existncia da vida no nosso planeta. Vejamos por qu.
  Mercrio  o planeta mais prximo do Sol. Ele  pequeno, muito quente e seco. Como no possui atmosfera para proteger sua superfcie,  bombardeado constantemente 
por meteoros, que provocam a formao de enormes crateras. Essas "cicatrizes" deixadas pelos meteoros esto sendo estudadas nas imagens geradas pela sonda espacial 
Mariner 10. Confira na foto (fig. 21).

Figura 21. 

foto mostrando as "cicatrizes" do planeta Mercrio. A seguir, legenda
  Mercrio, fotografado pela Mariner 10. Durante o dia, a temperatura na superfcie desse planeta chega a cerca de 
425C e,  noite, ela chega a atingir -180C. Trata-se da maior variao da temperatura entre os planetas do Sistema Solar.

49
  A sonda espacial Pioneer Venus 1 fotografou a superfcie de Vnus, o segundo planeta mais prximo do Sol. L, os russos pousaram dois veculos que, antes de serem 
desintegrados pelas altas temperaturas do planeta, enviaram preciosas informaes sobre a superfcie desse planeta. Verificou-se um ambiente encoberto por densas 
nuvens, troves e chuvas cidas.
  Nesse ambiente hostil, toda a gua encontra-se em estado gasoso, no existindo mares e rios. Antes da visita da sonda espacial, s podamos avistar daqui da Terra 
as espessas nuvens que cobrem o planeta. No entanto, ao pousar em Vnus, a sonda espacial Pioneer Venus 1 identificou uma superfcie formada por imensas cadeias 
montanhosas, como as existentes na Terra.
  J as sondas Viking 1 e Viking 2 visitaram Marte (fig. 22). Ao pousarem, detectaram a presena de gua e de xido de ferro (ferrugem), responsvel pela cor avermelhada 
do planeta. Devido  distncia que mantm do Sol, toda a gua existente em Marte encontra-se congelada.

Figura 22.

foto mostrando a superfcie de Marte. A seguir, legenda
  Marte, fotografado pela Viking 2. No por acaso, ele  conhecido como o "planeta vermelho".

  A partir dessas informaes, obtidas na explorao do universo, podemos concluir que a posio da Terra em relao ao Sol gera as condies de temperatura e de 
umidade do nosso planeta. Afinal, pelo que se conhece de Vnus, caso a Terra estivesse mais prxima do Sol, toda a sua gua estaria concentrada na atmosfera em estado 
gasoso. Considerando as condies de Mercrio, ento, sequer a existncia de atmosfera seria possvel.
  Por outro lado, caso a Terra estivesse mais distante do Sol, o que se conhece de Marte permite-nos afirmar que a gua existente se transformaria em eternas calotas 
de gelo.
  Mas isso  outra histria. As condies ambientais existentes na Terra sero tratadas a seguir, na prxima unidade.

Passando a limpo

  Organize em seu caderno um glossrio ilustrado com os 
seguintes termos:

 satlite natural - satlite artificial - sonda espacial - Sistema Solar - Via Lctea
galxia - ano-luz - planeta - asteride - cometa - estrela - meteoro - Lua

Notas de rodap

 (1) Cdigo digital - Forma pela qual os mapas e as fotografias so arquivados na memria do computador. Cada imagem  codificada, ou seja passa a corresponder a 
uma determinada seqncia de nmeros.
 (2) [...] - Indica supresso, ou seja, que uma parte do texto foi retirada.

UNIDADE II
        
          O espao geogrfico

o Observe a ilustrao abaixo:

ilustrao mostrando casas, lixo, vrios barcos, fumaa saindo de chamins, rios e mar com manchas de leo. A seguir, legenda
  Bloco-diagrama de um espao geogrfico.

 a) Quais so os ambientes existentes nessa localidade?
 b) Identifique exemplos de poluio e as atividades humanas que as geram.

51

 o Agora, observe as fotos seguintes:

 duas fotos, a primeira mostra um dromedrio no Deserto do Saara, na Arglia. A segunda foto mostra um urso-branco na regio rtica

  Compare os ambientes onde vivem esses seres vivos.

  Voc j deve ter observado na televiso, no cinema ou em revistas a enorme diversidade de ambientes existentes no planeta Terra. Nesta unidade do livro, veremos 
como os ambientes naturais so transformados em espaos geogrficos. No captulo "Ambiente natural e ambiente produzido", vamos estudar as diversas formas de relao 
que a sociedade estabelece com a natureza. A seguir, "A diversidade natural do planeta Terra" discute a dinmica dos elementos da natureza. O ltimo captulo, "Ambiente 
da cidade e ambiente do campo", apresenta ambientes produzidos pelo trabalho.

               oooooooooooo
52

Captulo 4

          Ambiente natural e ambiente 
          produzido

  Os ambientes naturais, como os desertos e as florestas, so resultado dos processos naturais que ocorrem no planeta (chuvas, terremotos, deslizamento de geleiras 
etc.). Os ambientes produzidos, como as cidades e as reas agrcolas, so resultado do trabalho, que modifica os ambientes naturais.
  Assim como os processos naturais modificam os ambientes produzidos - por exemplo, as chuvas que causam enchentes em cidades -, o trabalho interfere nos ambientes 
naturais.
  Um bom exemplo disso  o que acontece na Serra do Mar, no Estado de So Paulo. As encostas dessa serra esto recobertas por floresta tropical conhecida como Mata 
Atlntica. Na sua base, em Cubato, est localizado um importante plo petroqumico (1) veja a pgina 141 do Brasil. A indstria petroqumica  altamente poluidora.
  Os ventos midos que sopram do oceano empurram o ar poludo at a encosta da Serra do Mar. A serra impede a disperso desse ar mido e contaminado. Quando chove, 
o contato da gua com os elementos qumicos lanados pelas indstrias no ar, em especial o enxofre, gera a chamada chuva cida.
  Por ser uma rea onde chove muito, a acidez da chuva destri a cobertura vegetal da serra (fig. 1). Sem as plantas e suas razes, que ajudam a fixar o solo, as 
possibilidades de desmoronamento aumentam muito. Como as indstrias esto na base da serra, elas tambm podem ser afetadas com a queda do morro!
53
  Nesse caso, diminuir os nveis de poluio atmosfrica  uma maneira de preservar o patrimnio das empresas, assim como a sade de seus funcionrios e da populao 
da cidade.

Figura 1. 

foto mostrando a Serra do Mar quase sem cobertura vegetal e muitas rvores secas. A seguir, legenda
  Serra do Mar, no municpio de Cubato (SP), fotografada em 1988. Muitas rvores perderam as folhas por causa da poluio, e parecem "palitos" encravados no morro.

Vises da natureza

  Os grupos humanos buscam na natureza recursos para suprir suas necessidades, mas nem todos se relacionam da mesma forma com a natureza.
  Na nossa sociedade, utilizamos o conhecimento cientfico e tecnolgico para transformar a natureza.
  Esse conhecimento permite, at mesmo, cruzar genes (2) diferentes e produzir seres vivos que sequer existiam na natureza. O chester, por exemplo,  resultado do 
cruzamento gentico de diferentes aves, como do frango e do peru. Grande parte dos alimentos de origem vegetal que consumimos hoje em dia  resultante de sementes 
produzidas em laboratrios. Veja, agora, a foto do mais famoso feito da engenharia gentica (fig. 2).

Figura 2. 

foto mostrando a ovelha Dolly sendo fotografada por vrias pessoas. A seguir, legenda
  A ovelha Dolly atraiu a curiosidade do mundo inteiro, em 1997. Ela no tem pai nem me: foi produzida por cientistas que utilizaram o material gentico de uma 
outra ovelha. Tecnicamente, ela  um clone, ou seja, uma cpia.

  Tambm foram inventados os chamados novos materiais, como os inmeros tipos de polmeros (plsticos) que tm por base o petrleo ou as cermicas que resistem a 
elevadas temperaturas.
  O papel conferido  cincia e  tecnologia transforma a nossa sociedade em uma sociedade tecnolgica.
  Na sociedade tecnolgica, a viso de natureza que predomina  a utilitarista. Segundo essa viso, a natureza tem valor porque  til, ou seja, porque pode ser 
utilizada pela espcie humana. Em resumo, a natureza  entendida como um recurso natural, isto , dotada de algum valor econmico.
54
   claro que nem todos pensam assim. Muitos acreditam que a Terra funciona como um organismo vivo. Para estes, tudo o que existe no nosso planeta faz parte de um 
nico sistema de vida. Essa maneira de ver a natureza  conhecida como Teoria Gaia. De acordo com ela, no se mede o valor da natureza pelo seu potencial de uso. 
Mais do que um estoque de recursos naturais presentes ou futuros, a natureza  vida. Existem, ainda, outras vises da natureza que buscam a defesa do ambiente. Veja 
o quadro 1.

Quadro 1

          Os ambientalistas e as vises de natureza

  O desperdcio de energia e recursos naturais tem sido muito criticado, principalmente pelos ambientalistas. Tambm entre eles existem diferentes vises da natureza.
  Os ambientalistas mais radicais denunciam os estragos j produzidos no planeta, como a extino de muitas espcies vegetais e animais e a poluio do ar, dos rios 
e oceanos. Eles propem a total preservao da natureza, por isso, so chamados de preservacionistas.
  Outros grupos lutam por um modo de vida que respeite a dinmica da natureza. Conhecidos como conservacionistas, eles admitem a interveno humana no ambiente natural, 
porm lutam para que isso acontea num ritmo mais lento, permitindo a recuperao da natureza.
 fim do quadro

  As comunidades tradicionais, por exemplo, os povos indgenas, possuem uma viso de natureza mais prxima da Teoria Gaia do que da utilitarista. Essas comunidades 
no empregam a cincia como fonte do conhecimento sobre a natureza. Baseadas na tradio, repetem tcnicas bem-sucedidas ao longo de sculos e que foram transmitidas 
oralmente, de gerao para gerao. Embora tambm utilizem a natureza como fonte de recursos, as comunidades tradicionais provocam menos impactos ambientais (3) 
do que a sociedade tecnolgica, permitindo que os ambientes naturais se recomponham. Veja um exemplo na foto (fig. 3).

Figura 3. 

foto mostrando dois ndios de p no Rio Xingu, segurando lanas, e trs ndios em uma canoa. A seguir, legenda
  Pesca indgena no Rio Xingu, no Mato Grosso. Utilizando lanas, varas e pequenas canoas, eles pescam para obter alimentos para a tribo. O impacto ambiental  muito 
maior quando modernos barcos pesqueiros tiram grandes quantidades de peixe do rio para vender no mercado.

  A sociedade tecnolgica, por sua vez, produz necessidades num ritmo muito mais acelerado do que a capacidade da natureza de repor os recursos naturais. O lanamento 
constante de novidades envelhece rapidamente produtos que ainda apresentam boa condio de uso. Muitos deles so feitos para serem usados apenas uma vez, como  
o caso das fraldas e guardanapos descartveis. O consumo desenfreado leva  explorao intensiva dos recursos naturais, alm de gerar enorme quantidade de lixo (fig. 
4).

Figura 4. 

foto mostrando uma rea com enorme quantidade de lixo. A seguir, legenda
  Depsito de lixo em So Bernardo do Campo, no Estado de So Paulo. Na sociedade tecnolgica, a cultura do desperdcio gera uma imensa quantidade de detritos, agravando 
ainda mais o problema da poluio.

  Uma alternativa para enfrentar o desperdcio que caracteriza a sociedade tecnolgica  o desenvolvimento sustentvel, ou seja, a capacidade de produzir as necessidades 
do presente sem comprometer as geraes futuras. Dessa forma, planeja-se a utilizao de recursos naturais, levando em conta a possibilidade de recuperao do ambiente 
natural e evitando os desperdcios. Uma boa forma de fazer isso  reciclando os materiais (fig. 5). Por exemplo, em vez de derrubar rvores para transform-las em 
celulose e papel, pode-se produzir papel novo a partir de papel velho.

Figura 5. 

foto mostrando o smbolo da reciclagem

  Ao mesmo tempo que discute o desenvolvimento sustentvel, a sociedade tecnolgica tem se interessado pelas comunidades tradicionais, porque elas sabem, por exemplo, 
de que maneira algumas espcies de plantas desconhecidas podem ser usadas como alimento e remdio.
56
  Esse conhecimento  importante para a sociedade tecnolgica. Afinal, as pesquisas que levam  fabricao de novos remdios ou  produo de alimentos mais nutritivos 
so caras e demoradas.  muito mais fcil aprender com as comunidades tradicionais, aprimorando as suas tcnicas. Veja a foto da figura 6.

Figura 6. 

foto mostrando uma mulher loura, que observa uma ndia trabalhando. A seguir, legenda
  Jornalista norte-americana observa trabalho de ndia xavante, em aldeia do Mato Grosso. Em tudo o que os ndios fazem podem existir conhecimentos interessantes 
para a sociedade tecnolgica.

  Nem sempre a luta pela preservao da natureza e pela manuteno do modo de vida das comunidades tradicionais  desinteressada. Grandes empresas internacionais 
do setor farmacutico e alimentcio ganham muito dinheiro com esse tipo de conhecimento.

Atividade 1

          Tribunal de jri

  Identifique um problema ambiental em seu municpio. A classe deve ser dividida em quatro grupos. Um deles ser o causador do problema. Outro grupo montar a acusao. 
O terceiro grupo defender o acusado e apresentar alternativas para a resoluo do problema. O ltimo grupo far o julgamento.

A sociedade tecnolgica e os recursos naturais

  A natureza se torna recurso natural quando a sociedade se apropria dela para satisfazer suas necessidades. Algo que para ns  considerado recurso natural pode 
no ser para outro povo. Por exemplo, os esquims do Alasca (fig. 7) vivem sobre um subsolo rico em reservas de petrleo, mas o petrleo  pouco utilizado pelos 
esquims. J os povos indgenas da Amaznia combatem os mais diversos males do corpo com certas razes e folhas, que so desconhecidas pela nossa medicina.

Figura 7. 

foto mostrando um esquim construindo seu iglu no Alasca
  Esquim construindo seu iglu no Alasca. Os esquims habitam regies geladas do Alasca, da Groenlndia, do norte do Canad e da Rssia. Vivem da caa e da pesca 
de peixes, focas e morsas. Suas roupas so confeccionadas com a pele de animais adaptados ao frio, tais como o urso polar.

  O mineral urnio, por sua vez, s recentemente se tornou um importante recurso natural para a nossa sociedade. Com o domnio do ciclo atmico, no final da primeira 
metade do sculo XX, o urnio se transformou em uma matria-prima (4) estratgica (como fonte de energia) desejada pelas potncias nucleares para produzir armas 
de grande poder de destruio. Veja a foto de uma usina nuclear (fig. 8).

Figura 8. 

foto mostrando parte da Usina Nuclear de Three Miles 
 Island, no Estado da Pensilvnia, Estados Unidos.  O urnio tambm  usado para a produo de energia. O lixo que sobra desse processo - lixo atmico -  um material 
muito perigoso para ns. Por isso, ele  acondicionado em caixas bem resistentes e lanado no fundo do mar

  Os recursos naturais podem ser renovveis, quando  possvel reproduzi-los, e no-renovveis, quando so finitos. As plantas e os animais podem ser transformados 
em recursos naturais renovveis, enquanto os minerais so exemplos de recursos naturais no-renovveis. No Brasil, h veculos que utilizam combustvel renovvel 
(lcool, extrado da cana-de-acar), mas a maioria dos veculos utiliza combustvel no-renovvel (gasolina ou diesel, obtidos a partir do petrleo).

58

As reservas naturais da Terra

  Estima-se que o nosso planeta abrigue entre 8 e 12,5 milhes de espcies vegetais. Desse total, apenas 1,7 milho j foram reconhecidas e catalogadas. Portanto, 
mesmo na viso utilitarista, devastar qualquer ambiente natural sem que se tenha conhecido e estudado as espcies  significa, no mnimo, diminuir o estoque de recursos 
naturais que sero utilizados pelas prximas geraes.
  A criao de reservas naturais  uma tentativa de proteger os ambientes naturais que correm risco de destruio. Elas so chamadas unidades de conservao, pois 
visam manter a diversidade biolgica (5) e os processos naturais caractersticos dos ambientes selecionados.
  A escolha do ambiente natural a ser preservado leva em conta no apenas a quantidade de espcies que nele vive. Mesmo um ambiente desrtico deve ser preservado 
em uma reserva natural, uma vez que s ali vivem certos animais e plantas.
  Nas unidades de conservao, o acesso da populao e o uso dos recursos naturais so controlados. As limitaes variam conforme as caractersticas do ambiente 
protegido: em algumas reservas, permite-se a derrubada de parte da vegetao; em outras, qualquer interveno humana  proibida.
  Buscando proteger os mais diversos ambientes naturais em todo o planeta, a Unesco, Organizao das Naes Unidas para a Educao, Cincia e Cultura, criou as Reservas 
da Biosfera. So mais de 300 reservas distribudas por 82 pases. Nelas, parte do ambiente  isolada e mantida sem a presena humana. Em outras partes so realizadas 
experincias de uso de seus recursos naturais e avaliadas as conseqncias desse uso. Leia mais detalhes sobre essas reservas no quadro 2, na pgina ao lado.
  At mesmo em ambientes aquticos podem ser criadas reservas naturais. So as reservas marinhas, onde so proibidas as atividades extrativas, como a pesca ou a 
captura de moluscos. Nessas reservas tambm no  permitida a explorao de recursos naturais, como extrao de areia ou de petrleo. Observe na foto (fig. 10) uma 
reserva marinha no Brasil.

Figura 10. 

foto mostrando uma reserva marinha no Brasil. A seguir, legenda
  Atol das Rocas. Esse arquiplago, transformado em rea de preservao ambiental,  formado por material produzido pelos corais.

  No Brasil existem vrias modalidades de reservas naturais: reservas ecolgicas e biolgicas, estaes ecolgicas, parques nacionais (fig. 12) e reas de proteo 
ambiental. Elas esto distribudas por todo o territrio do pas e so reguladas pela legislao ambiental brasileira, uma das melhores do mundo.

Figura 12. 

foto mostrando uma reserva marinha no Brasil. A seguir, legenda
  Passagem conhecida como Arco do Triunfo, no Parque Nacional de Sete Cidades, no Piau, em foto de 1993.

59
Quadro 2

          As reservas da biosfera

  As Reservas da Biosfera possuem tamanhos que variam entre 2 e 500 mil km. Veja o mapa com a distribuio dessas reservas (fig. 11). Sua conservao representa 
proteo para mais de 90% das espcies vegetais no mundo. Elas buscam reverter o quadro de perda da diversidade
biolgica que atinge, por exemplo, as reas tropicais do planeta. Em alguns pases, mais de 70% dos ambientes naturais foram devastados.  o caso do Vietn, onde 
o desmatamento atingiu 80% das reas florestadas. Na Costa do Marfim e nas Filipinas, o ndice de devastao chegou a 79%.

Figura 11. 

mapa mostrando a distribuio das Reservas da Biosfera. A seguir, legenda
  Observe a concentrao de reservas nos Estados Unidos, na Europa e entre os trpicos de Cncer e Capricrnio.

 fim do quadro
 
  Nas reservas e estaes ecolgicas, o ambiente natural  mantido com suas caractersticas originais. Nelas, a interveno humana  proibida, a no ser para a realizao 
de pesquisas cientficas. Um exemplo  a Estao Ecolgica da Juria, no litoral sul de So Paulo. A diversidade de ambientes costeiros e a presena da Mata Atlntica 
ajudam a entender a importncia da Juria para os estudos ambientais. A estao, criada em meados dos anos 80, tem um abrigo para pesquisadores que estudam, entre 
outros temas, a vida de animais silvestres e dos moluscos.
60
  Nos parques nacionais e nas reas de proteo ambiental a legislao  mais flexvel. Nesses locais se permitem a construo de alojamentos, a instalao de equipamentos 
de lazer (6) e a entrada de visitantes. So comuns a cobrana de uma taxa de ingresso e a prtica do turismo ecolgico, no qual os turistas apreciam a beleza natural, 
fazem caminhadas e no levam para casa nada alm de fotos.

Atividade 2

          Um passeio ecolgico

  Com a ajuda do seu professor, organize grupos com colegas da classe. Cada grupo dever montar um painel com fotos e reportagens sobre uma das unidades de conservao 
do Brasil.  necessrio incluir nesse painel algumas informaes, tais como:

 a) Qual rgo pblico  responsvel pela unidade de conservao escolhida?
 b) O que  necessrio fazer para visit-la?
 c) Qual o tipo de fauna e de flora predominante?
 d) Existem pessoas morando no local? Em caso afirmativo, que atividade econmica elas praticam?

  No final, todos os painis devero ser expostos na classe.

Passando a limpo

  Leia atentamente o texto a seguir.  um trecho da carta escrita, em 1854, pelo chefe indgena Seattle ao presidente dos Estados Unidos, quando este props comprar 
as terras de sua tribo.

Carta do ndio americano

  Como  que se pode comprar ou vender o cu, o calor da terra? Essa idia nos parece estranha. [...]
  Somos parte da terra e ela faz parte de ns. As flores perfumadas so nossas irms; o cervo, o cavalo, a grande guia so nossos irmos. Os picos rochosos, os 
sulcos midos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem - todos pertencem  mesma famlia. [...]
  Os rios so nossos irmos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianas. Se lhes vendermos nossa terra, vocs devem lembrar e 
ensinar a seus filhos que os rios so nossos irmos, e seus tambm. E, portanto, vocs devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmo.
  Sabemos que o homem branco no compreende nossos costumes. Uma poro da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois  um forasteiro que 
vem  noite e extrai da terra aquilo de que necessita. [...] Trata sua me, a terra, e seu irmo, o cu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas 
como carneiros ou enfeites coloridos.

  Responda no seu caderno:

 1. Como o autor da carta enxerga a natureza? Qual a viso da natureza atribuda ao homem branco?
 2. Escreva uma pequena redao sobre o que a natureza significa para voc.

Notas de rodap

 (1) Plo petroqumico - Plo industrial que se forma em torno de refinarias de petrleo.
 (2) Gene - Material que se encontra nas clulas dos seres vivos, determinando suas caractersticas.
 (3) Impactos ambientais - Alteraes causadas no ambiente pela ao humana.
 (4) Matria-prima - Material que serve para a fabricao de um produto. A madeira, por exemplo, pode ser usada como matria-prima na fabricao de mveis.
 (5) Diversidade biolgica - Diversidade de espcies animais e vegetais.
 (6) Equipamentos de lazer - Lugares (parques, cinemas, teatros etc.) e coisas (gangorra, escorregador, pula-pula etc.) destinados ao lazer da populao.

               oooooooooooo
61

Captulo 5

          A diversidade natural do planeta Terra

  Imagine-se conversando com um jovem esquim, que pertena a uma comunidade isolada no extremo norte do Canad. Reveja a figura 7 do captulo 4 (p. 57 no livro 
em tinta). Imagine que ele e sua comunidade jamais tiveram notcia da existncia de qualquer ambiente natural diferente daquele que o cerca. Nunca viram uma praia 
ensolarada (nem em fotografia) ou uma floresta densa e verde (sequer pela televiso). No sabem o que seja um deserto ou uma cordilheira. Se voc lhe perguntar como 
so os ambientes naturais do mundo, ele certamente vai responder descrevendo a paisagem branca e fria na qual vive (fig. 1), imaginando que ela seja igual no mundo 
inteiro.

Figura 1. 

foto mostrando ces e esquims no norte do Canad

  Uma das grandes diferenas entre essa comunidade que descrevemos e a nossa sociedade  que, para ns, o mundo  muito mais vasto do que o lugar em que vivemos. 
Mesmo que no conheamos pessoalmente a Floresta Amaznica ou o Deserto do Saara, por exemplo, sabemos que eles existem. Em cada um desses lugares, a combinao 
dos elementos da natureza produziu um ambiente natural particular e distinto dos outros. Assim, vamos conhecer a dinmica prpria dos elementos que compem cada 
ambiente, como o clima, o relevo, a hidrografia e a vegetao. O resultado da combinao entre eles  a enorme diversidade natural que caracteriza o planeta Terra.

O tempo e o clima

  Todos os dias, quando nos preparamos para ir  escola, realizamos uma espcie de previso meteorolgica. Quando o dia est quente e o cu sem nuvens, samos de 
casa com roupas leves. Quando o cu est escuro e carregado de nuvens, nos preocupamos com capas, guarda-chuvas e, se vivemos em uma grande cidade, tambm com o 
trnsito, que sempre fica complicado nos dias chuvosos. Quando faz frio, entram em cena os agasalhos. Muitas vezes, erramos a nossa previso cotidiana e o calor, 
a chuva ou o frio nos pegam desprevenidos. Passamos o dia carregando casacos desnecessrios, molhados ou, ainda, tremendo de frio.
  Entretanto, o fato de fazer calor e chover um dia no lugar onde moramos no significa que o clima desse lugar seja quente e mido.
  Quando nos referimos s condies atmosfricas de um dia no estamos falando do clima, mas do tempo atmosfrico. Para saber qual o clima desse lugar,  preciso 
observar e registrar o tempo atmosfrico diariamente, durante muitos anos. Quando falamos que o clima na Amaznia  quente e mido, estamos nos referindo s condies 
atmosfricas que predominam na regio durante a maior parte do ano. Se em um determinado dia, por acaso, no chover, o tempo atmosfrico daquele dia no ser chuvoso, 
mas o clima da regio amaznica continuar sendo classificado como mido.

Os elementos do clima

  A distribuio do calor solar na superfcie da Terra  fundamental para a definio dos climas. Ela se relaciona diretamente com as diferentes temperaturas da 
Terra, e tambm com a presso atmosfrica e com a distribuio das chuvas.
  Presso atmosfrica  o peso que o ar exerce sobre a superfcie. Esse peso varia conforme a temperatura. O ar fica leve quando aquecido e fica pesado quando resfriado 
pela superfcie. Assim, existem zonas de baixa presso, nas quais o ar  mais leve e realiza um movimento ascensional (para cima), e zonas de alta presso, nas quais 
o ar  mais pesado e realiza um movimento descensional (para baixo).
  Belm, capital do Par, por exemplo, est situada em uma regio em que a presso atmosfrica  baixa. A garotada da cidade adora empinar pipa: como o ar  leve 
e est sempre subindo, os papagaios so impulsionados para bem alto! Veja a foto (fig. 2).

Figura 2. 

foto mostrando crianas empinando pipas nas proximidades de Belm, no Par. Na altura do Equador, a brincadeira  ainda mais divertida!

  Assim, devido s diferenas de presso, o ar atmosfrico no fica parado. Grandes massas de ar esto em permanente movimento. As que se formam nos oceanos ou em 
regies muito midas, por exemplo, levam chuvas para as regies que atravessam. O "passeio" das massas de ar ajuda a entender a distribuio das chuvas sobre a superfcie 
terrestre.

63

O calor do Sol e o calor na Terra

  Observe a figura 3. As duas fotos foram tiradas no Central Park, o maior e mais famoso parque pblico de Nova Iorque, na costa leste dos Estados Unidos.
  As fotos revelam a existncia de grande diferena entre as temperaturas no inverno e no vero, em um mesmo lugar. A diferena entre a maior e a menor temperatura 
registrada em um dia  chamada amplitude trmica diria. Do mesmo modo, a diferena entre as mdias das temperaturas mais quentes e mais frias, registradas ao longo 
do ms ou do ano, indica a amplitude trmica mensal ou anual.

Figura 3. 

duas fotos do Central Park, em Nova Iorque, nos Estados Unidos; na primeira foto o parque aparece encoberto pela neve, o cho  completamente branco, um homem esquia 
(ms de dezembro); a segunda foto mostra o mesmo parque com muito verde e muitas pessoas, algumas deitadas e outras sentadas na grama (ms de julho)

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  Os habitantes de Nova Iorque, assim como os turistas, sentem essas diferenas na pele. No inverno nova-iorquino,  muito difcil dormir ou trabalhar em um lugar 
sem aquecimento. Quando saem de manh para o trabalho ou para passear, as pessoas muitas vezes encontram as ruas e caladas cobertas de neve, o que dificulta as 
caminhadas e ajuda a tornar o trnsito ainda mais catico.
  No vero, o forte calor d outro colorido para a vida na cidade. As pessoas aproveitam para tomar sol em praas e parques pblicos, os shows ao ar livre tornam-se 
mais freqentes. Nos escritrios, empresas e restaurantes, as temperaturas amenas so 
produzidas artificialmente por poderosos condicionadores de ar.

Atividade 1

          Identificando a amplitude 
          trmica

  As fotos da figura 3 mostram a existncia de uma grande amplitude trmica anual na cidade de Nova Iorque. Porm, existe uma variao diria de temperatura.  possvel 
medir a amplitude trmica diria de qualquer lugar. Vamos tentar? Identifique a amplitude trmica de sua classe durante o perodo de aula.
  Material: 1 termmetro de parede
  Procedimento:

 a) Anote no caderno as temperaturas registradas no termmetro durante a primeira aula, o recreio e a ltima aula do dia.
 b) Analise as temperaturas observadas e calcule a amplitude trmica do perodo de aula: para isso, subtraia a temperatura mais baixa da temperatura mais alta.
 c) Procure explicar os resultados obtidos.

  A grande amplitude trmica anual que marca a vida nova-iorquina no ocorre em todas as regies do globo. Na cidade de Belm (fig. 4), no norte do Brasil, por exemplo, 
o calor  constante e a alternncia de estaes no tem reflexos na vida cotidiana dos moradores da cidade, como acontece em Nova Iorque.

Figura 4. 

foto mostrando pessoas em trajes de banho em uma escuna. A seguir, legenda
  Em Belm, no Par, faz calor o ano inteiro, com temperaturas mdias mensais acima de 24 graus.

65
  Essa diferena explica-se pela posio das duas cidades no planeta, j que o calor do Sol no atinge de forma igual a superfcie da Terra. Alm disso, a quantidade 
de radiao solar em cada ponto da superfcie varia de acordo com as estaes do ano.
  Devido  curvatura da Terra, a quantidade de calor recebida pela superfcie diminui do Equador na direo dos plos. Repare na ilustrao (fig. 5) como uma mesma 
quantidade de radiao solar se espalha por uma superfcie crescentemente maior, quanto maior for a latitude. Assim, Belm, situada prxima  linha do Equador, recebe 
anualmente uma quantidade maior de insolao do que Nova Iorque.

Figura 5.

          Insolao

esquema representativo. A seguir, legenda
  A insolao  a quantidade de calor (proveniente do Sol) que atinge o solo.

Atividade 2

          A insolao e a latitude

  Observe novamente a figura 5, que ilustra a insolao recebida por pontos de diferentes latitudes da superfcie curva de nosso planeta.
  Material: 2 folhas de papel; lanterna.
  Procedimento:

 a) Utilizando a lanterna, reproduza em uma folha de papel a iluminao que ocorre prximo  linha do Equador, ou seja, quando o feixe de luz incide perpendicularmente 
 superfcie. Faa um contorno da rea iluminada no papel.
 b) Na outra folha de papel, reproduza a iluminao que ocorre prximo aos crculos polares, ou seja, quando o feixe de luz incide de forma inclinada na superfcie. 
Faa tambm um contorno da rea iluminada no papel.
 c) Com base nos dois contornos registrados, procure explicar a distribuio desigual de calor pela superfcie terrestre. Escreva no caderno as suas concluses.

pea orientao ao professor

  Belm  uma cidade, ou seja, um ambiente produzido. A Floresta Equatorial que existe em seu entorno alimenta-se da grande quantidade de calor solar que a regio 
recebe.
  Nova Iorque tambm  um ambiente produzido. A floresta que existia no entorno da cidade j foi totalmente devastada, pois trata-se da regio mais urbanizada do 
mundo. Entretanto, quando os ingleses chegaram, a regio onde hoje se situa a cidade era recoberta por uma formao florestal muito diferente, conhecida por Floresta 
Temperada, adaptada a uma menor quantidade de calor solar e a grandes variaes trmicas anuais.
  A curvatura da Terra explica a diferena de aquecimento solar entre a latitude de Belm e a latitude de Nova Iorque. Porm no  suficiente para compreendermos 
a grande amplitude trmica anual registrada em Nova Iorque. Essa amplitude trmica anual est relacionada com a alternncia de
66
estaes do ano, que acontece devido ao movimento de translao (movimento da Terra em torno do Sol). Veja o esquema (fig. 6).

Figura 6. 

          As estaes do ano
      

esquema representativo. A seguir, legenda
  Ao longo do ano, o movimento de translao coloca a Terra numa posio diferente em relao ao Sol.

  O nosso planeta completa uma volta ao redor do Sol em um ano, mantendo, durante esse percurso, uma inclinao constante em relao ao seu prprio eixo. Isso produz 
os solstcios (quando ocorre a maior diferena de durao entre o dia e a noite) e os equincios (dias e noites de igual durao).
  No solstcio de vero do hemisfrio sul (21 de dezembro), os raios solares incidem perpendicularmente ao Trpico de Capricrnio. Assim, o hemisfrio norte est 
recebendo a menor quantidade de insolao. Nesta situao, quanto mais longe do Equador em direo ao Plo Norte, menores sero as temperaturas e mais curtos sero 
os dias.
  No solstcio de vero do hemisfrio norte (21 de junho), os raios solares incidem perpendicularmente ao Trpico de Cncer, e o hemisfrio sul vive sua estao 
mais fria. Assim, enquanto os nova-iorquinos se divertem tomando sol no Central Park e aproveitam seus dias mais longos, muitos turistas viajam para Bariloche, na 
Argentina, para esquiar na neve.
  Nos equincios de primavera e de outono, os raios solares incidem perpendicularmente  linha do Equador, e os dois hemisfrios recebem a mesma quantidade de luz 
solar.

Atividade 3

          Estudando as estaes do ano

  Material: bola de plstico; lanterna.
  Procedimento:

 a) Desenhe na bola a linha do Equador, separando o hemisfrio sul do hemisfrio norte. Desenhe tambm os trpicos de Cncer e de Capricrnio, os crculos polares 
rtico e Antrtico.
 b) Com a lanterna (o Sol), procure reproduzir a posio da Terra em relao ao Sol durante o solstcio de vero do hemisfrio sul.
 c) Repita esse procedimento para simular o solstcio de vero do hemisfrio norte.

67
  A curvatura da Terra e a sua inclinao em relao ao prprio eixo, alm do movimento de translao, definem as grandes zonas trmicas do planeta. Observe as ilustraes 
da figura 7.

Figura 7. 

ilustraes mostrando dois esquemas, A (eixo da Terra) e B (as grandes zonas trmicas). A seguir, legenda
  Devido  inclinao do eixo da Terra em relao ao plano da rbita terrestre (A), os trpicos esto situados na latitude 
23} 27} 30} (norte e sul), que delimita a grande zona trmica Intertropical (B).

  Pelo menos uma vez no ano, o Sol incide perpendicularmente na zona situada entre os trpicos. Por isso a Zona Intertropical apresenta as maiores mdias trmicas 
anuais e as menores amplitudes trmicas anuais - caso de Belm. Na Zona Temperada, as mdias trmicas so menores e as amplitudes trmicas anuais tendem a ser maiores 
- caso de Nova Iorque. Por fim, as Zonas Glaciais recebem to pouca insolao no inverno que as noites chegam a durar toda essa estao, ou seja,  sempre noite. 
No vero, ao contrrio, o Sol nunca se pe (fig. 8).

Figura 8. 

seqncia de 24 fotos mostrando a trajetria aparente do Sol. A seguir, legenda
  Trajetria aparente do Sol no norte da Noruega. Observe que foram tiradas 24 fotos em seqncia, uma em cada hora do dia, e o Sol jamais deixou de estar presente 
na linha do horizonte. Voc saberia dizer qual delas foi tirada  meia-noite e qual foi tirada ao meio-dia?

  Isso no significa que as temperaturas sejam iguais dentro de cada uma dessas zonas trmicas.
68
  Os lugares muito altos, por exemplo, tais como os picos montanhosos, apresentam baixas temperaturas mdias, mesmo se estiverem situados na Zona Intertropical. 
Veja a foto (fig. 9).  que os raios solares aquecem primeiro as superfcies, e estas transferem calor para o ar. Quanto maior a altitude, menos a atmosfera absorve 
esse calor.

Figura 9. 

foto mostrando uma rea com muito verde e alguns animais; ao longe, o topo de uma montanha coberto de neve. A seguir, legenda
  Monte Quilimanjaro, no Qunia. Mesmo situado em baixas latitudes, isto , prximo da linha do Equador, o topo dessa montanha est sempre coberto de neve.

  Tambm os oceanos podem influenciar as temperaturas. Eles se aquecem mais lentamente que os continentes, e demoram mais para esfriar. Assim, nas regies prximas 
ao litoral, o calor liberado pelos oceanos pode ajudar a manter as temperaturas mais amenas durante a estao fria. Na Zona Temperada, a amplitude trmica anual 
tende a ser menor em regies litorneas do que em regies interiores. Isso acontece principalmente no hemisfrio norte, onde existe uma quantidade maior de terras 
emersas.

A circulao geral da atmosfera

  Como vimos, a insolao diminui do Equador em direo aos plos. Nas proximidades da linha do Equador, o ar aquecido pela superfcie se torna mais leve e tende 
a subir, formando uma zona de baixa presso atmosfrica. Essa zona recebe ventos que sopram dos trpicos em baixas altitudes, os chamados ventos alseos. Veja o 
esquema que ilustra essa situao (fig. 10).

Figura 10. 

          Circulao geral da atmosfera

esquema representativo das direes dos ventos: alseos, ocidentais e polares. A seguir, legenda
  Representao simplificada da circulao geral da atmosfera e das zonas de alta e baixa presso.

  O ar ascendente do Equador, por sua vez, se resfria  medida que se eleva. Assim, ele se torna pesado ao se espalhar horizontalmente para o norte e para o sul 
e desce em direo  superfcie do planeta nas zonas de alta presso que se formam na altura dos trpicos. Os ventos que sopram do Equador para os trpicos so chamados 
ventos contra-alseos.
  Nas regies prximas  linha do Equador, o ar mido est permanentemente subindo e se resfriando. Isso provoca chuvas de conveco (fig. 11) o ano inteiro. Nas 
regies tropicais, as massas de ar j chegam relativamente secas. Isso ajuda a entender a existncia de grandes desertos em regies tropicais, como o Deserto do 
Saara, na frica, e o Deserto da Austrlia.

Figura 11. 

          Chuvas de conveco

esquema representativo. A seguir, legenda
  Nas regies quentes e midas, o ar mido prximo ao solo  aquecido e se eleva rapidamente. Se tais condies persistirem ao longo do dia, uma chuva rpida e violenta 
poder ocorrer no final da tarde. Ela ser uma chuva de conveco.

  Como vimos, os alseos so ventos que sopram dos trpicos para o Equador. Entretanto, parte das massas de ar formadas nas regies tropicais se dirige para as zonas 
temperadas, produzindo os ventos ocidentais. Na altura do paralelo 60 de ambos os hemisfrios, o ar vindo dos trpicos encontra o ar que sopra dos plos. O encontro 
de massas de ar com temperaturas diferentes provoca chuvas frontais constantes. Veja a ilustrao (fig. 12).

Figura 12.

          Chuvas frontais

esquema representativo. A seguir, legenda
  O encontro de uma massa de ar quente com uma massa de ar fria provoca chuvas frontais.

  Por sua vez, o ar frio e pesado das regies polares das altas latitudes  atrado para as zonas de menor presso das regies temperadas.
70
  Assim, a zona situada na altura do paralelo 60 recebe tanto os ventos quentes que sopram das zonas de alta presso tropicais quanto os ventos gelados que sopram 
das zonas de alta presso polares. Isso ajuda a entender um fenmeno que j estudamos: a elevada amplitude trmica anual que marca as zonas temperadas da Terra. 
Leia, no quadro 1, algumas informaes sobre outro tipo de vento: as brisas.

Quadro 1

          Ventos locais: as brisas

  A diferena de insolao entre as vrias zonas do planeta e sua repercusso na presso atmosfrica explicam a existncia dos ventos globais, que viajam por milhares 
de quilmetros. Entretanto, muitos deslocamentos de ar so produzidos por fatores locais e atingem reas bem menores.  o caso, por exemplo, das brisas marinhas 
e terrestres.
  As brisas ocorrem em regies costeiras. Os oceanos demoram mais para se aquecer e
se resfriam mais devagar do que os continentes. Durante o dia (das 10 horas da manh ao entardecer) forma-se uma zona de baixa presso sobre os continentes aquecidos, 
que atrai os ventos que sopram do oceano.  a hora da brisa martima. Durante a noite e nas primeiras horas da manh, porm, a zona de baixa presso se desloca do 
continente, que se resfria mais rapidamente, para o oceano.  a vez da brisa terrestre. Confira, abaixo, o esquema dessa dinmica.

Figura 13. 

esquema representativo do ar: sobe o ar quente (ascendente) e desce o ar resfriado (descente). A seguir, legenda
  Observe a mudana no sentido dos ventos devido  diferena de aquecimento.

 fim do quadro

As florestas e as zonas trmicas da Terra

  A diversidade entre as principais formaes florestais do planeta est relacionada com a distribuio das grandes zonas trmicas da Terra. Reveja a figura 7, na 
pgina 67 (no livro em tinta).
  As Florestas Equatoriais e Tropicais, como o prprio nome diz, aparecem nas reas de baixas latitudes, prximas ao Equador, ou seja, na Zona
71
Intertropical. Observe o mapa (fig. 14). Elas guardam um verdadeiro tesouro gentico, pois abrigam uma variedade quase infinita de espcies vegetais e animais. De 
todas as espcies j identificadas pelo homem, cerca de dois teros desenvolveram-se nessas florestas.

Figura 14. 

          As florestas do mundo

mapa mostrando a localizao das florestas: tropical e equatorial, temperada e subtropical por ltimo a floresta boreal. A seguir, legenda
  A Floresta Boreal apresenta a rea mais extensa de todas as formaes florestais do mundo. Nas florestas tropicais e equatoriais, h maior diversidade de seres 
vivos. Observe no mapa a localizao dessas florestas.

  Tamanha biodiversidade (diversidade biolgica) ajuda a entender o grande interesse de vrios pases do mundo por essa formao. Como o nmero de espcies  enorme 
e muitas delas so ainda desconhecidas, o desmatamento traz conseqncias irreversveis, pois  difcil recompor artificialmente a vegetao original.
  Alm disso, como vimos no captulo 4,  provvel que nas florestas midas - como a da foto ao lado (fig. 15) - existam plantas capazes de curar muitas de nossas 
doenas ou de tornar a nossa dieta alimentar mais rica e nutritiva. A nossa qualidade de vida e a das geraes futuras podem estar escondidas no meio da mata!

Figura 15. 

foto mostrando a Floresta Equatorial nas proximidades da ilha de Bli, na Indonsia. Quantos tesouros ainda se escondem na mata?

72
  Nas Zonas Temperadas desenvolveram-se a Floresta Boreal e a Floresta Temperada.
  A Floresta Boreal espalha-se pelas regies de altas latitudes, ou seja, regies prximas aos plos, onde faz muito frio. Trata-se de uma floresta com um pequeno 
nmero de espcies vegetais adaptadas s condies de baixa temperatura. Nesse tipo de floresta,  mais fcil reconstituir a vegetao original depois de um desmatamento. 
O desmatamento e o replantio das florestas boreais tm sido realizados constantemente, j que grande parte do papel e da celulose utilizados no mundo so produzidos 
a partir de sua madeira.
  Entretanto, para os animais que vivem na Floresta Boreal as coisas no se passam de maneira to simples. A vegetao pode ser recomposta mais rapidamente do que 
em uma Floresta Equatorial, mas  muito difcil recompor o ambiente original. Os bichos precisam das plantas para sobreviver, e o desmatamento destri (ainda que 
temporariamente) o seu hbitat (1) veja a pgina 177. Quando a floresta cresce de novo, o castor, o alce, o esquilo e o lobo praticamente desapareceram. No Canad, 
maior exportador de madeira e celulose do mundo, a legislao ambiental busca resolver esse problema com a delimitao de reservas florestais vedadas  explorao 
econmica. Veja na foto (fig. 16) um aspecto da floresta boreal canadense.

Figura 16. 

foto mostrando um veado em rea verde. A seguir, legenda
  Parque florestal nas proximidades de Ottawa (Canad). As reas de preservao so os refgios seguros dos animais silvestres, tal como o veado da foto.

  As Florestas Temperadas abrigam um nmero de espcies maior do que as Florestas Boreais, mas infinitamente menor do que as Florestas Equatoriais ou Tropicais. 
Nas Florestas Temperadas existe um nmero relativamente pequeno de espcies devido  grande amplitude trmica anual. Poucas plantas resistem a essas condies, pois 
as temperaturas variam muito durante o ano. Trata-se da formao florestal mais devastada no planeta, j que ela recobre vastas extenses da Amrica do Norte e da 
Europa, nas quais a natureza j foi intensamente modificada pelo homem. Veja na foto (fig. 17) um aspecto de uma floresta temperada europia.

Figura 17.

foto mostrando muitos pinheiros e o cho coberto de neve. A seguir, legenda
  Floresta de pinheiros na Inglaterra. Essa espcie  capaz de resistir s baixas temperaturas do inverno europeu.

73
Passando a limpo

  Observando o mapa (fig. 18) e os grficos (fig. 19):

Figura 18. 

          As florestas tropicais originais e as desmatadas

mapa mostrando a extenso das florestas tropicais em 1990 e florestas destrudas ou gravemente degradadas a partir de 1940. A seguir, legenda
  Observe que as florestas tropicais apresentam extensas reas na Amrica do Sul, na frica e no Sudeste Asitico. Na pennsula da Malsia e na Indonsia essas florestas 
esto praticamente destrudas.

Figura 19. 

          A biodiversidade das florestas tropicais

grfico demonstrativo. A seguir, descrio
 Plantas - 45%
 Artrpodes - 96%
 Aves - 30%
 Animais - 45%
  Legenda: A porcentagem das espcies que vivem em florestas tropicais est representada em grficos de setores (ou de "pizza", como so mais conhecidos). Observe, 
por exemplo, que quase a metade das plantas e dos animais existentes no planeta vive nas florestas tropicais.

 1. Descreva as caractersticas dos ambientes onde ocorrem as Florestas Tropicais, considerando os seguintes elementos: posio geogrfica; amplitude trmica anual; 
tipo e freqncia de chuvas; quantidade de espcies vegetais que abrigam.
 2. Escreva um texto sobre a importncia da Floresta Amaznica na preservao da biodiversidade do planeta Terra.        

Nota de rodap
 

 (1) Hbitat - Ambiente natural no qual uma espcie vive. As florestas equatoriais e tropicais, por exemplo, so o hbitat de centenas de milhares de animais, que 
dependem delas para obter abrigo e alimento.

               oooooooooooo
74

Captulo 6

          Ambiente da cidade e ambiente do campo

  Quem vive no corre-corre de uma grande cidade no se espanta com a enorme quantidade de pessoas que transitam pelas ruas ou com os milhares de arranha-cus que 
recortam a paisagem. A cidade  o ambiente das avenidas, dos viadutos, das indstrias, dos shopping centers, dos condomnios residenciais que avanam sobre as zonas 
agrcolas de seus arredores.  tambm o ambiente dos trens, dos caminhes e dos veculos de todos os tipos que circulam, produzindo barulho.
  Contudo, nada disso seria possvel se no existissem pessoas no campo, produzindo matria-prima para diversos tipos de indstria e alimentos para a populao que 
vive nas cidades. Em contraste com o ambiente da cidade, o campo apresenta-se com extensas reas de plantaes, entremeado por granjas, hortas e matas. As reas 
de criao de gado tambm compem os ambientes do campo.

Atividade 1

          Um outro olhar

  O pintor holands Vincent van Gogh acreditava que "os verdadeiros artistas pintam as coisas no como so, mas como eles as sentem". Observe as reprodues abaixo 
e procure descrever os sentimentos que o ambiente do campo e o ambiente da cidade despertaram nesses pintores.

Figura 1. 

reproduo mostrando um agricultor caminhando em uma plantao de trigo; ao longe, montanhas, no alto o sol e o cu com mistura das cores verde e azul. A seguir, 
legenda
  Campo de trigo, com ceifeiro ao nascer do sol (1889), de Vincent van Gogh.

Figura 2.  

reproduo mostrando um emaranhado de figuras com cores variadas e tons fortes; duas figuras cinzas com forma de homem, descem uma escada. A seguir, legenda
  A cidade (1919), do artista francs Fernand Lger.

75
  Nenhuma outra atividade provocou tanto impacto no ambiente - seja o da cidade, seja o do campo - como a indstria.
  Desde o incio da era industrial, no sculo XVIII, os trabalhadores foram atrados pelas oportunidades de emprego nas cidades, que cresceram sob o apito das fbricas 
e das locomotivas movidas pela mquina a vapor.
  As fbricas transformaram inmeras cidades em grandes centros industriais. Londres, por exemplo, tornou-se a primeira cidade europia com mais de 1 milho de habitantes 
nas primeiras dcadas do sculo XIX. Em 1900, vrias outras atingiram esse nmero.
  A inexistncia de meios de transporte adequados obrigava os operrios a morarem perto das fbricas e a irem a p para o trabalho. Ainda em 1899, em Nova Iorque, 
a distncia mdia entre a moradia e o local de trabalho era cerca de dois quarteires. Os centros das cidades eram extremamente povoados, reunindo muitos cortios 
(1) veja a pgina 212.
  Com a popularizao do transporte ferrovirio, os trabalhadores das fbricas foram morar em locais distantes do centro - os subrbios -, alterando profundamente 
o ambiente do campo ao redor da cidade. No lugar dos veculos movidos a trao animal, foram introduzidos os bondes eltricos, os nibus e os automveis, acelerando 
ainda mais esse processo. O resultado foi a expanso da cidade. No final do sculo XIX, mais da metade dos habitantes de Chicago morava a menos de 5 quilmetros 
do centro da cidade. Atualmente, os trabalhadores dessa cidade percorrem, em mdia, 20 quilmetros at o local de trabalho.
  A indstria alterou a aparncia das cidades. Todos os centros industriais passaram a possuir escritrios, cortios e subrbios, independentemente das diferenas 
culturais dos diversos pases. O ingls Peter Fleming, em viagem pelo Brasil no ano de 1933, brincou com essa tendncia quando disse: "So Paulo  como 
 Reading (na Inglaterra), s que muito mais longe".
  Alm disso, a ferrovia alterou o ritmo de vida das cidades distantes dos centros industriais, pois elas tiveram de se adaptar ao ritmo das mquinas das fbricas, 
que consumiam mais e mais matria-prima. O desenvolvimento do transporte de carga a longas distncias ampliou as possibilidades de comrcio com outras cidades e 
garantiu o abastecimento com alimentos produzidos nos mais diversos lugares. Veja a foto (fig. 3).

Figura 3. 

foto mostrando trem rpido de carga cruzando rodovia francesa

76
  A atividade industrial provocou grande impacto no ambiente do campo.
  O uso de tratores, colheitadeiras mecnicas, inseticidas e fertilizantes produzidos nas fbricas da cidade resultou no aumento da produo do campo. O aumento 
da produo, por sua vez, gerou a organizao de silos e frigorficos na beira das estradas, introduzindo no campo tcnicas de armazenagem desenvolvidas nas indstrias, 
como aparece na foto (fig. 4).

Figura 4.  

foto mostrando armazm de cereais na provncia de Saskatchewan, no Canad. A agricultura no ritmo da indstria

  No caso das empresas que obtm seus maiores lucros da produo agrcola, as fbricas so instaladas diretamente no campo. A produo da laranja no Brasil ou nos 
Estados Unidos, por exemplo,  controlada por poderosos grupos empresariais que transformam, ainda no campo, a polpa dessa fruta em suco e o comercializam para vrios 
pases do mundo. Cada vez mais, os ambientes do campo passam a depender dos ambientes da cidade.
  Os produtores rurais realizam seus negcios na cidade.  na cidade que eles registram, em cartrios, as escrituras de suas terras e buscam servios oferecidos 
por bancos, hospitais e centros mdicos. Veja a foto (fig. 5).
  Muitos trabalhadores do campo moram na cidade e, na poca de colheita ou plantio, deslocam-se diariamente para as fazendas em busca de trabalho (fig. 6). Diversos 
especialistas (veterinrios, agrnomos, engenheiros florestais) e vendedores de produtos industriais podem viver nas cidades mas trabalham no campo.

Figura 5. 

foto mostrando uma colheitadeira de milho e dois homens, um deles segura um instrumento de comunicao. A seguir, legenda
  Colheita de milho em fazenda norte-americana. Modernos instrumentos de comunicao conectam o mundo rural com o mundo urbano-industrial.

Figura 6. 

foto mostrando um caminho em uma rea verde, homens sobem na carroceria. A seguir, legenda
  Caminho levando trabalhadores da cidade para as fazendas em Itaber, So Paulo. Eles so trabalhadores rurais, mas fazem parte da populao urbana.

Atividade 2

          O crescimento da cidade

  Uma maneira rpida de determinar os antigos limites de sua cidade consiste em observar a localizao dos cemitrios. Os cemitrios localizavam-se na periferia 
das cidades. A existncia de um cemitrio dentro da cidade quase sempre indica os limites da rea urbana no passado. Procure verificar se isso ocorreu em sua cidade. 
Busque informaes com pessoas mais velhas a respeito de ambientes da cidade (loteamentos, praas, avenidas) que j foram, no passado, ocupados por ambientes do 
campo. Se possvel, obtenha alguma fotografia antiga.
  Discuta, em sala de aula, o resultado desse trabalho com o seu professor e colegas.

Viver na cidade

  Atualmente, os habitantes das cidades representam cerca de metade da populao mundial. At 2025, todos os continentes tero mais de 60% de sua populao morando 
em cidades. Em 1994, Cidade do Mxico, So Paulo, Tquio e Nova Iorque j apresentavam mais de 15 milhes de habitantes cada uma! Veja o mapa (fig. 7).

Figura 7. 

          As maiores metrpoles do mundo

mapa mostrando a rea metropolitana (em milhares de habitantes). A seguir, descrio
 o De 7,5 a 10: Chicago, Paris, Moscou, Pequim, Tientsin, Seul, Osaka, Manila, Bangcoc, Jacarta
 o De 10 a 15: Los Angeles, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Cairo, Caucut, Mumbai, Xangai
 o Mais de 15: Nova Iorque, Cidade do Mxico, So Paulo, Tquio
  Legenda: As maiores cidades do mundo distribuem-se por todos os continentes. Note, porm, que elas esto mais concentradas na sia.

  O crescimento da populao das cidades num ritmo mais rpido do que o crescimento da populao do campo  denominado urbanizao. A urbanizao representa uma 
profunda mudana no modo de vida das pessoas.
78
  No incio da era industrial, em geral os trabalhadores da cidade viviam menos do que os trabalhadores do campo. Devido s precrias condies das moradias - observe 
a foto (fig. 8) - e  falta de saneamento bsico (rede de esgoto e abastecimento de gua), os riscos de doenas eram enormes. Tifo (propagado por pulgas e percevejos), 
tuberculose, difteria, varola e clera eram algumas das doenas que dizimavam a populao.

Figura 8. 

foto mostrando algumas pessoas em um cortio. A seguir, legenda
  Cortio em Glasgow, cidade industrial inglesa. Em 1868, ano em que essa foto foi tirada, metade das crianas que nasciam na cidade morria antes de completar 10 
anos de idade.

  A implantao da rede de esgoto em Londres foi um marco na transformao dessas precrias condies de vida nas cidades. Durante cerca de quinze anos, entre 1860 
e 1875, foram construdos aproximadamente 130 quilmetros de esgotos, numa rea de 300 km no centro da capital inglesa. Os resultados foram impressionantes. A populao 
da cidade comeou a crescer, devido  chegada dos trabalhadores do campo, e graas  diminuio das mortes por doenas.
  Iluminao pblica e rede de servios de sade, por exemplo, passaram a se tornar itens bsicos do ambiente da cidade. Em muitas cidades grandes foram construdas 
galerias de metr, em que trens velozes transportavam verdadeiras multides. Veja a foto (fig. 9).

Figura 9. 

foto mostrando dois funcionrios do metr empurrando as pessoas para dentro do trem. A seguir, legenda
  O metr de Tquio, capital do Japo, fica to cheio nos horrios de pico que so necessrios funcionrios para empurrar as pessoas para dentro dos trens.

  Nos subterrneos das cidades foram construdos labirintos de cabos e tubos para satisfazer as necessidades e expectativas da vida urbana. Veja a planta do metr 
de Paris (fig. 10). Como todas essas tubulaes e galerias raramente so visveis,  difcil imaginar a sua complexidade e funcionamento. Mas basta uma greve no 
metr ou a ruptura das tubulaes de gua para sentirmos quanto a cidade depende dessas obras subterrneas.

Figura 10. 

desenho mostrando a planta do metr de Paris. A seguir, descrio
 o Estao inicial/terminal de linha
 o Estao intermediria 
 o Baldeao
  Legenda: Em Paris,  possvel ir de um ponto a outro por diferentes caminhos subterrneos. Para chegar  estao Opra, partindo de Mairie d'Issy, por exemplo, 
podem-se escolher vrios trajetos, como o destacado na figura. Tente encontrar outras opes.

Verde que te quero verde

  Em nenhum outro ambiente a natureza foi to transformada pelo trabalho humano como na cidade.
  A expanso da rea edificada e o desenvolvimento da atividade industrial provocaram alteraes em todos os aspectos do ambiente: no relevo, na vegetao, na fauna, 
na hidrografia e no clima.
  As cidades so edificadas sobre diversos tipos de terreno. O terreno onde se assenta uma cidade  chamado de stio urbano. Existem cidades construdas
80
em ambientes litorneos, perto de praias e mangues (2). Outras foram construdas em regies de relevo acidentado e, por isso, so cheias de ladeiras. Outras, ainda, 
ocupam as margens de um rio.

foto mostrando manguezal em Natal, capital do Rio Grande do Norte

  O aperfeioamento do ao e do concreto armado ampliou enormemente as condies tcnicas para a construo de cidades em qualquer tipo de stio urbano. Enormes 
obras arquitetnicas, como pontes e avenidas marginais, recortam os solos banhados pelos grandes rios. Pequenos riachos so canalizados e seus leitos se transformam 
em reas de circulao de automveis.
  Quanto mais essas construes avanam, maiores so os impactos produzidos no ambiente das cidades.
  Uma primeira grande alterao se relaciona com o ciclo das guas. Quando chove, a gua no penetra no solo, pois ele est coberto por concreto e cimento, ou seja, 
 impermevel. Por esse motivo as galerias pluviais so muito importantes. Elas captam a gua das chuvas atravs dos bueiros existentes nas ruas. Quando eles no 
conseguem dar conta do recado, podem ocorrer grandes enchentes!
  Nas reas de maior concentrao de edificaes, as temperaturas tornam-se mais elevadas, porque o asfalto e o concreto refletem o calor solar. No  difcil perceber 
esse fenmeno: basta pisar descalo no asfalto em um dia quente de vero! O calor das cidades pode agravar ainda mais o problema das enchentes: devido ao maior aquecimento 
do ar, as chuvas tendem a ser mais fortes nas reas urbanizadas do que nas regies agrcolas que as cercam.
  A emisso de gases poluentes pelas indstrias e pelos veculos movidos por combustveis fsseis tambm provoca alteraes ambientais. Esses gases contribuem para 
a elevao da temperatura e podem causar problemas de sade, como irritao nos olhos e bronquite.
  A grande quantidade de edificaes e a concentrao de gases poluentes produzem um fenmeno climtico tipicamente urbano: a ilha de calor. Veja o esquema que ilustra 
esse fenmeno (fig. 11). Mesmo no interior de uma cidade
81
existem variaes de temperatura, dependendo da disposio das reas verdes, da localizao das indstrias e dos pontos de maior circulao de veculos.

Figura 11. 

          Ilha de Calor

esquema representativo. A seguir, legenda
  Nas cidades, as temperaturas tendem a ser mais altas nas regies centrais, que funcionam como uma "ilha de calor". So vrios os fatores que produzem essa "ilha 
de calor": reflexo do calor solar pelas construes, como prdios, casas, avenidas, viadutos etc. (A); lanamento de gases por indstrias e automveis (B); diminuio 
da circulao do ar, barrada pelos prdios (C).

  A emisso de poluentes provoca tambm um outro efeito climtico conhecido como smog. Em dias sem nuvens, a grande quantidade de partculas suspensas no ar torna 
o cu da cidade permanentemente acinzentado.  como se a cidade estivesse envolvida em um vu de poluentes (fig. 12).

Figura 12. 

foto mostrando um cu avermelhado. A seguir, legenda
  Vista area de Tquio. No final da tarde, o reflexo do sol sobre a sujeira em suspenso produz essa tonalidade avermelhada no cu cinzento.

  Devido s condies ambientais da cidade, a existncia de reas verdes e de rvores ao longo das vias  uma necessidade. Parques e praas pblicas garantem uma 
cobertura vegetal ou preservam matas existentes, impedindo a impermeabilizao do solo.
  Alm disso, as reas verdes so importantes para o lazer, como mostra a foto (fig. 13). So espaos abertos no interior da cidade para a instalao de coretos 
para bandas, teatros ao ar livre, jardins botnicos e zoolgicos. Sua existncia nas cidades  to necessria para a qualidade de vida quanto a limpeza das ruas 
e o tratamento dos esgotos.

Figura 13. 

foto mostrando pessoas tomando sol em uma rea verde. A seguir, legenda
  Parque Bois de Boulogne, em Paris, capital francesa. No vero, os parisienses aproveitam para tomar sol, como se estivessem em uma praia.

Arar, plantar, colher

  As terras agrcolas ocupam cerca de 12% da superfcie terrestre, espalhando-se por todos os continentes. Como cada cultivo exige um tipo de prtica agrcola e 
depende das condies climticas e do solo, a diversidade de ambientes  enorme.
  A expanso da agricultura mecanizada, principalmente nos pases mais ricos, gerou profundas modificaes no campo. Por meio do uso da cincia e de tecnologia, 
a produo agrcola foi submetida ao ritmo do relgio da fbrica e da necessidade de consumo na cidade. Leia o quadro 1.

82
Quadro 1

          Fruto da terra ou do trabalho humano?

  As plantas obtidas por meio do cultivo - colhidas e semeadas ano aps ano - tendem a reagir atravs de alteraes genticas, ou seja, transformaes nas caractersticas 
das espcies que so transmitidas para as geraes futuras.
  Em geral, as sementes de plantas silvestres alojam-se em caroos que se rompem facilmente, o que estimula a propagao  menor brisa. Os espcimes preferidos como 
alimento humano sempre foram os de caroo mais duro, com maiores chances de reter as sementes at que elas sejam semeadas pelo agricultor. Passadas inmeras geraes, 
o caroo resistente tornou-se a caracterstica padro de plantas sob a sua forma cultivada, de modo que estas ficaram totalmente domesticadas e incapazes
de liberar suas prprias sementes sem a ao do agricultor.
  Da mesma maneira, quando os agricultores passaram a selecionar as sementes para o plantio anual, escolheram as sementes dos espcimes maiores. Com o tempo, o tamanho 
mdio aumentou e a planta cultivada assumiu uma forma diferente. O milho, por exemplo, origina-se de uma gramnea nativa chamada teosinto, que media menos de 5 centmetros. 
Hoje, uma espiga de milho chega a mais de 20 centmetros.
  Com a intensificao do comrcio internacional, as plantas cultivadas foram espalhadas por todos os continentes, deixando de se localizar apenas nos pontos em 
que eram encontradas na forma nativa. Veja no mapa (fig. 14) o local de origem das principais culturas agrcolas do mundo.

Figura 14. 

mapa mostrando rea de origem das principais culturas agrcolas: abacaxi, algodo, amendoim, arroz, aveia, banana, batata, cana-de-acar, cebola, cevada, ch, feijo, 
laranja, limo, ma, mandioca, milho, pra, soja, tomate e trigo. A seguir, legenda
  As culturas agrcolas originaram-se nas reas onde viveram povos como os maias e os incas, na Amrica, os sumrios, na Mesopotmia, os chineses, na sia.

 fim do quadro

  Cada vez mais, a diversidade de ambientes do campo vem cedendo lugar para imensas reas de monocultura (3). Nessas reas  comum o uso de adubos qumicos e agrotxicos 
(venenos que so utilizados para matar as pragas). Uma das conseqncias  a contaminao dos alimentos e da gua dos rios pelos pesticidas. Veja a foto (fig. 15).

Figura 15. 

foto mostrando um avio pulverizando uma grande rea verde. A seguir, legenda
  Pulverizao com pesticidas em fazenda de algodo de Ituverava, no Estado de So Paulo. Parte dos produtos qumicos penetra nos solos e pode contaminar a gua 
depositada no subsolo.

  Outro efeito devastador  a desertificao, ou seja, o aumento das reas desrticas na Terra. Veja o mapa da figura 16. A desertificao geralmente  provocada 
pelo uso intensivo das reas prximas aos desertos, tanto para o cultivo quanto para a pecuria, mas ela tambm pode ocorrer quando a agricultura se expande sobre 
reas originalmente florestadas.

Figura 16. 

mapa mostrando reas desrticas e reas sujeitas  desertificao: Califrnia, Atacama, Patagnia, Saara, Kalahari, Somlia, Arbia, Ir, Turcomenisto, Thar, Gobi 
e Australiano. A seguir, legenda
  O Deserto do Saara, na frica,  o maior do mundo.

84
  A agricultura mecanizada  responsvel por grandes transformaes no ambiente do campo e pela maior parte da produo agrcola comercializada no mundo. Porm existem 
prticas agrcolas que respeitam mais o ritmo da natureza.
   o que ocorre, por exemplo, em algumas regies da Amrica do Sul e da sia Central, onde vrias comunidades tradicionais praticam o cultivo de cereais associado 
a pastos e florestas. O profundo conhecimento do solo e do clima permitiu que essas comunidades criassem sistemas altamente eficientes de irrigao (4) e formas 
de cultivo em terraos, que retm a gua das chuvas nas encostas e evitam a eroso (5). Observe uma foto que ilustra esse sistema de cultivo (fig. 17). Essas comunidades 
tradicionais sabem, ainda, estabelecer um calendrio para assegurar as colheitas no tempo certo e conservar os alimentos, compensando os perodos de inverno que 
impedem o cultivo.

Figura 17. 

foto mostrando uma montanha cortada em degraus que  usada para agricultura. A seguir, legenda
  Campo de cultivo nas proximidades de Katmandu, capital do Nepal. Observe que a montanha foi cortada em degraus de forma a produzir superfcies planas (terraos), 
nas quais se pratica a agricultura.

  Na Cordilheira dos Andes, na Amrica do Sul, comunidades tradicionais utilizam o adubo produzido pelo rebanho de lhamas (6) para fertilizar o solo das plantaes 
de milho, batata, fava e quinoa (trigo-sarraceno). Essa prtica agrcola  importante porque o terreno da regio  muito inclinado e no oferece condies para a 
reposio dos nutrientes (7) do solo. O lado das montanhas exposto ao Sol  povoado e cultivado. No lado que permanece a maior parte do tempo na sombra, preserva-se 
a cobertura florestal.
  Os chineses e alguns povos do Sudeste Asitico (8) recorreram a mtodos prprios para garantir a produo de arroz nas margens do Rio Azul, regio caracterizada 
por temperaturas elevadas e grande volume de chuvas (fig. 18).

85
Figura 18. 

foto mostrando agricultores em campos de arroz. A seguir, legenda
  Campos de arroz nas margens do Rio Azul, na China. As tcnicas de cultivo de arroz passam de pai para filho h incontveis geraes.

  Ali, os diques (9) construdos pelos agricultores controlam e direcionam imensos volumes d'gua. Tambm  graas aos agricultores que todo o processo de cultivo 
 realizado. No h mquinas que substituam as tarefas de semear em canteiros preparados, transplantar as sementes para os arrozais, arrancar as ervas daninhas e, 
sobretudo, controlar a inundao dos campos para a manuteno das plantas que precisam manter suas folhas acima das guas que vo subindo. Sem necessidade de fertilizantes 
artificiais, tal sistema no s acelera o crescimento do arroz como tem garantido, h sculos, a produo de duas ou trs colheitas por ano, num nico terreno.

Expandindo o ambiente do campo

  O uso de novas tecnologias na agricultura tem permitido a expanso das fronteiras para essa atividade.
  O sistema de produo adotado em Israel  um bom exemplo. Veja a foto (fig. 19). O trabalho de rabes e judeus ampliou os horizontes do campo para dentro do deserto. 
A grande produtividade da agricultura no
deserto  alcanada com o uso equilibrado da gua, emprego de estufas, irrigao subterrnea e modernos filtros.

86
Figura 19. 

foto mostrando uma grande rea verde. A seguir, legenda
  Deserto de Neguev, em Israel. A tecnologia israelense para cultivo em regies ridas  uma das mais eficientes do mundo.

  Nas estufas, a temperatura  controlada automaticamente, garantindo um ambiente adequado para a produo de tomates, pepinos e pimentes. Os filtros so utilizados 
para dissolver fertilizantes qumicos na gua drenada nos canais de irrigao das lavouras de legumes, verduras e batatas.
  O frio impe mais limites  expanso das atividades agrcolas do que as grandes altitudes das montanhas e a escassez de gua dos desertos.
  O extremo norte dos continentes americano e asitico  a rea de domnio da tundra, ambiente de liquens, musgos e pequenos arbustos. Veja a foto abaixo (fig. 20) 
e confira a rea da tundra no mapa (fig. 21). No vero, as renas e os caribus que saem das florestas de pinheiros pastam nas tundras. Porm, durante a maior parte 
do ano, esse ambiente fica recoberto de gelo. Quando as temperaturas atingem seu ponto mximo (10C), comea
87
o degelo, a superfcie torna-se alagadia, e as espcies vegetais florescem. Mesmo nesse perodo, uma camada do solo no muito profunda (o permafrost) permanece 
congelada.

Figura 20. 

foto mostrando o passeio dos caribus pela tundra, no Estado do Alasca, nos Estados Unidos

Figura 21. 

mapa mostrando as reas de tundra no mundo. A seguir, legenda
  Observe que na Amrica do Norte existem grandes extenses recobertas pela tundra.

  Nesse ambiente hostil ao trabalho com a terra, o emprego de tecnologia permite a realizao de prticas agrcolas. Assim, so selecionadas para cultivo espcies 
que amadurecem em intervalos mais curtos. Para facilitar a adaptao dessas espcies, as sementes so germinadas previamente em laboratrios. Esse tipo de agricultura 
existe na Finlndia, na Noruega e na Islndia.

Atividade 3

          Agricultura em dois tempos

  Observe as fotos abaixo (figuras 22 e 23).

Figura 22. 

foto mostrando pessoas colhendo algodo. A seguir, legenda
  Colheita manual do algodo em Ituverava, no Estado de So Paulo.

Figura 23. 

foto mostrando uma colheitadeira de algodo. A seguir, legenda
  Colheita mecanizada de algodo no Alabama, nos Estados Unidos.

  Compare esses dois ambientes do campo (produto cultivado, mo-de-obra empregada, uso de tecnologia etc.). Escreva suas concluses no caderno.

Passando a limpo

 1. Escreva um texto sobre o ambiente da cidade utilizando os termos abaixo:
 a) ilha de calor;
 b) stio urbano;
 c) rea verde.

 2. Pesquisando em jornais e revistas, selecione ilustraes de diversos ambientes do campo. Faa uma colagem e um texto explicativo. Organize com os colegas uma 
exposio desses trabalhos em sala de aula.

Notas de rodap

 (1) Cortio - Lugar onde moram muitas famlias, que compartilham banheiros, tanques de lavar roupas e pias.
 (2) Mangue - Vegetao caracterstica de reas junto ao litoral que recebem gua do mar e de rios. Muitos peixes e moluscos se reproduzem nos manguezais.
 (3) Monocultura - Extensa rea rural ocupada por apenas uma cultura, por exemplo, cana-de-acar, soja ou laranja.
 (4) Irrigao - Rega artificial de uma rea agrcola. Na agricultura irrigada, a gua  transportada para as zonas de cultivo por meio de canais ou de canos.
 (5) Eroso - Desgaste de uma superfcie e transporte de material pela gua corrente, pelos ventos ou pelo gelo.
 (6) Lhama - A lhama  um mamfero que vive nos Andes. Ela no possui a corcunda, mas suas patas e a estrutura do seu corpo se assemelham s do camelo. As lhamas 
so empregadas para o transporte de cargas, e seus plos so utilizados para a produo de l.
 (7) Nutrientes - Minerais e substncias qumicas que existem nos solos e alimentam as plantas.
 (8) Sudeste Asitico - Regio da sia que compreende os seguintes pases: Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonsia, Laos, Malsia, 
  Mianm, Tailndia, Taiwan, Vietn.
 (9) Dique - Barragem construda para reter ou desviar a gua de um rio.

UNIDADE III

          A geografia da produo

 o Observe as fotos a seguir:

 Foto 1 - Colheita mecanizada de trigo nos Estados Unidos.
 Foto 2 - Supermercado em Barretos, no Estado de So Paulo.
 Foto 3 - Moinho de trigo no Porto de Fortaleza, capital do Cear.
 Foto 4 - Horta em Madureira, bairro da cidade do Rio de Janeiro.
 Foto 5 - Embarque de produtos agrcolas no Porto de Paranagu, no Paran.
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 Foto 6 - Feira livre em So Paulo, capital do Estado de So Paulo.
 Foto 7 - Fila em agncia bancria na capital do Estado de So Paulo.

  Compare as atividades que voc observa nas fotos. Procure estabelecer relaes entre elas.

  Vivemos num mundo cada vez mais interligado. As atividades econmicas que ocorrem num determinado lugar geralmente interferem no que est acontecendo em outro 
lugar do mundo, s vezes bem distante dali. Nesta unidade do livro, veremos como isso acontece. No captulo 7, "A produo industrial", vamos estudar o que so as 
cadeias produtivas e o papel das empresas transnacionais na sua expanso pelo mundo. Veremos tambm os tipos de indstria e sua importncia na produo de mercadorias. 
O captulo seguinte, "A produo agrcola", discute a relao da agricultura e da pecuria com as cadeias produtivas, caracterizando a diversidade da produo agrcola 
e sua distribuio no planeta. No ltimo captulo, "A circulao da produo mundial", percorreremos os caminhos que integram as economias dos diversos pases do 
mundo, estudando os sistemas de transporte e a "teia invisvel" criada pela rede de computadores.

               oooooooooooo
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Captulo 7

          A produo industrial

  Quando compramos um chocolate, estamos participando de uma longa cadeia produtiva. Essa cadeia tem incio no ambiente do campo, com o cultivo do cacau, principal 
matria-prima para as fbricas de chocolate. Ela se prolonga no ambiente da cidade, onde se concentram as indstrias. Finalmente, chega a vez dos consumidores: os 
pontos de venda, espalhados pelos mais diversos lugares, colocam frente a frente a mercadoria e o consumidor final. Observe nas fotos exemplos desses trs momentos 
da cadeia produtiva do chocolate (figuras 1, 2 e 3).

Figura 1. 

foto mostrando uma mulher pisando cacau. A seguir, legenda
  Cacau recm-colhido em Granada, pas da Amrica Central insular.

Figura 2. 

foto mostrando a vista area de uma indstria. A seguir, legenda
  Sede social da Nestl em 
  Noisel, nos arredores de Paris, fotografada em 1996.

Figura 3. 

foto mostrando uma criana pegando caixas de chocolates na prateleira de um supermercado. A seguir, legenda
  Prateleira de chocolate em um supermercado de So Paulo.

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  As etapas dessa cadeia - plantao do cacau, fabricao do chocolate e distribuio para o consumo - integram setores econmicos distintos. 
  O setor primrio corresponde  agricultura,  pecuria (criao de animais) e ao extrativismo (retirada de pequenas quantidades de minerais, vegetais ou animais). 
Veja a ilustrao da figura 4.

Figura 4. 

          Os setores da economia

ilustrao mostrando os setores da economia. A seguir, descrio
 o Setor primrio: uma vaca no pasto, um agricultor arando a terra e uma cesta com vrias frutas;
 o Setor secundrio: um soldador, uma plataforma de petrleo e um engenheiro observando uma planta; 
 o Setor tercirio: um cozinheiro segurando uma pizza, um homem de terno, um prdio e algumas notas de dez reais.
  Legenda: observe e compare na ilustrao as atividades de cada setor da economia.

  O setor secundrio corresponde ao segmento industrial. Ele inclui a indstria de transformao (que produz bens como computadores, roupas etc.), de construo 
civil (construo de casas, rodovias, avenidas, aeroportos etc.) e de minerao (extrao e beneficiamento de minerais em grandes quantidades).
  O setor tercirio, por sua vez, rene as atividades do comrcio e da prestao de servios. O comrcio  a atividade de compra e venda de mercadorias. Os servios 
incluem desde lava-rpidos at empresas de informtica. Por isso, so divididos em tradicionais (barbeiros, manicures etc.) e superiores, nos quais se incluem as 
firmas de seguros, os bancos, as empresas de assessoria em informtica etc.

Quadro 1

          Populao economicamente ativa

  Para que os setores da economia funcionem e gerem riquezas,  preciso que existam pessoas trabalhando. A populao economicamente ativa (PEA)  a soma das pessoas 
que trabalham ou que esto procurando emprego em um pas. 
  A PEA pode ser dividida segundo os setores da economia. Assim, quando nos referimos  PEA do setor primrio, estamos considerando a parcela da populao ativa 
que trabalha em atividades ligadas  terra. A PEA industrial compreende os trabalhadores da indstria. Finalmente, quem trabalha no comrcio e na prestao de servios 
compe a PEA do setor tercirio. Essa diviso define a estrutura de emprego de um pas.
 fim do quadro

As empresas transnacionais e a globalizao

  Assim como ocorre com os chocolates, muito daquilo que voc consome  produzido em alguma cadeia produtiva. As grandes indstrias exercem enorme controle econmico 
sobre as cadeias produtivas. Esse poder da indstria  estabelecido, principalmente, pelas empresas transnacionais.
  As transnacionais montam suas fbricas e escritrios em vrios pases do mundo. O comando  feito a partir da sua sede. Com isso, elas buscam baixar seus custos 
e aproveitar as vantagens oferecidas pelos pases, por exemplo, a liberao do pagamento de impostos. Como tm um papel importante na economia de pases pobres, 
as transnacionais acabam influenciando, muitas vezes, at as decises de seus governantes.
  Um bom exemplo da presena de transnacionais na indstria est no setor de informtica. A IBM  uma das principais empresas que atuam nesse setor. De cada trs 
computadores de grande porte comercializados no mundo, dois so da IBM! Alm disso, essa empresa domina 40% do mercado mundial de perifricos (teclados de computadores, 
monitores de vdeo, impressoras, entre outros equipamentos) e pouco mais de 25% do mercado de microcomputadores.
  Tamanho poder econmico  garantido pelo tipo de organizao adotado pela IBM. Essa empresa est estabelecida em vrios pases distribudos por todos os continentes, 
assegurando a comercializao de seus produtos no mercado internacional. Veja o mapa da figura 5.

Figura 5. 

mapa mostrando a organizao mundial da IBM. A seguir, legenda
  A IBM  uma empresa transnacional que atua no setor de informtica e materiais de alta preciso em todos os continentes.

  As fbricas da IBM espalhadas pelo planeta so comandadas pela matriz, localizada em Armonk, no Estado de Nova Iorque (Estados Unidos).  ali que se decide onde 
ocorrero os investimentos da empresa, que se definem as novas pesquisas e quais produtos sero comercializados no mundo inteiro.
  Fora dos Estados Unidos, a IBM possui um centro empresarial em Montpellier (Frana) e outro em Yasu (Japo). O centro de Montpellier  responsvel pela venda dos 
produtos da IBM na Europa, na frica e no Oriente Mdio. O centro japons distribui os produtos da empresa em  parte da sia, no Canad,  na Oceania e na Amrica 
Latina. 

A globalizao da produo

  O desenvolvimento dos transportes permitiu alcanar alta velocidade e grande capacidade de carga a custos cada vez menores. Assim, as fbricas de peas ou de partes 
dos produtos podem estar dispersas por muitos pases. Essa organizao da produo unificada mundialmente  chamada de globalizao da produo.
  Isso ocorre de maneira bem ntida na indstria automobilstica. Os automveis passaram a ter suas peas fabricadas em vrios pases do mundo. Um carro como o Ford 
Fiesta, por exemplo (fig. 6),  produzido em mltiplas
94
fbricas europias da Ford, uma empresa sediada nos Estados Unidos. Em Bordeaux (Frana), so produzidas as caixas de cmbio; em Belfast (Irlanda do Norte), os carburadores; 
em Genk (Blgica), a carroceria e as rodas; nas fbricas de Valena (Espanha), Dagenham (Inglaterra) e Saarbrucken (Alemanha) so produzidos os motores e  realizada 
a montagem final do Fiesta.

Figura 6. 

mapa mostrando a produo mundial do Ford Fiesta. A seguir, descrio
 o Belfast - carburadores e distribuidores
 o Leamington - fundio de componentes do motor e freios
 o Treforest - isolantes para velas
 o Enfield - equipamentos eltricos
 o Dagenham - montagem final, carroceria, motores 1.3 e 1.6, fundio
 o Basildon - montagem de radiadores e bombas de gua, componentes do motor
 o Bordeaux - caixa de cmbio
 o Wlfrath - transmisso do motor
 o Genk - carroceria, rodas
 o Colnia - caixa de cmbio, componentes do motor 
 o Saarbrucken - montagem final, carroceria, reservatrios, acessrios
 o Valena - montagem final, carroceria, motores 1.0 e 1.1, acessrios
  Legenda: Em 1985, o Ford Fiesta era um automvel com uma linha de produo mundial. Na Frana, no Reino Unido, na Blgica e na Alemanha existiam fbricas para 
produo de diversos componentes. A montagem final ocorria em Valena (Espanha), Sarrelouis (Alemanha) e Dagenham (Inglaterra).

pea orientao ao professor

  Alm disso, os grandes grupos empresariais que atuam no setor industrial tm demonstrado muita capacidade de introduzir novos produtos e processos produtivos. 
Esses processos so cada vez mais baseados na Cincia e na Tecnologia (C&T). A biotecnologia (1) veja a pgina 252, a engenharia gentica, a informtica, os novos 
materiais e as diversas formas de organizao da produo so exemplos de inovaes recentes que tm alterado bastante a produo industrial.

Atividade 1

          Reconstruindo cadeias 
          produtivas

  Recorte a embalagem de algum produto alimentcio que voc tenha consumido em casa. Observe no rtulo desse alimento quais so os ingredientes utilizados em sua 
produo e a localizao da fbrica onde foi produzido. Com essas informaes e considerando o que voc aprendeu neste captulo, faa um desenho reconstituindo a 
cadeia produtiva desse produto alimentcio. Com os desenhos de cadeias produtivas - feitos pela sua turma -, organize uma exposio.

Dos teares mecnicos ao just-in-time

  Para conseguir distribuir fbricas pelo mundo, as indstrias passaram por uma srie de mudanas. Para voc ter uma idia, at o incio do sculo XVIII as mercadorias 
eram produzidas artesanalmente, muitas vezes nas casas dos prprios artesos. A indstria, nascida na Inglaterra, exigiu que fossem construdos lugares especiais 
para a produo. Da surgiram as fbricas, onde eram colocados os teares e as mquinas a vapor.
  As mquinas a vapor empregavam carvo mineral e geravam a energia necessria para mover as fiadeiras e os teares mecnicos (fig. 7).

Figura 7. 

foto mostrando o uso do tear mecnico retratado na obra Tecelo, visto de frente (1884), de Vicente van Gogh

  No final do sculo XIX, outras mudanas tecnolgicas alteraram o modo de produo industrial. A descoberta do motor a exploso e da eletricidade ampliou a capacidade 
das mquinas. A partir da, a produo industrial passou a usar novas fontes de energia, como o petrleo.
  Tambm a forma de organizao do trabalho fabril passou por importantes transformaes. No incio do sculo XX, o engenheiro industrial norte-americano Frederick 
Winslow Taylor desenvolveu um sistema para aumentar 
95
a produtividade, instituindo uma maior diviso de tarefas no interior das fbricas. Com o taylorismo, como ficou conhecido esse sistema, os trabalhadores deixaram 
de confeccionar o produto inteiro e cada operrio passou a exercer apenas algumas tarefas especficas.
  Logo em seguida  implementao do taylorismo, Henry Ford, outro engenheiro industrial dos Estados Unidos, aplicou uma nova maneira de organizar o trabalho na 
sua fbrica de automveis. Ele fixou o trabalhador, fazendo o produto circular em uma linha de montagem. Assim, em vez de os trabalhadores se deslocarem pela fbrica, 
as partes do carro eram montadas e passavam por eles em uma esteira rolante. Cada trabalhador realizava uma nica tarefa repetidas vezes: um encaixava o motor, outro 
parafusava o motor na carroceria, outro encaixava os bancos, e assim por diante.
  Com o fordismo, o trabalho se tornou repetitivo e montono e os operrios perderam o controle sobre o ritmo e os resultados de seu trabalho. Por outro lado, a 
produtividade da indstria aumentou, pois os carros passaram a ser produzidos em um tempo menor. Veja, na foto (fig. 8), o pster de um filme que critica o trabalho 
mecnico nas linhas de montagem.

Figura 8. 

pster mostrando um homem deitado sobre um grande rolo de filme, apertando parafusos; logo abaixo, duas pessoas caminham. A seguir, legenda
  Pster, em francs, do filme Tempos modernos, dirigido e estrelado pelo  grande cineasta e cmico ingls Charles Chaplin. Esse filme faz uma crtica  sociedade 
industrial, que submete as pessoas ao ritmo das mquinas.

  As transformaes na produo industrial no pararam por a. O just-in-time  uma das novas formas de gesto da produo, inventado e aplicado pela primeira vez 
em meados da dcada de 60, na fbrica japonesa da Toyota, pelo engenheiro ex-vice-presidente Sei-ichi Ohno. Nesse sistema, a produo industrial obedece s exigncias 
dos consumidores, isto , os produtos so fabricados de acordo com as especificaes determinadas pelos clientes.
  Com o just-in-time, surgiram as chamadas ilhas de produo, nas quais o trabalho  desenvolvido em equipe. Os trabalhadores so incentivados a acompanhar tudo 
o que acontece na ilha. Cada um deve conhecer suas prprias funes e as funes dos demais. Como resultado, alm do aumento da produtividade industrial, o nmero 
de mercadorias com defeito de fabricao diminuiu sensivelmente. Os japoneses criaram mtodos de integrao das equipes que vo alm do trabalho na fbrica, como 
voc pode ver na foto (fig. 9).

Figura 9. 

foto mostrando operrios com roupas prprias de trabalho, fazendo ginstica. A seguir, legenda
  Operrios fazendo ginstica em fbrica na cidade de Nagasaki, no Japo. Alm de relaxar, a atividade fsica descontrai o ambiente e permite uma maior integrao 
entre as equipes de trabalho.

96
  O just-in-time funciona com baixos estoques de mercadoria. Em vez de ter seu dinheiro parado na forma de peas ou mercadorias  espera de comprador, o proprietrio 
da fbrica prefere deix-lo rendendo no banco. Assim, o dinheiro s  sacado quando  necessrio para a produo.
  Alm disso, o just-in-time introduziu maior flexibilidade na produo industrial. Uma firma pode oferecer uma grande variedade de itens para um mesmo produto. 
No caso de um automvel, o cliente pode escolher, por exemplo, a cor do veculo, os equipamentos opcionais (ar condicionado, rdio, vidro eltrico) e at a potncia 
do motor.  como se cada um dos milhes de carros que saem da fbrica tivesse sido produzido sob medida, ao gosto do comprador.
  As inovaes da indstria japonesa provocaram a reao de seus concorrentes, desencadeando uma espcie de reao em cadeia. A General Motors dos Estados Unidos 
investiu em um programa denominado Saturn, lembrando os anis que existem em torno do planeta Saturno. Trata-se de uma rede de distribuidores conectados a uma fbrica 
totalmente informatizada e equipada para receber e atender com rapidez os pedidos dos clientes, nos moldes da indstria japonesa. Esse  um bom exemplo de como as 
inovaes tecnolgicas na indstria se expandem sobre o planeta, como uma imensa onda.

As inovaes e os trabalhadores

  Uma das mudanas mais importantes na produo industrial ocorreu com a introduo de robs. Inicialmente, eles operavam em locais que ameaassem a vida dos trabalhadores, 
como ambientes radioativos ou de temperaturas elevadas. Porm, aos poucos, acabaram sendo levados para desenvolver funes rotineiras nas linhas de montagem, como 
mostra a foto (fig. 10). Diante disso, os trabalhadores perderam vagas no mercado de trabalho.

Figura 10. 

foto mostrando rob soldando parte de um avio. Os movimentos seguros e precisos executados pelo rob garantem que o trabalho ser feito conforme as rgidas especificaes 
tcnicas exigidas na construo de um avio

  A modernizao das indstrias gera desemprego, pois consegue aumentar a produo sem ampliar o nmero de empregados. Atividades que antes exigiam quatro trabalhadores 
passaram a exigir apenas uma mquina e um operrio.
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  O desemprego causado pelas novas tecnologias - como a robtica e a informtica - recebe o nome de desemprego estrutural. Ele no  resultado de uma crise econmica, 
mas  produzido pelas novas formas de organizao do trabalho e da produo. Tanto os pases ricos quanto os pobres so afetados pelo desemprego estrutural, um dos 
mais graves problemas de nossos dias.
  A globalizao da produo e a robtica alteraram a posio dos sindicatos (2) de trabalhadores em todo o mundo. At ento, a luta era, principalmente, pelo aumento 
dos salrios. Atualmente, a grande reivindicao dos trabalhadores passou a ser emprego! Os sindicatos propem, entre outras medidas, a diminuio da jornada de 
trabalho (3) (sem a diminuio do salrio), a criao de empregos e o fim das horas extras. Observe na foto (fig. 11) uma manifestao contra o desemprego.

Figura 11. 

foto mostrando uma multido com cartazes e faixas. A seguir, legenda
  Manifestao de trabalhadores alemes contra o desemprego, em maro de 1998. O problema do emprego assusta at o pas mais rico da Europa.

Atividade 2

          Produzindo segundo o Just-in-time

  Material: varetas; papel de seda colorido; linha; tesoura; cola.
  Vamos produzir pipas utilizando o just-in-time. Um grupo de alunos representar os consumidores. Outro grupo, os trabalhadores envolvidos na fabricao das pipas. 
Um terceiro grupo vai produzir as rabiolas, e um quarto grupo vai montar a pipa. Observe as etapas de fabricao da pipa na figura 12.

Figura 12.

desenhos mostrando as etapas de fabricao de uma pipa

98
Tipos de indstria

  Podemos agrupar as indstrias de acordo com o destino da sua produo, com o tipo de tecnologia que utilizam e com o volume de recursos energticos e naturais 
que elas consomem.
  As indstrias que produzem para outras indstrias so chamadas de indstrias de bens de produo. Aquelas que fabricam mercadorias para o consumo so as indstrias 
de bens de consumo. As indstrias que utilizam tecnologia de ponta (que resulta de pesquisas avanadas) so chamadas de indstrias de alta tecnologia. As que consomem 
grandes quantidades de energia so conhecidas como indstrias intensivas.

As indstrias e o destino da produo

  As indstrias de bens de produo transformam os recursos naturais em matria-prima para ser usada por outras indstrias.  o caso, por exemplo, das siderrgicas 
e metalrgicas. As siderrgicas usam potentes altos-fornos para fundir os metais encontrados no ambiente natural, como o minrio de ferro, que  transformado em 
ferro e ao. As metalrgicas trabalham o ferro e o ao produzindo peas que sero utilizadas por outras indstrias para a produo de bens de consumo.
  Tambm so consideradas indstrias de bens de produo aquelas que se dedicam  fabricao de mquinas e ferramentas usadas em processos industriais. Veja um exemplo 
na foto (fig. 13).

Figura 13. 

foto mostrando parte do interior de uma fbrica. A seguir, legenda
  Fbrica de mquinas para produo de plstico na capital do Estado de So Paulo. De seus galpes industriais no saem produtos para o consumidor final, mas sim 
mquinas para outras indstrias.

  As indstrias de bens de consumo produzem para vender ao consumidor. Elas dividem-se em dois grupos: bens de consumo durveis e no-durveis. As indstrias de 
bens de consumo durveis produzem mercadorias que no so trocadas com freqncia, como automveis e eletrodomsticos. J as indstrias de bens de consumo no-durveis 
produzem mercadorias de primeira necessidade, de consumo constante e de rpida reposio, como roupas e alimentos. Veja o exemplo da foto (fig. 14).

Figura 14. 

foto mostrando mulheres trabalhando em uma fbrica de roupas no Canad

99

As indstrias de alta tecnologia

  As indstrias de alta tecnologia, tambm conhecidas como indstrias de base tecnolgica, esto intimamente associadas  produo de Cincia e Tecnologia (C&T). 
Elas produzem tanto mercadorias com tecnologia de ponta (como computadores, 
 softwares, avies e os chips retratados na fig. 15) quanto conhecimento, pois tambm vendem processos e tcnicas de produo para outras empresas.

Figura 15. 

foto mostrando dois chips fotografados na ponta de um dedo. Eles so a "inteligncia artificial" dos computadores

  Para se produzir um avio, por exemplo,  preciso dominar processos sofisticados, que envolvem clculos complexos, equipamentos de ltima gerao e conhecimento 
de novos materiais, como os polmeros (plsticos que, junto com o alumnio, so muito empregados na fabricao de avies).
  Como h muita concorrncia nesse setor, as empresas que fabricam avies esto sempre buscando aprimoramento. Muitas delas compram inovaes tecnolgicas para aplicar 
na produo de uma aeronave, como softwares especiais para simulao de vo ou partes prontas (por exemplo, turbinas e motores) que sero montadas em seus avies.
  Essas indstrias empregam pessoal altamente capacitado, como cientistas e tcnicos com curso superior e ps-graduao. Por isso, elas costumam se localizar junto 
a institutos de pesquisa e universidades. Muitas vezes, os testes para aperfeioamento dos produtos so realizados nas instalaes desses institutos ou universidades.
  Um dos modelos de instalao de indstrias de alta tecnologia  o dos plos tecnolgicos, como o da foto (fig. 16). Neles, as indstrias surgem em torno de centros 
de excelncia, lugares onde cientistas altamente capacitados desenvolvem suas pesquisas, em busca de novos produtos e materiais.
100
Em geral, os governos financiam a instalao dos plos tecnolgicos e figuram entre seus principais clientes. Veja o esquema (fig. 17).

Figura 16. 

foto mostrando um plo tecnolgico. A seguir, legenda
  Vista area do Vale do Silcio, na Califrnia, Estados Unidos. A grande concentrao de pesquisadores e de empresas de alta tecnologia faz dessa parte do mundo 
uma das mais frteis em gerao de novos produtos, em especial no campo da microeletrnica.

Figura 17. 

esquema representativo da alta tecnologia. A seguir, descrio
 o Indstrias de alta tecnologia :o Institutos de pesquisa e Universidades :o Governo
 o Instituto de alta tecnologia :o Governo
  Legenda: nos plos tecnolgicos, a presena de pesquisadores  fundamental: eles so os "crebros" que criam as novidades. As universidades e os institutos de 
pesquisa formam os pesquisadores e, por isso, tm um papel fundamental na localizao dos plos.

  A aplicao de inovaes tecnolgicas que incrementam a produo industrial no acontece da mesma forma em todos os pases nem em todos os ramos industriais. Estados 
Unidos e Japo, por exemplo, so os que mais investem em Cincia e Tecnologia, o que ajuda a entender a concentrao de indstrias avanadas nesses dois pases.

As indstrias intensivas em recursos energticos

  As indstrias intensivas em recursos energticos processam os recursos naturais, transformando-os em matria-prima para outras indstrias (veja a fig. 18). Como 
consomem muita energia, essas indstrias freqentemente se localizam junto a fontes energticas, como reservas de carvo mineral ou mesmo usinas hidroeltricas.

Figura 18.  

foto mostrando uma fundio na Nova Esccia, Canad. O  metal derretido desce do alto-forno e  depositado em lingotes, que vo resfri-lo. Esse material ser retrabalhado 
em indstrias metalrgicas, gerando produtos ou partes de produtos

101
  Tradicionalmente, as bacias carbonferas e grandes depsitos minerais atraem indstrias intensivas em recursos energticos, como as siderrgicas e as metalrgicas. 
Isso explica, por exemplo, a presena de indstrias na regio do Reno-Ruhr, na Alemanha, na Sibria ocidental, nos Montes Urais da Rssia e no Reino Unido, como 
voc pode observar no mapa (fig. 19).

Figura 19. 

          Europa: localizao industrial

mapa mostrando a localizao das jazidas de carvo e reas industriais. A seguir, legenda
  O uso do carvo como fonte de energia  uma das explicaes para a presena de indstrias localizadas em bacias carbonferas, como as de Birmingham, no Reino Unido, 
de Gijon e 
  Bilbao, na Espanha, e de Dortmund, na Alemanha.

  No Japo, entretanto, as indstrias que apresentam intenso consumo energtico adotaram um modelo porturio de localizao. Pas desprovido de recursos minerais 
e energticos, o Japo necessita importar sua matria-prima. Assim, as indstrias esto instaladas nos arredores dos portos pelos quais chegam as matrias-primas, 
como exemplifica a figura 20.

Figura 20. 

foto mostrando Porto de Kobe, Japo. Nas suas proximidades esto localizadas indstrias que processam matria-prima importada e indstrias que fabricam produtos 
que sero exportados

Atividade 3

          Indstria de alta tecnologia

  Utilizando o mapa (fig. 21), procure explicar a distribuio dos principais plos tecnolgicos no mundo.

Figura 21.

mapa mostrando a distribuio dos principais plos tecnolgicos no mundo: Vale do Silcio, Boston, Campinas, So Jos dos Campos, Paris, Valena, Turim, Viena, Stutgart, 
Bonn, Colnia, Bruxelas, Cambridge, Manchester, Londres, Bangcoc, Hsinchu, 
  Nagoya, Tsukuba, Dredak

Passando a limpo

 1. Pergunte s pessoas de sua casa onde elas trabalham e que atividades exercem. Em seguida, classifique-as, considerando o que voc aprendeu neste captulo. Rena 
suas informaes com as dos colegas e faa um grfico de setor da economia dos chefes de famlia da sua turma. Considere chefe de famlia a pessoa de maior rendimento. 
Por fim, exponha o grfico em um painel, ilustrando-o com imagens das atividades descritas por seus familiares.
 2. Rena material de propaganda de produtos divulgados em jornais, revistas ou mesmo na TV. Faa uma colagem, classificando esses produtos por tipo de indstria, 
conforme voc aprendeu neste captulo.

pea orientao ao professor

Notas de rodap

 (1) Biotecnologia - Tecnologia que usa seres vivos (ou partes deles) para criar um novo produto. Muitas das milhares de protenas que existem nos seres humanos, 
por exemplo, j foram recombinadas atravs da biotecnologia e se transformaram em remdios.
 (2) Sindicato - Reunio de pessoas, por categoria profissional, que lutam por seus interesses. Existem, por exemplo, sindicatos de trabalhadores rurais, de engenheiros, 
de professores etc. Os patres tambm formam sindicatos, como o das indstrias de construo civil, o dos donos de escolas etc.
 (3) Jornada de trabalho - Durao do trabalho dirio.

               oooooooooooo
103

Captulo 8

          A produo agrcola

  O caf  um dos produtos mais vendidos no mundo. Os pases europeus e os Estados Unidos so seus maiores consumidores. Como eles no plantam caf, precisam compr-lo 
de outros pases (Brasil, Colmbia, Indonsia e Mxico, principalmente). Mais de 90 milhes de sacas de caf - produzidos em 50 pases distribudos pela Amrica 
do Sul, sia e frica - circulam anualmente pelos oceanos.
  Entre os produtores e uma xcara de caf pronta para ser bebida existe um longo caminho (fig. 1). Ele comea com o cultivo do caf e envolve a produo de tratores 
e de insumos (inseticidas, fertilizantes), a torrefao e moagem dos gros e a comercializao. Essa seqncia de operaes, necessria para a produo e o consumo 
do caf,  denominada cadeia agroindustrial.

Figura 1. 

insumos Agrcolas :o Produo Rural :o Beneficiamento :o Indstria de Torrefao :o Indstria de Solvel :o Mercado
  Legenda: a cadeia produtiva do caf envolve muitas empresas. Antes de chegar ao mercado, o caf produzido pelos produtores rurais  beneficiado para a indstria 
de torrefao e moagem ou, ainda, para a indstria de caf solvel.

103
  So as mos de 20 milhes de trabalhadores que mantm em funcionamento a cadeia agroindustrial do caf. Essa cadeia integra atividades econmicas do campo, da 
cidade e do comrcio exterior entre vrios pases. Participam dela, alm dos trabalhadores, produtores rurais, exportadores e comerciantes. Porm os trabalhadores 
no recebem muitos benefcios pela produo do caf. A cadeia produtiva do caf tem gerado cada vez mais lucros para os donos da indstria que transforma o caf 
torrado e modo em caf solvel (caf de preparao instantnea em contato com gua quente). Observe o grfico (fig. 2).

Figura 2. 

          Quem ganha com caf?

grfico demonstrativo. A seguir, contedo do grfico
 o Industriais - 45%
 o Comerciantes, intermedirios e transportadores - 28%
 o Produtores - 27%
  Legenda: observe que os produtores so os que menos ganham com o negcio do caf (27%), enquanto as indstrias ficam com a maior parcela (45%).

  De cada dez xcaras de caf solvel consumidas no mundo, nove foram fabricadas por uma dessas trs empresas: General Foods, Nestl e Procter & Gamble. Elas mantm 
centros de pesquisa destinados  melhoria da produo agrcola e industrial, investem pesadamente na publicidade de suas marcas e travam uma guerra de preos nos 
supermercados espalhados por diversas cidades do planeta.
  Nos pases ricos, o predomnio do uso de alta tecnologia nas atividades primrias resulta numa grande capacidade de produo, sem a necessidade de muita mo-de-obra 
(fig. 3). Nos Estados Unidos, por exemplo, somente trs em cada cem trabalhadores esto empregados no setor primrio. No  difcil entender por que: em 1 hora, 
uma colheitadeira mecnica, operada por apenas um trabalhador, pode colher mais do que muitos homens. Alm desta e de outras mquinas sofisticadas, so usados na 
agricultura norte-americana produtos qumicos para preparo dos solos e sementes mais resistentes produzidas em laboratrio. Assim, os pases ricos dominam o comrcio 
mundial de alimentos, mesmo que a maior parte de sua populao no esteja trabalhando na produo desses alimentos.

Figura 3. 

foto mostrando um campo de trigo em Saskatchewan, no Canad. O uso de mquinas produz formas geomtricas na paisagem agrcola

  Nos pases pobres, as prticas tradicionais dominam grande parte das reas agrcolas. Nelas no so empregadas as mquinas e tecnologias produzidas na cidade. 
Dessa forma, esses pases produzem menos do que os pases que usam tcnicas modernas e, por isso, necessitam de muita gente trabalhando no campo para produzir alimentos. 
Nos pases e regies mais pobres do planeta, mais da metade da populao que trabalha est no setor primrio da economia, como voc pode observar no mapa (fig. 4).

Figura 4. 

mapa mostrando a PEA ocupada na agricultura (1987). A seguir, legenda
  Na frica e na sia esto localizados os pases que registram os ndices mais elevados da PEA no setor agrcola, como Moambique e Nepal. Na Amrica do Norte, 
o Canad e os Estados Unidos ocupam menos de 5% da PEA no setor primrio. Esse ndice tambm  encontrado nos pases europeus, como na Alemanha e na Sua.

  Em muitos pases, porm, reas de agricultura modernizada convivem com reas em que predominam prticas tradicionais. O Brasil  um bom exemplo disso: enquanto 
milhares de pequenos sitiantes contam principalmente com o seu trabalho e o de sua famlia para tornar a terra produtiva, as grandes empresas rurais operam com mquinas 
iguais s utilizadas pela agricultura empresarial dos pases ricos.
  O Brasil  o segundo maior produtor mundial de soja, ficando atrs apenas dos Estados Unidos. A maior parte dessa produo  destinada ao mercado externo, ou seja, 
 vendida para outros pases. Para alcanar essa posio, os plantadores de soja brasileiros tiveram de modernizar a sua produo. A Fazenda Itamarati, em Itamarati 
do Norte (MT),  tomada como modelo. Alm de utilizar sofisticadas colheitadeiras, a fazenda est equipada com silos para 

armazenar a produo, igualzinho ao que acontece nos pases ricos.

Atividade 1

          A agricultura brasileira

  Analise as fotos abaixo (figuras 5 e 6), procurando comparar os dois tipos de agricultura representados. A partir dessa reflexo, escreva no seu caderno um texto 
caracterizando a agricultura brasileira.

Figura 5. 

foto mostrando uma mulher em uma plantao de milho e mandioca em propriedade familiar em Paragominas, no Par

Figura 6. 

foto mostrando uma plantao de soja, na Fazenda Itamarati, no Mato Grosso

A diversidade da produo 
  agrcola

  Espigas de milho imunes a ataques de pragas, vacas capazes de multiplicar a produo de leite, porcos com mais carne e menos gordura. Parecem idias de algum "cientista 
maluco" trancafiado em seu laboratrio, mas no so.
  Esses so alguns produtos da biotecnologia desenvolvidos por grandes grupos industriais que investem na produo agrcola e na modernizao das cadeias agroindustriais. 
Assim passou-se a programar o destino da produo desde o momento em que as sementes saem dos laboratrios. Tamanho e peso-padro tornaram-se palavras-chave para 
os produtores de frangos, ovos, frutas. A produo agropecuria ficou semelhante a uma fbrica. A suinocultura, por exemplo, utiliza a biotecnologia para produzir 
porcos mais saudveis para o consumo humano (fig. 7).

Figura 7. 

foto mostrando criao de porcos. A seguir, legenda
  Porcos com pouca gordura desenvolvidos pela engenharia gentica. Eles so criados em ambientes fechados e garantem um melhor rendimento aos criadores. Ao contrrio 
de porcos criados soltos, os animais so selecionados e recebem alimentao especial para crescer rapidamente.

107
  Impulsionadas pelo mercado consumidor das grandes cidades e pelas necessidades de matria-prima da indstria, essas cadeias agroindustriais ocupam reas cada vez 
maiores.
  Como j vimos no captulo 6, a agricultura vem ocupando os ambientes de desertos, reas alagadas e terras geladas, transformando-os, pouco a pouco, em campos agrcolas 
e gerando lucro em reas que antes no tinham nenhum valor econmico. O desenvolvimento dos transportes (aumento da velocidade e da capacidade de carga) tem estimulado 
a expanso da agroindstria.
  Um bom exemplo de cadeia agroindustrial  a Nestl. Essa empresa sua est ramificada por diversos pases do mundo, articulando pequenos, mdios e grandes produtores 
rurais ao ritmo de suas vendas no mercado internacional.
  A moderna agricultura emprega mquinas agrcolas e agrotxicos. Os agrotxicos causam srios problemas ambientais e de sade. A poluio do solo e dos rios  um 
deles. O freqente lanamento de venenos no solo acaba contaminando-o. As chuvas transportam os venenos at os rios, que tambm ficam poludos. Para completar, a 
populao acaba comendo produtos com grandes quantidades de agrotxicos, o que pode causar doenas.
  Ao observarmos o mapa das terras utilizadas pela agricultura no mundo (fig. 8), vemos que a produo agroindustrial se distribui de modo desigual pela superfcie 
terrestre: mais da metade das terras cultivadas no mundo segundo os interesses da indstria est localizada na Europa, nos Estados
108
Unidos e no Canad. A foto (fig. 9)  um exemplo da agricultura altamente mecanizada que predomina nessas regies.

Figura 8. 

          Uso da terra no mundo

mapa mostrando a localizao das terras utilizadas pela agricultura no mundo. A seguir, descrio
 o Agricultura e pecuria intensiva
 o Agricultura comercial extensiva
 o Agricultura comercial de produtos tropicais (plantation)
 o Agricultura mediterrnea
 o Agricultura familiar com uso intensivo de mo-de-obra
 o Pecuria intensiva
 o Pecuria extensiva
 o Pastoreio nmade
  Legenda: a agricultura familiar ocupa boa parte das terras agrcolas do mundo.

Figura 9. 

foto mostrando um campo de trigo em Alberta, no Canad. Aqui, as mquinas fazem quase todo o trabalho

Atividade 2

          O crescente crculo do veneno

  Com base no que voc aprendeu at agora e na ilustrao abaixo (fig. 10), descreva o processo de contaminao que o uso abusivo de agrotxicos pode provocar.

Figura 10.

ilustraes mostrando uma indstria despejando resduos no rio, uma pessoa pulverizando uma plantao e um avio pulverizando uma extena rea verde

109
  Quando nos distanciamos dos grandes centros agroindustriais, observamos um mundo bem diferente daquele dos imensos campos de soja, trigo ou milho. Ignorando as 
mquinas industriais, sobrevivem tradies culturais passadas de pai para filho.
  O cultivo do arroz se confunde com a histria dos povos asiticos: foi a partir da casca do arroz, por exemplo, que se fabricaram os primeiros pergaminhos, em 
que foi registrada uma das mais antigas formas de escrita. O mesmo se verifica com o cultivo do milho e da mandioca e seu importante significado para as comunidades 
tradicionais da Amrica, ou ainda em relao  vitivinicultura (fig. 11) para os povos da Europa mediterrnea.

Figura 11. 

foto mostrando uma plantao. A seguir, legenda
  Plantao de uvas em Rovereto, na Itlia. Em pases mediterrneos europeus, como Portugal, Espanha, Itlia e, principalmente, Frana, a vitivinicultura  uma atividade 
muito importante: as uvas so usadas para produzir vinho para os mercados interno e externo.

  Analisando o mapa da agricultura no mundo (fig. 8), podemos verificar as marcas deixadas pela colonizao europia na Amrica, na sia e na frica. Para atender 
s necessidades criadas pelos europeus, foram organizadas 
 plantations, que so grandes propriedades de terra monocultoras, baseadas no uso de mo-de-obra numerosa, para o cultivo de caf, cacau, banana e borracha, entre 
outros. Esses produtos, muito apreciados pelos europeus, dependem das caractersticas ambientais existentes somente nas zonas Equatorial e Tropical. Veja na foto 
(fig. 12) um exemplo de plantation na Amrica Central.

Figura 12. 

foto mostrando cultivo de caf na Costa Rica

110

  Alm disso, por mais que a cincia e a tecnologia tenham avanado no setor das prticas agrcolas, trabalhar a terra  saber usar a fora da natureza que, muitas 
vezes, foge completamente do controle humano. Isso acontece, por exemplo, quando a chuva no vem na hora certa ou ento quando chove demais, e o rio transborda sobre 
o campo semeado ou, ainda, quando ocorrem geadas.
  No  por acaso que, nos locais em que no se pratica a agricultura irrigada, a distribuio das chuvas define o calendrio agrcola. Nesses locais, pratica-se 
a agricultura de subsistncia, ou seja, produz-se o necessrio para o consumo prprio. A agricultura de subsistncia emprega mo-de-obra numerosa e no utiliza tantas 
mquinas modernas.
  Nas comunidades agrcolas tradicionais da frica e da Amrica Latina, que praticam a agricultura de subsistncia, para limpar o campo e prepar-lo para o cultivo, 
 comum o uso da queimada. Essa prtica consiste em atear fogo na rea de cultivo aps a colheita, com o objetivo de limpar o terreno, preparando-o para um novo 
plantio. Em seguida, com a ajuda das mulheres e crianas da famlia, o agricultor perfura o solo com uma vara de extremidade cortante, transformada em ferramenta 
agrcola, e faz a semeadura (fig. 13).

Figura 13. 

foto mostrando mulheres preparando a terra para o cultivo, em Gana, na frica

  Todo esse trabalho conta com o conhecimento acumulado a respeito da natureza. De nada adianta plantar se no chover na hora e na medida certa.  preciso saber 
tambm que tipo de planta se adapta melhor a cada solo. Nas encostas das montanhas, o solo perde nutrientes, que so freqentemente levados pelas enxurradas. Nas 
margens dos rios, por sua vez, onde chegam os nutrientes trazidos pelas chuvas, o solo fica encharcado e no  qualquer planta que se adapta a essas condies.
111
  So inmeros os exemplos de pequenas aldeias e comunidades que vivem das prticas agrcolas tradicionais. Esses grupos resistiram  expanso da agricultura movida 
pelo motor da indstria e dependem do seu conhecimento a respeito das condies ambientais, um saber transmitido de pai para filho. Seus deuses, festas e manifestaes 
religiosas retratam e passam para as novas geraes os hbitos e tradies existentes nesses campos agrcolas (fig. 14).

Figura 14. 

foto mostrando um Deus dos zapotecas. A seguir, legenda
  Deus do milho dos zapotecas, povo que habitava a regio de Monte Albn, no atual Mxico. Observe a presena de espigas de milho que decoram a frente da escultura.

Atividade 3

          Cultura e Natureza

  Pesquise em enciclopdias algumas lendas indgenas associadas  prtica agrcola. Leia as histrias em sala de aula e discuta-as com seus colegas, procurando compar-las. 
Sugesto de pontos que podem ser debatidos:

 o Que caractersticas comuns as histrias apresentam?
 o  possvel identificar as tcnicas agrcolas utilizadas?
 o Qual a importncia da agricultura para esses povos?

Terras agrcolas e pecuria 
  mundial

  O trigo  um dos cereais mais consumidos no mundo, sendo a base da alimentao de um em cada trs habitantes do planeta. Ele  cultivado principalmente em pases 
de clima temperado, destacando-se os Estados Unidos e a Rssia. 
  No mundo tropical, o arroz  o principal produto e alimenta grande parte da populao. Seu cultivo em terras inundadas permite colheitas o ano inteiro. A China, 
o Vietn e os demais pases do sudeste da sia so responsveis por 90% do arroz produzido no mundo. Os asiticos tambm so importantes produtores de trigo, batata 
e soja. Na frica, na Amrica do Sul e na Amrica Central, o milho e a mandioca so os principais produtos da agricultura de subsistncia.
112
  A Europa  a maior produtora de batata, com 40% do total mundial. L tambm so importantes os cultivos de cevada, centeio e aveia. O centeio  empregado principalmente 
para fazer farinha de po, a aveia serve como alimento do gado e a cevada segue para a produo de bebidas (a cerveja e o usque).
  Quase metade da produo mundial do milho  cultivada nos Estados Unidos. Mas grande parte dessa produo no  consumida pela populao norte-americana nem exportada: 
o milho  a base de alimentao do gado. Assim, para entender a distribuio das principais reas de cultivo do mundo,  preciso considerar a relao entre a agricultura 
e a criao de animais. Analise os mapas (figuras 15 e 16).

Figura 15. 

          Principais reas da agricultura no mundo

mapa mostrando a localizao das principais reas de cultivo de amendoim, arroz, banana, beterraba, cacau, caf, cana-de-acar, ch, ctricos, coco, ma, milho, 
leo de palma, oliva, soja, trigo e uva. A seguir, legenda
  Os cereais ocupam a maior rea plantada no mundo. O trigo compe, junto com o arroz e a batata, a base alimentar da populao do planeta.

Figura 16. 

          Principais reas da pecuria no mundo

mapa mostrando a localizao das principais reas de criao de rebanho: bovino, ovino e suno. A seguir, legenda
  O principal rebanho do mundo  o de bovinos. Depois vm os ovinos e os sunos.

  A comparao dos mapas (figuras 15 e 16) torna evidente que as principais reas agrcolas do mundo tambm so as reas mais importantes de criao de porcos, galinhas 
e bois em estbulos. No  para menos. Metade da produo de cereais do mundo destina-se  alimentao do gado e, nos Estados Unidos, essa quantidade chega a atingir 
70%. Isso  suficiente para alimentar trs vezes a populao norte-americana! Leia o quadro 1.

113
Quadro 1

          A fome no mundo

  Apesar do constante avano da produo agrcola, muitos habitantes da Terra passam fome: esta  uma das equaes mais duras dos tempos atuais. Curiosamente, os 
pases em que a maior parte da populao trabalha no campo registram os maiores ndices de pessoas que comem menos de 2.200 calorias por dia - que  o mnimo necessrio 
para a subsistncia, segundo recomenda a Organizao Mundial de Sade, rgo internacional que avalia as condies de sade nos pases do mundo. Por que isso ocorre?
  Em primeiro lugar, porque, nos pases pobres, as reas nas quais se pratica agricultura moderna geralmente so destinadas  exportao, em vez de produzir alimentos 
para a populao. Alm disso, a grande concentrao da riqueza impede que muitas pessoas que vivem em reas urbanas tenham dinheiro para comprar alimentos.
  Tambm no podemos esquecer que grande parte da produo de cereais do mundo destina-se  alimentao do gado bovino, porcos e galinhas. Caso as colheitas de gros 
dos Estados Unidos e da Europa fossem destinadas aos humanos, haveria comida suficiente para mais 1 bilho de pessoas, alm das suas populaes. Isso ocorre porque 
o sistema de criao de animais alimentados por gros  altamente ineficiente para produzir protenas: a produo de 1 caloria de carne requer o consumo de 10 ou 
mais calorias de gros pelos animais!
  Se muitos morrem por falta de comida, outros enfrentam problemas de sade pelo excesso de alimento. A ingesto exagerada de acar e gordura aumenta o nmero de 
pessoas que apresentam diabetes e doenas do corao.
 fim do quadro

114
  ndia, Argentina, Brasil e China, juntos, produzem metade da carne bovina consumida no mundo. Nesses pases no  comum a associao entre a agricultura e a criao 
de gado: a chegada do boi numa regio em geral  sinal de que a agricultura foi substituda pelo pasto, diminuindo a produo de alimentos.
  Os pastos que sustentam todo o rebanho do mundo ocupam a maior parte das terras adequadas para o cultivo. A criao de animais faz uso de praticamente metade das 
reas continentais, descontando-se aquelas permanentemente recobertas pelas calotas de gelo. Mas existem diversas maneiras de praticar a pecuria. Observe exemplos 
na figura 17.

Figura 17. 

duas fotos mostrando o gado criado confinado e o gado criado solto no pasto. A seguir, legenda
  Gado confinado produtor de leite na Holanda e criado solto na regio de Ponta Por, no Mato Grosso do Sul, para abate. No primeiro caso, temos a pecuria intensiva, 
quando os animais recebem alimentao especial e tm sua circulao restrita. No segundo caso, trata-se da chamada pecuria extensiva, na qual o gado  criado solto 
no pasto.

O trabalho no campo

  Quem mora numa cidade est acostumado a conviver com pessoas que recebem salrio pelo trabalho que exercem. Muitos trabalhadores da cidade passam a vida inteira 
preocupados com o relgio. No podem chegar atrasados no servio. Precisam bater o ponto. A rotina do trabalho  sempre a mesma, todos os dias.
  O trabalho no campo  diferente. Uma de suas caractersticas  a sazonalidade, isto , o trabalho existe ou deixa de existir de acordo com o estgio do cultivo. 
Assim, muitos trabalhadores so contratados para os perodos de plantio e de colheita. Aps essas etapas da produo, eles so dispensados. A isso se d o nome de 
trabalho temporrio.
115
  As atividades agrcolas, principalmente as modernas, tambm empregam trabalhadores em carter permanente: administradores de fazendas, tcnicos e outros especialistas 
so cada vez mais necessrios no controle da produo no campo.
  Como a atividade agrcola  muito diversificada, as relaes de trabalho e suas formas de pagamento tambm o so. Uma das formas de pagamento  em espcie. Nesse 
caso, o trabalhador no recebe dinheiro por seu trabalho, mas pode receber, por exemplo, alimentos ou uma parte daquilo que ajudou a produzir. No Brasil, essa forma 
de pagamento  conhecida por parceria. O parceiro - ou seja, o trabalhador que planta na propriedade de algum - recebe parte da produo como pagamento por seu 
trabalho. Ento, caso deseje ter algum dinheiro, ele ter de vender sua parte da produo.
  Outra forma de pagamento  o salrio. Tal qual nas cidades, os trabalhadores recebem uma quantia em dinheiro, calculada sobre as horas trabalhadas ou sobre o total 
produzido. O assalariamento do trabalhador do campo tem ocorrido nas reas agrcolas modernas, onde a produo  controlada pela indstria. Isso acontece com os 
trabalhadores que colhem cana-de-acar no Brasil: eles recebem pelo total de quilos de cana que cortam por dia (fig. 18).

Figura 18. 

foto mostrando cortadores de cana-de-acar em plena atividade. A seguir, legenda
  Cortadores de cana-de-acar em Guariba, no Estado de So Paulo, em foto de 1995. Alm de cortar a cana, eles a transportam at o centro das "ruas", de onde ela 
 carregada para ser pesada. O uso de mquinas tem diminudo muito a participao de trabalhadores na colheita.

   comum encontrar no campo uma forma de pagamento que combine as duas alternativas. s vezes, o trabalhador recebe, por exemplo, parte em produtos alimentcios 
e parte em salrios.
  Existem situaes, ainda, em que o trabalhador no  proprietrio da terra, mas consegue arrendar uma parte de alguma fazenda. O arrendamento consiste no aluguel 
de uma rea e o trabalhador, nesses casos,  denominado arrendatrio. Veja a ilustrao (fig. 19).

116
Figura 19.

desenhos ilustrando as diferentes formas de trabalho/pagamento: parceria, assalariamento e arrendamento

  O arrendatrio tem sido um dos responsveis pela expanso das terras agrcolas no Brasil. Ele arrenda, por exemplo, um pedao de terra com mata; ento, derruba 
as rvores, ara o solo, levanta uma cerca e planta. Durante alguns anos, o pagamento do aluguel  feito em dinheiro ou em espcie (isto , ele entrega parte de sua 
produo agrcola ao proprietrio das terras). Quando vence o contrato de arrendamento, o trabalhador  obrigado a deixar a terra com pasto plantado. Foi assim que 
muitas fazendas de gado foram montadas no interior do Brasil. 
  Na agricultura de subsistncia, por sua vez, quem trabalha na terra so os membros de uma famlia. Por esse motivo, no h pagamento de salrios fixos para os 
envolvidos na produo. Eventualmente uma famlia pode contratar pessoas para auxili-la, principalmente nos perodos de plantio e de colheita. Quando isso ocorre, 
o pa-

gamento  feito por parceria ou por assalariamento.

Atividade 4

          O trabalho no campo

  Pesquise, em suplementos agrcolas de jornais e revistas, sobre as relaes de trabalho no campo. Faa um cartaz que represente o tipo de relao encontrada. Descreva 
o que o empregador exige do trabalhador e as atividades desenvolvidas.

Passando a limpo

  Volte ao mapa da figura 8 e analise-o, identificando as principais reas de agricultura no mundo.

 a) Copie num papel transparente somente as reas de agricultura moderna, produzindo um outro mapa. Faa um pequeno texto que caracterize esse tipo de agricultura, 
destacando a sua distribuio pelo mundo.
 b) Repita esse procedimento para a agricultura de subsistncia.
 c) Faa o mesmo para as reas de plantation.
 d) Finalmente, cole seus trabalhos no caderno.

pea orientao ao professor

               oooooooooooo
117

Captulo 9
        
          A circulao da produo 
          mundial

  Quem j visitou um grande porto martimo certamente sentiu a sensao de estar em um lugar em que vrios mundos se cruzam. As diferentes bandeiras dos navios e 
as lnguas desconhecidas revelam essa diversidade. Alm disso, tudo parece grandioso: uma infinidade de armazns, esteiras rolantes, embarcadores mecnicos, empilhadeiras 
e ps carregadeiras distribuem-se ao redor dos navios atracados no cais (fig. 1). Caf, milho, soja, acar, combustveis, automveis, mquinas, aparelhos eletrodomsticos 
circulam nos entroncamentos de ferrovias e rodovias que levam e trazem as mercadorias. Anualmente, cerca de 700 milhes de toneladas de carga passam pelos principais 
portos do mundo.

Figura 1. 

foto mostrando parte do Porto de Santos, no Estado de So Paulo,  o mais movimentado do Brasil

  Os portos martimos escoam grande parte da produo agrcola e industrial. Eles transformam os oceanos em imensas vias de transporte, unindo pases e continentes. 
O Oceano Atlntico  o mais movimentado, pois concentra o tradicional comrcio entre os Estados Unidos e a Europa. Entretanto, o movimento no Oceano Pacfico foi 
o que mais cresceu nas ltimas dcadas, devido  importncia econmica do Japo e dos pases do sudeste da sia.

118

Atividade 1

          Navegar  preciso

  Observe o mapa da figura 2.

Figura 2.

          Principais portos e rotas martimas do mundo

mapa mostrando as principais rotas martimas e a localizao dos portos importantes. A seguir, descrio

  Principais portos martimos em movimentao de mercadorias (em milhes de toneladas):
 1980:
  Roterd - 273
  Nova Iorque - 163
  Nova Orleans - 155
  Chiba - 152
  Kobe - 149
okohama - 123
  Nagoya - 105
  Houston - 96
  Kawasaki - 90
  Kitakyushi - 83
 1992:
  Roterd - 282
  Cingapura - 238
  Chiba - 192
  Kobe - 169
  Nova Iorque - 152
  Nova Orleans - 143
  Xangai - 140
  Nagoya - 131
okohama - 122
  Houston - 105

 1. Com o auxlio de um atlas, localize no mapa os dez principais portos martimos do mundo em 1980 e 1992.
 2. Compare o volume de trfego que esses principais portos receberam entre os anos de 1980 e 1992. A seguir, escreva em seu caderno quais foram as principais mudanas 
ocorridas no trfego martimo nesse perodo.

  A importncia da navegao ocenica tambm pode ser medida pelas grandes obras de engenharia que j foram realizadas para garantir maior rapidez e custos menores.
  O Canal do Panam (fig. 3), por exemplo, encurtou distncias, rasgando a Amrica Central para ligar o Oceano Atlntico e o Oceano Pacfico. Com 81,3 quilmetros 
de extenso e largura que varia entre 90 e 300 metros, ele  utilizado por cerca de 12 mil navios por ano. O Canal do Panam foi construdo para facilitar o intercmbio 
comercial entre as costas leste e oeste dos Estados Unidos. Por ali tambm circula, por exemplo, o cobre chileno consumido na Europa.

Figura 3. 

          Sistema de comportas

esquema representativo da circulao do Canal do Panam. A seguir, descrio
 Oceano Atlntico :o Eclusas de Gatm :o Lago de Gatm (26 metros acima do nvel do mar) :o Eclusas de Pedro Miguel :o Lago de Miraflores :o Eclusas de Miraflores 
:o Oceano Pacfico  
  Legenda: O Canal do Panam atravessa uma superfcie 26 metros acima do nvel do mar. Para isso, foram construdas seis eclusas - compartimentos preenchidos com 
gua para subir ou descer embarcaes em cada trecho.

120
  J o Canal de Suez abriu uma passagem entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrneo (fig. 4). Cerca de 20 mil navios atravessam anualmente seus 163 quilmetros de 
extenso e 190 metros de largura. Ele possibilita que vrios navios petroleiros do Oriente Mdio e muitos cargueiros provenientes do Japo e dos pases do sudeste 
da sia, carregados de produtos industrializados, alcancem a Europa sem contornar o continente africano.

Figura 4.

foto mostrando um homem observando o Canal de Suez. A seguir, legenda
  Canal de Suez, visto a partir de uma embarcao. Durante muito tempo, quase todo o  petrleo consumido na Europa "viajava" por ele. Hoje em dia, porm, uma parte 
do petrleo extrado no Oriente Mdio "viaja" em oleodutos at os portos do Mar Mediterrneo.

  As grandes obras de engenharia no foram as nicas responsveis pelo aumento do transporte de cargas atravs dos mares. As novas tecnologias tambm ajudaram muito. 
O uso de contineres, por exemplo, tornou mais gil a ligao do transporte martimo com as rodovias e ferrovias existentes no interior dos continentes.
  Os contineres - compartimentos metlicos do tamanho de um vago de trem ou de uma carroceria de caminho - so empilhados nos navios cargueiros com a ajuda de 
guindastes. Eles economizam espao dentro da embarcao e permitem o transporte simultneo dos mais diversos produtos. Depois de serem desembarcados, prosseguem 
viagem por ferrovia, hidrovia ou rodovia at o destino final. 
  Com o crescente uso de contineres, mais e mais mercadorias que integram o comrcio internacional so transportadas por navios. Veja a foto (fig. 5). Enquanto, 
em 1950, o trfego martimo era de 500 milhes de toneladas anuais, atualmente ele movimenta mais de 4 bilhes de toneladas de mercadorias por ano.

Figura 5. 

foto mostrando vrios contineres e uma embarcao. A seguir, legenda
  O Porto de Roterdam, nos Pases Baixos,  o mais movimentado do mundo. Observe os contineres empilhados, aguardando embarque.

O trfego areo, o rodovirio e o ferrovirio

  A maior parte das mercadorias que circula no mundo  transportada em navios. Os avies, por sua vez, so os campees no transporte de passageiros. Anualmente, 
cerca de 1 bilho e 250 milhes de pessoas usam o transporte areo.
  As linhas areas cobrem todo o planeta. Mas, assim como o trfego martimo, o trfego areo  fortemente concentrado, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. 
Um em cada trs passageiros em trnsito encontra-se nos quinze maiores aeroportos do mundo, dez destes localizados nos Estados Unidos. Entre os aeroportos norte-americanos, 
o de Chicago (fig. 6)  o mais movimentado.

Figura 6. 

foto mostrando parte do interior do aeroporto de Chicago. A seguir, legenda
  Vista do interior do aeroporto de Chicago, nos Estados Unidos. Por esses corredores passam diariamente milhares de pessoas.

  Os aeroportos so os ns terrestres das linhas areas, o ponto de contato com os transportes terrestres e com uma srie de servios de manuteno das aeronaves. 
Os grandes avies a jato, como o Boeing 747 (fig. 7) e o Airbus, so os mais possantes e com maior capacidade de carga para viagens a longas distncias.
Nos grandes aeroportos, os vos internacionais se cruzam com os vos domsticos, ou seja, aqueles realizados no interior dos pases, em geral por aeronaves menores. 

Figura 7. 

dois desenhos: o primeiro mostra um avio Boeing 747, cruzando o cu; o segundo mostra parte do seu interior. A seguir, legenda
  O Boeing 747 transporta mais de quatrocentas pessoas e atinge velocidade superior a 900 quilmetros por hora.

  Em muitos pases, a ferrovia  uma forte concorrente do transporte areo. Analise o mapa da figura 8. Isso acontece em quase todo o continente europeu, onde existe 
uma enorme quantidade de linhas de trens, em sua maioria rpidos e modernos (fig. 9).

Figura 8. 

          Principais rotas areas e ferrovias do mundo

mapa mostrando as rotas areas, aeroportos, ferrovias e estaes ferrovirias. A seguir, legenda
  Observe que nas proximidades dos principais aeroportos do mundo esto localizadas as reas de maior concentrao de ferrovias.

Figura 9. 

foto mostrando dois trens rpidos e modernos. A seguir, legenda
  Trens rpidos para transporte de passageiros, chamados de TGV (Trens de Grande Velocidade), em Paris, Frana. Eles permitem deslocamentos rpidos da capital francesa 
para importantes cidades do interior do pas.

123
  Para adaptar-se s novas condies de transporte de mercadorias, as companhias ferrovirias aprimoraram o transporte de cargas pesadas. Muitas delas passaram a 
utilizar vages especiais para cada tipo de carga (frigorferos, graneleiros etc.). Nos Estados Unidos, no Canad, na Rssia, na China e na ndia, grande parte das 
cargas  transportada em vages ferrovirios.

Sistemas de transporte

  A presena e a coordenao de vrios meios de transporte em um mesmo territrio constituem um sistema de transporte.
  Os sistemas de transporte variam conforme o desenvolvimento da atividade econmica, revelando os principais caminhos das mercadorias e o peso das atividades industriais 
e agrcolas no comrcio internacional.
  O poder econmico permite o investimento em veculos cada vez mais velozes e a construo de novas vias destinadas a encurtar distncias e reduzir os custos de 
transporte, superando tambm os obstculos oferecidos pela natureza.  o que se verifica no Japo, um arquiplago formado por 3.400 ilhas.
  Veja o mapa da figura 10. Uma rede de tneis e pontes suspensas garante a circulao entre as ilhas. O primeiro trem de grande velocidade (TGV) foi construdo 
em 1964 para ligar Tquio a Osaka, principais cidades do
124
Japo. Com uma velocidade mdia de 210 km/h, o TGV integra uma rede com mais de 1.800 quilmetros de extenso: o Shinkansen. O tnel Seikan liga as ilhas de Honshu 
e Hokkaido, numa extenso de 53,8 quilmetros por baixo do mar. A ponte de Seto, por sua vez, interliga Honshu a Shikoku.

Figura 10. 

          O transporte no Japo
          

mapa mostrando as principais vias de comunicao: Rodovias principais, Ferrovia 
  Shinkansen e ligao entre as linhas. A seguir, legenda
  O sistema de transporte japons faz de um arquiplago um nico espao.

  Alm disso, esto situados no Japo cinco dos dez principais portos martimos do mundo. Isso ocorre porque o litoral concentra as mais importantes indstrias japonesas, 
base do poderio econmico do pas.
  No continente africano, as principais vias de transporte ligam as reas de produo de matria-prima aos portos exportadores. Veja o mapa da figura 11. Elas foram 
construdas para escoar as riquezas minerais e os produtos agrcolas para os mercados da Europa, e no para facilitar o comrcio dos pases africanos entre si. Esse 
tipo de sistema de transporte ainda prevalece na maior parte dos pases da frica.

Figura 11. 

          frica: principais rodovias e ferrovias

mapa mostrando a localizao das rodovias, ferrovias e fronteiras internacionais. A seguir, legenda
  Na maior parte dos pases africanos, o sistema de transporte est orientado para levar as mercadorias do campo e das minas at os portos de exportao.

O comrcio internacional

  Podemos medir o comrcio internacional de duas maneiras. Uma delas considera o volume das cargas comercializadas. Assim, podemos dizer, por exemplo, que um pas 
exportou 10 milhes de toneladas de mercadorias em um determinado ano. Desse jeito, porm, nunca saberemos
125
a quantidade de dinheiro que entrou no pas com essa venda: afinal, 10 milhes de toneladas de ouro no  o mesmo que 10 milhes de toneladas de ferro. Por isso, 
costuma-se medir as transaes comerciais tambm pelo que elas representam em termos de dinheiro. Veja o mapa da figura 12.

Figura 12. 

          O comrcio internacional em milhes de dlares (1996)

mapa mostrando as transaes comerciais em milhes de dlares. A seguir, descrio
 o 1.800.000 - Europa ocidental
 o 700.000 - Canad, Estados Unidos, Japo, Tigres Asiticos (China e ndia)
 o 150.000 - Amrica Latina, frica, Oriente Mdio, CEI, Leste Europeu
  Legenda: a Amrica Latina e a frica participam pouco das transaes comerciais do mundo.

  O comrcio mundial  fortemente concentrado. Juntos, os Estados Unidos e o Canad, os pases da Europa Ocidental e o Japo exportam e importam quase 70% de tudo 
que  comercializado no mundo. Fora desse eixo central do comrcio de produtos industrializados, destacam-se as exportaes efetuadas pelos Tigres Asiticos, China 
e ndia.
  Os pases da Europa ocupam o primeiro lugar das vendas do comrcio mundial, com quase metade do total das transaes. Grande parte desses negcios  realizada 
entre os prprios pases europeus. No comrcio da Europa com o resto do mundo, a Alemanha ocupa um papel de destaque, principalmente graas s indstrias automobilstica, 
qumica e mecnica.
  Os produtos agrcolas e minerais so os principais produtos do comrcio exterior de muitos pases da Amrica do Sul, da frica e da sia. Veja o mapa (fig. 13). 
Entre esses produtos, o acar, o caf e o cacau so os mais importantes em termos do volume de comercializao. Petrleo, carvo, ferro e cobre so os destaques 
entre os produtos minerais. Entretanto, tambm o comrcio mundial de alimentos  dominado pelos pases ricos. O caso dos cereais  bastante significativo: apenas 
trs pases (Canad, Frana e Estados Unidos) garantem dois teros das exportaes mundiais de cereais.

Figura 13. 

mapa mostrando os principais tipos de produtos exportados (1996). A seguir, descrio
 o Maquinaria, equipamentos de transportes
 o Txteis, tecidos, vesturio e fibras
 o Outros produtos manufaturados
 o Combustveis, minerais e metais
 o Alimentos e matria-prima vegetal
  Legenda: observe que o Brasil e o Mxico so os nicos pases da Amrica Latina que exportam principalmente produtos manufaturados.

  No Japo e nos Estados Unidos destacam-se o setor de informtica e a indstria automobilstica. A indstria de material de transporte tambm  significativa na 
lista dos produtos exportados pelos Estados Unidos.
  Vale destacar ainda o setor de servios que, impulsionado pelo aumento do turismo, das atividades de cooperao tcnica (engenharia) e das atividades ligadas  
comunicao (publicidade, cinema e televiso), cada vez mais tem ampliado a sua participao no volume de negcios do comrcio internacional.

Atividade 2

          Novos e velhos produtos

  Observe o grfico (fig. 14).

Figura 14.

          As transformaes do comrcio internacional (% da participao dos produtos em dlares)

 o Produtos primrios (produtos agrcolas, matrias-primas e produtos energticos)
  1950 - 51,1%
  1970 - 34,1%
  1985 - 38,9%
  1995 - 27,2%
 o Produtos manufaturados
  1950 - 48,9%
  1970 - 65,9%
  1985 - 61,1%
  1995 - 72,8%
 o Mquinas e materiais de transportes
  1950 - 21,8%
  1970 - 32,9%
  1985 - 31%
  1995 - 37,7%

  Responda em seu caderno: Quais as mudanas mais importantes no comrcio internacional entre 1955 e 1995?

127
Uma teia mundial invisvel

  Enquanto voc l este pargrafo, esto sendo realizadas cerca de 1.200 transaes financeiras entre bancos de vrias partes do mundo. So mais de 1,7 milho de 
mensagens enviadas todos os dias. Essas transaes mexem com 1 bilho de dlares diariamente. Trata-se de um volume de dinheiro quarenta vezes maior do que o envolvido 
no comrcio de mercadorias, aquele em que participam, entre outros, os contineres e os trabalhadores dos portos.
  Os bancos e as bolsas de valores (1) veja a pgina 328 funcionam como os portos do mercado mundial de dinheiro, ainda que grande parte desse dinheiro no circule 
na forma de papel-moeda. Para saber mais sobre a histria do papel-moeda, leia o quadro 1.

Quadro 1

          Os bancos e o papel-moeda

  A moeda surgiu para atender  necessidade de trocar mercadorias. Bois, saquinhos de sal ou pedaos de ouro foram utilizados inicialmente como base de troca entre 
mercadorias. Depois de vrias tentativas, firmou-se a preferncia pelos metais preciosos, especialmente o ouro e a prata, devido s vantagens que apresentam para 
a funo de moeda: pequenas quantidades permitem realizar grandes transaes, so bastante resistentes e podem ser transformados em moedas de diferentes pesos e 
valores.
  A acumulao de riquezas sob a forma de moeda abriu caminho para o surgimento do crdito. Aos poucos, algumas pessoas foram se especializando na intermediao 
financeira, ou seja, tomar emprestado o dinheiro disponvel nas mos de alguns para emprestar a outros, interessados em realizar gastos alm de suas disponibilidades 
do momento. Foi desse tipo de atividade de intermediao que surgiu o banqueiro.
   medida que seus negcios cresciam e ele se tornava mais conhecido, o banqueiro percebeu que as notas por ele emitidas, atestando o depsito de moedas em seus 
cofres, poderiam ser descontadas em outras cidades por outros banqueiros, desde que eles estabelecessem acordos entre si. Assim, o papel-moeda foi adquirindo validade 
devido  confiana de que poderia ser trocado por moedas metlicas, se o portador se dirigisse ao banqueiro e assim o solicitasse.
  O aperfeioamento da moeda impulsionou tanto a produo de mercadorias quanto as trocas comerciais. O sistema bancrio, por sua vez, expandiu-se enormemente com 
o crescimento da produo e do comrcio. (Baseado em Carlos E. Carvalho, Mercado financeiro.)

Figura 15. 

a ilustrao mostra a troca de mercadoria por outra mercadoria, troca de mercadoria por papel-moeda, troca de marcadoria por cheque e pagamento de mercadoria com 
carto de crdito. A seguir, legenda
  A ilustrao mostra a evoluo do mercado. A troca de mercadoria atravs do papel-moeda e do cheque impulsionou o mercado financeiro. Hoje em dia o carto de crdito 
 chamado de dinheiro de plstico.

 fim do quadro

Atividade 3

          Exposio de moedas

  Organize com seus colegas uma exposio de moedas. Vale tudo: agrupar as moedas por pases diferentes, classific-las em novas e antigas de um mesmo pas, separ-las 
pelo tipo de material, cor e desenhos impressos. Escreva um texto explicando como foi organizada a exposio e o que voc aprendeu com ela.

  As instituies financeiras (bancos, corretoras de seguros, bolsas de valores etc.) vivem da atividade de intermediao entre os que necessitam tomar dinheiro 
emprestado e os que desejam emprest-lo por determinados prazos e juros (2). Assim, quanto mais os industriais e os comerciantes precisam de dinheiro para investir 
em suas atividades, mais poderosos ficam os bancos. Por isso o mercado financeiro se desenvolve nas reas em que h concentrao da produo industrial e nos principais 
ns do comrcio internacional de mercadorias.
  Nova Iorque, Londres e Tquio so os principais ns dessa teia mundial invisvel. So considerados as principais praas financeiras, ou seja, lugares que atraem 
e redistribuem os investimentos no mundo. Observe o mapa (fig. 16). As praas financeiras caracterizam-se pela presena de bancos estrangeiros e pela intensa atividade 
da Bolsa de Valores.

Figura 16. 

          Principais praas financeiras do mundo

mapa mostrando a localizao do mercado de cmbio (milhes de dlares por dia). A seguir, descrio
 o Europa - 300 (Londres 8 h - 16 h)
 o Nova Iorque - 190 (13:30 h - 21 h)
 o Tquio - 120 (0 h - 
  6 h)
  Legenda: os investidores aproveitam as diferenas de fuso horrio entre os pases para aplicar seu dinheiro na Bolsa de Valores, 24 horas por dia.

129
  Londres, por exemplo, abriga mais de quinhentos bancos estrangeiros e  o principal mercado de cmbio: l so realizadas trocas de moedas do mundo inteiro (dlar 
americano, libra inglesa, marco alemo, iene japons etc.). O mercado de cmbio londrino movimenta 300 milhes de dlares por dia. Veja a foto (fig. 17).

Figura 17. 

foto mostrando a vista geral do centro de Londres, uma das principais praas financeiras do mundo. Nela esto localizadas sedes de importantes grupos financeiros

  Graas aos satlites artificiais e s redes de computadores, tornou-se possvel lucrar com a diferena de horrio entre essas principais praas financeiras. Quando 
os bancos de Tquio j fecharam, o dinheiro dos investidores japoneses pode estar sendo aplicado em Londres ou em Nova Iorque. No dia seguinte, ele retorna mais 
"gordo" ao Japo. O mercado financeiro funciona 24 horas por dia, de forma integrada mundialmente. Leia mais sobre a diferena de horrio no quadro 2.

Quadro 2

          Que horas so?

  Em qualquer lugar do planeta, o meio-dia pode ser fixado como o momento em que o Sol atinge o ponto mais alto de sua trajetria diria pelo cu (como sabemos, 
uma trajetria apenas aparente, pois  o nosso planeta que gira em torno do Sol, e no o contrrio).
  Os relgios solares, tais como o da figura 18, foram utilizados durante muito tempo, por inmeras civilizaes: em cada ponto de sua trajetria aparente, o Sol 
projeta a sombra do marcador em uma posio diferente, e cada posio corresponde a uma determinada hora do dia.

Figura 18. 

foto mostrando o relgio de sol, no cemitrio de Ilkley, Gr-Betanha.

  Esse mtodo foi abandonado porque dificultava as relaes internacionais, que se tornavam cada vez mais intensas no sculo
XIX. Como coordenar os horrios das viagens de trem ou navio, se cada lugar seguisse um relgio diferente?
130
  Na Conferncia do Meridiano Internacional de 1884, 27 pases aprovaram um sistema internacional de zonas de tempo. A conferncia estabeleceu o meridiano que passa 
por Greenwich, na Inglaterra, como o ponto zero para as medidas de tempo. O meridiano de 180 graus, na metade do caminho em torno do globo a partir de Greenwich, 
foi designado como Linha Internacional de Data.  o lugar em que cada dia comea e termina para o mundo. Hoje, todos os pases adotam essas zonas de tempo, conhecidas 
por fusos horrios. As redes internacionais de televiso, por exemplo, que enviam seus programas ao mesmo tempo para vrias partes do mundo, costumam adotar a hora 
de Greenwich como referncia.

Figura 19.

          Linha Internacional de Data e Meridiano de Greenwich

mapa mostrando a Linha Internacional de data: sia - hora adiantada, segunda-feira 11 horas de adiantamento. Amrica - hora atrasada, domingo 11 horas de atraso

Figura 20.

mapa mostrando os fusos horrios. A seguir, descrio
 o 31 de dezembro
  Honolulu - 18 h
  Nova Iorque - 23 h
 o 1 de janeiro
  Londres - 4 h
  Daca - 10 h
  Tquio - 13 h
  Legenda: observe os fusos horrios no acomponham exatamente as linhas dos meridianos. Eles foram traados procurando-se respeitar as fronteiras polticas dos 
pases. 

fim do quadro

131
A circulao de informaes

  O uso do satlite artificial, das fibras pticas (3) e das redes de computadores est provocando o desenvolvimento de uma refinada malha de circulao invisvel 
que envolve o mundo inteiro. Por a circulam capitais, notcias e cultura.

desenho de um  cabo de fibra ptica passando dentro de uma agulha. Este material possui grande capacidade de transmisso de dados, como imagens de televiso, mensagens 
eletrnicas e conversas telefnicas

  A rede Swift  a maior rede financeira de telecomunicaes do planeta. Superando barreiras de lngua e os fusos horrios, mais de 3.700 bancos distribudos em 
92 pases realizam operaes de circulao de investimentos por meio de mensagens codificadas pelo computador. Essa rede de comunicao ganhou um impulso ainda maior 
com a Internet, um sistema de dezenas de milhares de redes conectadas por todo o planeta. Milhes de pessoas utilizam esse sistema todos os dias. Observe o mapa 
(fig. 21).

Figura 21. 

          A rede mundial de computadores

mapa mostrando a localizao do pas/instituio e a rede mundial. A seguir, descrio  
 EUA; Canad; Universidade do Hava; Universidade de Guadalajara (Mxico); Porto Rico; Venezuela; Equador; Universidade de So Paulo (Brasil); 
Argentina; Biblioteca da Universidade de Concepcin (Chile); Holanda; Reino Unido; Irlanda; Universidade de Livre de Bruxelas (Blgica); Frana; Cern - Laboratrio 
Europeu de Fsica de Partculas; 
Itlia; Espanha; Grcia; Bulgria; Magpie BBS (Crocia); Universidade de Liubliana (Eslovnia); Universidade Tcnica Tcheca; Polnia; ustria; Alemanha; Hungria; 
Islndia; Finlndia; 
Sucia; Universidade Hebraica de Jerusalm; Kuwait; Ernet - Rede de Educao e Pesquisa (ndia); 
Malsia; Universidade Nacional de Cingapura; Tailndia; Hong Kong; Taiwan; Japo; Austrlia; Nova Zelndia; 
Centro de Computao da Universidade Rhodes (frica Sul); Estao de Pesquisa dos Estados Unidos
 Obs.: Para facilitar a leitura do mapa, no esto representadas todos os "ns" listados da rede europia.
  Legenda: a Internet  uma rede mundial de computadores, e cada servidor funciona como um porto de recepo e transmisso dos mais diferentes tipos de mensagem. 
Observe que, para enviar uma mensagem da Universidade de So Paulo (n.o 8) at o Japo (n.o 39), por exemplo, vrios "caminhos" podem ser utilizados.

  A Internet evoluiu a partir da conexo de supercomputadores nos Estados Unidos. Cientistas, pesquisadores e engenheiros de vrias universidades 
132
puderam ter acesso a esses supercomputadores atravs de cabos existentes em seus laboratrios, que transmitem dados em alta velocidade.
  Indstrias e empresas de servios tambm esto formando redes internas (fig. 22) conectadas  Internet. Essa nova via de circulao de informao, conhecida por 
infovia, permite o intercmbio de pesquisadores, a troca de informaes entre empresas e o comrcio de mercadorias. 

Figura 22. 

esquema representativo da infovia: computador pessoal/terminal de trabalho :o terminal inteligente :o unidade central. A seguir, legenda
  A Intranet  uma rede de computadores que mantm interligadas vrias pessoas dentro de uma empresa.

Atividade 4

          Projetando uma home page

  A home page  a imagem que aparece na tela do computador quando acessamos, pela Internet, o endereo de alguma empresa ou mesmo de uma pessoa.  o carto de visita 
para quem quer se comunicar pela Internet. Muitas universidades possuem sua home page. Veja a foto da home page da UnB (fig. 23).

Figura 23.

foto mostrando home page da Universidade de Braslia, em agosto de 1998. Ela apresenta a estrutura da universidade, seus professores e os servios por ela oferecidos

  Projete a sua prpria home page. Primeiro analise qual  a finalidade do seu endereo na Internet, ou seja, defina o que voc quer mostrar ou ensinar para as pessoas 
que utilizam a rede. Escolha fotos, grficos, desenhos para ilustrar a sua home page. Organize com a sua turma uma exposio desses trabalhos.

Passando a limpo

 1. Observe novamente o mapa da frica (fig. 11) e compare-o com o mapa da Europa (fig. 24).

Figura 24.

          Europa: principais rodovias e ferrovias

mapa mostrando rodovias e ferrovias

pea orientao ao professor

  Responda em seu caderno:

 a) Quais so as principais diferenas entre os dois sistemas de transporte apresentados?
 b) De acordo com sua anlise, onde o volume de comrcio entre os pases do continente tende a ser maior? Explique sua resposta.

 2. Leia o texto abaixo:

  Navegar  preciso, viver no  preciso. Com leve estremecimento de susto aplica-se o antigo verso do poeta [portugus] Fernando Pessoa ao sistema de informao, 
pesquisa e correspondncia por computador, a Internet [...] No   toa que a imagem que introduz a tela na Internet  o smbolo de um leme de navio (chamado de 
Netscape Navigator). Todo
o vocabulrio nutico, a rede (net), o navegador (navigator), a pirataria, todas estas imagens do mar so mesmo porque o indivduo mergulha naquelas ondas - como 
uma caravela portuguesa de 1500 - e fica ali singrando no mar, buscando descobrir mundos nunca dantes por ele percorridos. (Marilene Felinto, Folha de S. Paulo, 
7 maio 1996.)

  Responda:

 a) Por que a autora acha apropriada a comparao da circulao de informaes pela Internet com as imagens de navegao martima?
 b) Voc concorda com essa comparao? Justifique a sua resposta.

Notas de rodap

 (1) Bolsa de Valores - Instituio na qual se realiza o comrcio das aes. Para obter mais dinheiro e ampliar seus investimentos, os empresrios costumam vender 
parcelas de seu negcio na Bolsa de Valores: essas parcelas so chamadas de aes.
 (2) Juros - Quando pessoas ou empresas pedem dinheiro emprestado aos bancos, elas tm de pagar um valor maior do que aquele que tomaram emprestado, pois o dinheiro 
tambm tem um custo. Essa diferena entre o valor tomado de emprstimo e o valor que foi pago de volta  chamada de juro.
 (3) Fibra ptica - Fibras feitas com material transparente para conduzir a luz.

UNIDADE IV

          O mundo em movimento

o Observe as fotos a seguir. Escreva uma frase, no caderno, para cada uma delas. Discuta com os colegas a que mais lhe chamou a ateno.

 Foto a - Priso de imigrantes mexicanos ilegais no Arizona, Estados Unidos, em fevereiro de 1995.
 Foto b - Refugiados de guerra em Ruanda, pas africano, em 1994.
135
 Foto c - Ceclimar (Centro de Estudos Costeiros Limnolgicos e Marinhos) em Rio Grande, agosto de 1998. Esses pingins, encontrados sujos de leo no litoral do Rio 
Grande do Sul, esto sendo tratados e sero devolvidos ao mar.
 Foto d - Manifestao contra o desemprego na Frana, em janeiro de 1997.
 Foto e - Desembarque de imigrantes no Porto de Santos, no Estado de So Paulo, em 1907.

  O mundo em que vivemos  dividido pelas fronteiras dos pases. Nesta unidade, vamos estudar o que isso significa para a vida das pessoas. No captulo "Fronteiras: 
as linhas que dividem os mapas", veremos o que deu origem s fronteiras e como elas interferem na organizao do espao mundial. No captulo seguinte, "As migraes 
internacionais", vamos estudar as razes que levam muitas pessoas a mudar de pas. Finalmente, em "A cidadania e a vida em sociedade", acompanharemos as vrias maneiras 
de participao do cidado do mundo de hoje.

               oooooooooooo
136

Captulo 10 

          Fronteiras: as linhas que dividem os mapas

  Todos os anos, principalmente durante as frias escolares, milhares de turistas brasileiros viajam para os Estados Unidos. A maior parte desses turistas desembarca 
no aeroporto de Miami, na Flrida. De l, segue direto para a Disney World, um imenso parque de diverses montado na cidade de Orlando, tambm na Flrida.
  Para ingressar nos Estados Unidos e passear na Disney, os turistas brasileiros precisam,  claro, ter dinheiro para pagar a passagem e a estada. Mas no  s isso. 
Eles precisam tambm portar um passaporte, que os identifique como brasileiros (fig. 1). Alis, um brasileiro precisa de passaporte tanto para sair do territrio 
de seu pas como para entrar no territrio de quase todos os pases do mundo.

Figura 1. 

foto mostrando vrios passaportes da "Repblica Federativa do Brasil. A seguir, legenda
  No Brasil, a emisso e o controle dos passaportes so atribuies da Polcia Federal.

  Se o destino for os Estados Unidos, o passaporte deve conter um visto de entrada, fornecido por representantes do governo norte-americano. Ou seja, antes de comprar 
as passagens, os brasileiros que pretendem viajar para os Estados Unidos precisam procurar o consulado desse pas e solicitar uma espcie de autorizao para a viagem. 
Muitas vezes, esse no  um processo muito simples. Veja a foto (fig. 2). Caso esse visto de entrada no conste no passaporte, os turistas no conseguiro sequer 
sair do aeroporto de destino, sendo enviados de volta ao Brasil.

Figura 2. 

foto mostrando uma multido em uma fila. A seguir, legenda
  Fila para obteno do visto de entrada nos Estados Unidos na porta do consulado daquele pas, em So Paulo. Vida de turista nem sempre  fcil!

137
  Mesmo se o turista tiver o visto de entrada carimbado no passaporte, ele pode ser impedido pelo oficial de imigrao de entrar no pas para onde viajou. O oficial 
de imigrao  o representante do governo que controla a entrada de estrangeiros nos aeroportos internacionais do mundo inteiro. Isso acontece porque ingressar num 
pas significa entrar em um territrio onde o poder  exercido por um governo soberano, que decide quem pode e quem no pode entrar.

Quadro 1

          As fronteiras internas

  As fronteiras polticas internacionais separam o territrio dos pases. Entretanto, dentro dos pases tambm existem fronteiras. Alguns pases so divididos em 
provncias (como  o caso da Argentina), em cantes (Sua) ou em repblicas autnomas (Rssia).
  A Repblica Federativa do Brasil  dividida em estados, dentro dos quais os governos estaduais elaboram leis e administram parte dos assuntos econmicos e sociais. 
Repare que, quando falamos de pases, escrevemos a palavra Estado com "E" em letra maiscula, e quando falamos dos estados que existem no interior dos pases, a 
mesma palavra  escrita com letras minsculas. Assim, o Brasil  um Estado; So Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco so exemplos de estados.
  Nos Estados Unidos da Amrica, os governos estaduais tm um grande poder de deciso, inclusive sobre os assuntos mais polmicos: a pena de morte, por exemplo, 
 praticada em alguns estados e foi abolida em outros; certos estados consideram o aborto uma prtica criminosa, enquanto outros o consideram uma prtica legal.
  Entretanto, em todos os casos,  sempre o governo do pas que decide como ele vai se relacionar com o resto do mundo e quem controla as Foras Armadas (Exrcito, 
Aeronutica e Marinha). Alm disso, as leis elaboradas pelas provncias, cantes, repblicas autnomas e estados no podem estar em desacordo com a Constituio, 
que  o conjunto de leis que regem a vida do pas como um todo.
 fim do quadro

138
Atividade 1

          Viajando pelo mundo

  Escolha um pas de cada continente para realizar uma longa viagem de frias. Organize um roteiro do percurso a partir do seu municpio. Informe-se numa agncia 
de viagens a respeito das exigncias que cada um dos pases escolhidos fazem para o ingresso de turistas em seu territrio. Procure explicar por que essas exigncias 
variam de pas para pas. Apresente o resultado da pesquisa em sala de aula.

A origem das fronteiras

  As fronteiras polticas internacionais delimitam a base geogrfica na qual o poder  exercido pelo governo de um pas, ou seja, elas definem os limites territoriais 
dos Estados.
  Essa forma de organizao territorial e poltica surgiu no continente europeu. Antes dela, o poder poltico era exercido pelos proprietrios de terras, integrantes 
da nobreza (fig. 3). Os limites territoriais desse poder eram os limites das propriedades. Um casamento entre membros de duas famlias nobres, por exemplo, freqentemente 
resultava em ampliao do poder das partes envolvidas. Guerras entre famlias rivais podiam resultar em diminuio (em caso de derrota) ou expanso (em caso de vitria) 
dos territrios dessas famlias.

Figura 3. 

foto mostrando Braso medieval da famlia Pazzi, de Florena, na atual Itlia. Durante a Idade Mdia, a briga pelo poder era quase sempre uma briga entre famlias, 
cada qual portando seu braso durante as batalhas

  Os Estados modernos e suas fronteiras comearam a nascer quando o poder poltico passou a ser centralizado na figura do rei. A partir de ento, cada uma das monarquias 
passou a comandar um territrio definido, que se estendia at os limites do territrio comandado pelo monarca vizinho. Em caso de morte dos monarcas, seus sucessores 
continuavam no controle do territrio. 
139
  Os reis contavam com uma equipe de funcionrios, que cuidava da administrao e da cobrana de impostos no interior do reino. O controle sobre a emisso de moeda 
passou a ser tarefa do poder central. Havia tambm os exrcitos regulares, que garantiam o controle do monarca sobre toda a extenso territorial do reino. As guerras, 
 claro, continuaram, mas passaram a acontecer entre exrcitos que lutavam em nome dos reis. Os nobres e proprietrios de terra tiveram de se subordinar ao poder 
real. Observe a foto (fig. 4).

Figura 4. 

foto mostrando a fachada do Palcio de Buckinghan. A seguir, legenda
  O Palcio de Buckingham, em Londres,  a residncia oficial da famlia real britnica. Com o fortalecimento do poder dos reis, as cidades onde eles moravam tambm 
se tornaram mais importantes e se transformaram em capitais.

  A centralizao do poder poltico marcou o surgimento dos Estados modernos, forma de organizao poltica e territorial que se espalhou pelo mundo todo. Na maior 
parte dos casos, a convivncia de muitas geraes de pessoas organizadas politicamente sob um mesmo governo, falando a mesma lngua e obedecendo s mesmas regras, 
ajudou a criar uma identidade histrica e cultural entre elas, a identidade nacional. Este sentimento, que existe nos Estados modernos,  produto desse longo processo.
  Alguns grupos, entretanto, preservam seus laos culturais prprios, diferentes daqueles compartilhados pela maioria da populao dos pases em que vivem. Assim, 
formam minorias nacionais no interior das fronteiras dos Estados.  o caso, por exemplo, do povo basco (veja o mapa da figura 5).

Figura 5. 

          A "Repblica Basca"

mapa mostrando a regio "Basca" provncias espanholas (Viscaya, Guipuzcoa, Alava, Navarra) e provncias francesas (Labourd, Navarra e Soule). A seguir, legenda
  Os bascos representam a maioria da populao em quatro provncias espanholas e em trs provncias francesas.

140
  Os bascos habitam regies prximas s atuais fronteiras entre a Frana e a Espanha, desde muito antes de essas fronteiras existirem. Eles mantm laos de identidade 
prprios e no foram absorvidos pela cultura francesa nem pela espanhola. Assim, continuam a utilizar seu idioma (o euskera) e a preservar seus costumes.
  A organizao poltica dos bascos garantiu a preservao de sua identidade nacional, mas certas organizaes bascas, mais radicais, no abrem mo do desejo de 
construir um pas soberano, mesmo que para isso seja necessrio usar a violncia contra a Espanha (fig. 6).

Figura 6.

foto mostrando prdios arrasados. A seguir, legenda
  Construes arrasadas em Saragoza, no norte da Espanha. O estrago foi causado em dezembro de 1987 por um atentado do 
  ETA, grupo terrorista que luta pela criao de um pas basco. A grande maioria dos bascos, porm, lamenta atos como esse.

Quadro 2

          Os ndios e as naes indgenas

  Na casa dos ndios tapiraps, do Brasil Central, um visitante  recebido de modo bem diferente ao que estamos habituados. Ao chegar, ele  acomodado numa rede. 
Sem pronunciar uma palavra, a esposa, filhas e amigas do dono da casa sentam-se em torno dele. Mantendo as cabeas abaixadas, elas cobrem os olhos com as mos e 
choram profundamente. Suas lgrimas so um jeito bastante particular de desejar boas-vindas ao visitante.
  Os ndios tapiraps habitam o territrio brasileiro, mas mantm ritos, hbitos e costumes prprios, muito diferentes daqueles compartilhados pela grande maioria 
dos brasileiros.  por isso que, muitas vezes, utilizamos o termo nao quando se trata de comunidades indgenas. Quando falamos em nao Tapirap ou nao Ianommi, 
por exemplo, estamos nos referindo a povos unidos por laos culturais especficos, que no se confundem com os que caracterizam a nao brasileira. Na maior parte 
dos casos, esses laos so anteriores  existncia de um pas chamado Brasil.
 fim do quadro

141
Fronteiras em movimento

  Olhe atentamente para os mapas das figuras 7 e 8. O primeiro  um planisfrio que registra apenas a diviso entre as terras emersas e os oceanos no mundo. O segundo 
 um planisfrio poltico. Nele aparece o traado das fronteiras que delimitam e separam os pases do mundo. Algumas das cidades que exercem a funo de capital, 
isto , que funcionam como sede dos governos, tambm esto localizadas nesse mapa.

Figura 7.

          Planisfrio "A"

mapa mostrando o mundo sem fronteiras

Figura 8. 

          Planisfrio "B"

mapa mostrando as fronteiras polticas internacionais e capital de pas

  Observe como existem pases com os mais diversos tamanhos e configuraes. Rssia, Canad, Estados Unidos, China e Brasil, por exemplo, so chamados pases-continente, 
devido  sua grande extenso territorial. Por outro lado, muitos pases europeus so to pequenos que sequer podem ser representados nesse mapa. A Rssia se alonga 
no sentido leste-oeste, enquanto o Chile ocupa uma estreita faixa de terra alongada no sentido norte-sul. Existem tambm pases insulares, que ocupam uma ilha, como 
 o caso de Cuba, ou um arquiplago, tal como o Japo.
  O curioso quebra-cabeas representado no planisfrio poltico no foi obra de uma pessoa ou de um povo em particular, mas reflete muitos sculos da histria da 
humanidade. E, como a histria  um processo sem fim, o planisfrio poltico nunca ser desenhado de forma definitiva. O planisfrio poltico est em constante mutao.
  Os pases podem se desmembrar, originando novas linhas de fronteira. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a antiga Tchecoslovquia (fig. 9). Em 1993, a populao 
de uma de suas provncias, a Eslovquia, resolveu que seria melhor para o seu futuro se ela se transformasse em um pas independente. Como no houve brigas ou disputas, 
o desmembramento da Tchecoslovquia ficou conhecido como o "divrcio de veludo". Dele, nasceram dois pases, com governo, poltica externa, Constituio e exrcitos 
prprios: a Repblica Tcheca e a Repblica Eslovaca (fig. 10).

Figura 9. 

          Tchecoslovquia (1990)

mapa mostrando a Tchecoslovquia: provncias tchecas (Bomia, Morvia, Eslovquia), fronteiras de provncias, fronteiras internacionais. A seguir, legenda
  At 1993, a Tchecoslovquia era formada pela Bomia, pela  Morvia e pela Eslovquia.

Figura 10.

          Repblica Tcheca e Repblica Eslovaca (1993)

mapa mostrando a Repblica Tcheca, Repblica Eslovaca, fronteira de provncia e fronteiras internacionais. A seguir, legenda
  A partir de 1993, a Repblica Eslovaca tornou-se independente, e a cidade de Bratislava se tornou a capital do novo pas.

143
  O processo inverso, ou seja, a fuso de dois pases independentes, tambm pode acontecer. Nesse caso, o traado da fronteira que os separava  eliminado. Foi o 
que aconteceu, por exemplo, quando a Repblica Federal da Alemanha (RFA) englobou a Repblica Democrtica Alem (RDA), em 1990. Confira a foto (fig. 11) e os mapas 
(figuras 12 e 13).

Figura 11.

foto mostrando uma multido, alguns sentados e outros de p, em cima do Muro de Berlim. A seguir, legenda
  Queda do muro que separava a cidade de Berlim em duas zonas, cada qual pertencente a uma Alemanha. O muro de Berlim foi derrubado em setembro de 1989; no ano seguinte, 
a Alemanha foi reunificada.

Figura 12.

          As duas Alemanhas (1989)

mapa mostrando a Repblica Federal da Alemanha e a Repblica Democrtica Alem. A seguir, legenda
  A Alemanha foi repartida em 1948, dando origem aos dois pases retratados no mapa.

Figura 13.

          Alemanha (1990)

mapa mostrando a Repblica Federal da Alemanha. A seguir, legenda
  Em 1990, a Alemanha foi reunificada. Desde ento, s existe um pas chamado Alemanha.

144
  Muitas vezes, a mudana das fronteiras  conseqncia de perdas territoriais que fazem com que um pas "encolha". O caso da Bolvia  bastante ilustrativo: seu 
territrio j foi bem maior do que  hoje, atingindo inclusive o litoral do Oceano Pacfico. Mas, entre os sculos XIX e XX, perdeu pedaos do seu territrio por 
meio de guerras ou tratados. Para o Chile, a Bolvia perdeu a regio de Atacama e a sua nica sada para o mar. Para o Brasil, cedeu todo o territrio atualmente 
ocupado pelo Acre e parte daquele ocupado pelo Mato Grosso do Sul. Por fim, a retrao territorial boliviana completou-se com a anexao de parte da regio do Chaco 
pelo Paraguai. Veja o mapa da figura 14.

Figura 14. 

          As perdas territorias da Bolvia

mapa mostrando os territrios que j pertenceram  Bolvia. A seguir, legenda
  O mapa da Bolvia foi redesenhado nos sculos XIX e XX.

  Assim, a Bolvia, que j foi o segundo maior pas da Amrica Latina, atualmente ocupa o quinto lugar em extenso territorial. E no parece muito conformado com 
isso, principalmente com a perda de sua sada para o mar. Tanto que mantm uma Marinha nacional, composta de 4 mil homens. Pelo menos por enquanto, os marinheiros 
da Bolvia tero de se contentar com a gua doce: sua sede  o Lago Titicaca (fig. 15), o mais alto do mundo!

145
Figura 15.

foto mostrando o Lago Titicaca, na Bolvia. Ao fundo, as elevaes montanhosas que pertencem  Cordilheira dos Andes

As fronteiras contestadas

  Assim como os bascos, existem muitos povos no mundo que mantm uma identidade cultural prpria, diferente daquela dominante no pas em que vivem. Em alguns casos, 
esses povos lutam para redesenhar o planisfrio, de forma a abrir espao para a existncia de um pas s para eles.
   o caso do povo curdo. Os curdos so descendentes de tribos de pastores, que vivem h milhares de anos nas regies montanhosas do ocidente da sia. Atualmente, 
essas terras encontram-se recortadas e divididas pela Turquia (onde existem 12 milhes de curdos), Ir (6 milhes de curdos), Iraque (4 milhes), Sria (800 mil) 
e Armnia (56 mil). 
  A identidade nacional curda  negada pelos governos desses pases. Na Turquia, cerca de metade do exrcito est permanentemente atuando na guerrilha contra o Partido 
dos Trabalhadores Curdos, que luta para criar um pas independente, que se chamaria Curdisto. Veja o mapa da figura 16. O povo curdo  proibido de manter qualquer 
organizao poltica prpria, de usar e estudar a lngua materna. Os pases envolvidos acreditam que dissolver os laos culturais curdos  a melhor maneira de impedir 
que eles continuem a lutar pela independncia.

Figura 16.

          O Curdisto

mapa mostrando a regio onde os curdos so maioria tnica, capital de pas e fronteiras internacionais. A seguir, legenda
  O povo curdo se concentra na regio assinalada no mapa.

146
  Os tuaregues (fig. 17) representam um caso bastante particular de conflito entre identidade cultural e fronteiras polticas internacionais. Trata-se de um povo 
de pastores nmades, que vive h milhares de anos nas proximidades do Deserto do Saara.

Figura 17.

foto mostrando uma mulher sentada em um dromedrio. A seguir, legenda
  Tuaregue no Mali. No mundo das fronteiras e dos Estados, parece no haver lugar para os povos nmades.

  Os tuaregues nunca possuram um territrio delimitado - e no lutam por isso. Povos cujo modo de vida  nmade, ou seja, baseado em constantes deslocamentos, no 
se relacionam necessariamente com a existncia de fronteiras.
  Entretanto, a regio tradicional de circulao nmade dos tuaregues foi recortada pelas fronteiras da Mauritnia, Mali, Nger e Lbia. Confira no mapa da figura 
18. Assim, o nomadismo no deserto passou a ser controlado - e s vezes proibido - pelos governos desses pases. Em muitas regies, os tuaregues tiveram de abandonar 
seu modo de vida tradicional e estabilizar seus rebanhos, ou seja, faz-los pastar sempre no mesmo lugar. Isso tem trazido conseqncias dramticas para o ambiente 
natural, pois esse pastoreio intensivo provoca o rpido esgotamento dos j pobres solos da regio.

Figura 18.

          frica: regio dos tuaregues

mapa mostrando os pases por onde circulam os tuaregues e fronteiras internacionais. A seguir, legenda
  Os povos tuaregues circulam por essa regio h milhares de anos.

147
Tipos de fronteiras

Quadro 3

          Os meninos da fronteira

  Joo Santo do Carmo, de 11 anos, e seus amiguinhos fizeram uma grande descoberta.
  Joo Santo, liderando uma expedio de umas vinte crianas, atravessou de canoa o Igarap Santo Antnio e foi para as margens do Rio Solimes  procura do marco 
perdido.
  O marco estava perdido na fronteira do Brasil com a Colmbia, entre as cidades de Letcia, na Colmbia, e Tabatinga, no Brasil. Joo Santo e seus amigos moram 
todos em casebres de palafitas, a 20 metros da linha de fronteira.
  As crianas no se preocupam muito com essa histria de fronteira. Sabem apenas que "do lado de l" as pessoas falam diferente, falam espanhol.  fcil falar. 
Todas as crianas da fronteira conhecem muitas palavras em espanhol. E algumas cantam uma msica inteirinha em espanhol.
  Fora isso, as crianas sabem que o outro lado no tem nada a ver com o Brasil. A bandeira  diferente e at os soldados tm uma roupa diferente. Mas as crianas 
de l so muito parecidas com as de c, e muitas vezes elas brincam juntas. Para no haver confuso, um dia elas escolhem o espanhol para a brincadeira e outro dia 
escolhem o portugus. Todo mundo  amigo. (Cludio Bojunga e Fernando Portela, Fronteiras, p. 191.)

Figura 19.

          Localizao de Letcia e Tabatinga

mapa mostrando a localizao das cidades gmeas, capital de pas e fronteiras internacionais. A seguir, legenda
  Letcia e Tabatinga esto em pases diferentes, mas suas populaes esto permanentemente em contato.

 fim do quadro

  As fronteiras polticas,  claro, no so um fato da natureza. Pases e fronteiras so produto da histria.
  Entretanto seu traado pode acompanhar um elemento da natureza, como um rio, um mar ou uma montanha. Parte do traado da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, 
por exemplo, acompanha o curso do Rio Paran; o Rio Grande separa o Mxico dos Estados Unidos. Essas fronteiras so chamadas fronteiras naturais, ainda que o termo 
no seja muito apropriado, pois fronteiras so sempre polticas. Muitas brigas de fronteiras j aconteceram simplesmente porque o rio que as delimitava mudou o seu 
curso, e o que era territrio de um pas passou a pertencer a outro!
  Na poca em que o Brasil era colnia de Portugal, os portugueses se aproveitaram dessa idia de fronteiras naturais para tentar estender seus domnios at as margens 
do Rio da Prata, que eles diziam ser o limite "natural" entre a Amrica portuguesa e a Amrica espanhola. Chegaram at a fundar um ncleo de povoamento por l, a 
Colnia de Sacramento.
148
Os espanhis no gostaram muito dessa histria: no viram nada de "natural" no expansionismo portugus e exigiram o controle sobre toda a foz (1) veja a pgina 375 
do Rio da Prata.
  Quando as fronteiras no acompanham nenhum elemento da natureza, elas recebem o nome de fronteiras artificiais. Nesse caso,  necessrio que se construam marcos 
de fronteiras, assinalando onde comea um pas e onde termina o outro.
  A localizao exata dos marcos depende de clculos de engenharia cartogrfica que, em geral, so realizados por uma comisso mista de tcnicos dos pases fronteirios. 
A forma e o desenho do marco tambm so negociados em conjunto. Se ele tombar ou for destrudo pelo tempo, forma-se outra comisso para reinstal-lo, sempre envolvendo 
profissionais dos dois lados da fronteira.
  Nos pases com litoral, o limite da soberania se estende at o oceano. O limite do mar territorial, ou seja, do mar que "pertence" a um determinado pas,  definido 
em convenes internacionais. O Arquiplago de Abrolhos (fig. 20), por exemplo,  uma rea de preservao ambiental situada no mar territorial brasileiro.

Figura 20.

foto mostrando o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, a cerca de 100 quilmetros da costa do Estado da Bahia. As baleias jubarte se reproduzem nas guas claras desse 
mar

  As fronteiras polticas e o limite da soberania se estendem tambm sobre o ar. Segundo as regras internacionais, o espao areo que recobre um pas lhe "pertence". 
Assim, cruzar um determinado espao areo em vo no-identificado e no-autorizado 

pode ser interpretado como uma invaso.

Atividade 2

Figura 21.

          Mar territorial

mapa mostrando as grandes zonas pesqueiras do mundo. A seguir, descrio
 o Principais zonas de pesca de anchova, arenque, sardinha, bacalhau, cavala, crustcios, atum, linguado, salmo, esturjo e moluscos
 o Participao da regio na produo mundial de pescado em %:
  Amrica do Norte e Amrica Central - 9,2
  Amrica do Sul - 15,3
  Europa e Ex-URSS - 26,5
  sia - 44
  frica - 4,2
  Oceania - 0,8
 o Produo anual da regio (em toneladas):
  Amrica do Norte e Amrica Central - 8.372.100 t
  Amrica do Sul - 
  14.042.700 t
  Europa e Ex-URSS - 23.796.300 t
  frica - 4.384.800 t
  sia - 40.219.300 t
  Oceania - 641.700 t

  Responda em seu caderno:

 1. Quais so as principais regies de pesca no mundo?
 2. Por que a delimitao do mar territorial  importante para os pases produtores de pescado?

pea orientao ao professor

Fronteiras vigiadas

  As fronteiras so consideradas pontos estratgicos do territrio de um pas. O controle sobre elas representa o controle sobre os fluxos de entrada e sada de 
pessoas e mercadorias de um territrio. A existncia da migrao
150
ilegal, ou seja, a entrada de pessoas em um pas, sem autorizao do seu governo, prova que nem sempre os governos conseguem ter um controle absoluto sobre as fronteiras 
de seu territrio.
  Mas no  s da migrao ilegal que um pas protege suas fronteiras. O contrabando, ou seja, o comrcio internacional de mercadorias realizado ilegalmente, sem 
a autorizao dos governos envolvidos, representa uma ameaa constante ao controle dos governos sobre os fluxos que penetram no territrio de um pas. Muitas vezes, 
esse comrcio ilegal envolve mercadorias cujo consumo  proibido pelo governo, tanto no pas produtor quanto no pas receptor, tais como as drogas. O contrabando 
e o trfico internacional de drogas so um dos maiores problemas enfrentados no controle das fronteiras.
  Por exemplo, o contrabando de produtos (principalmente carros) roubados no Brasil para o Paraguai e, na direo contrria, o contrabando de produtos importados 
do Paraguai (principalmente bebidas e eletroeletrnicos) para o Brasil foram, durante muito tempo, fonte de preocupao para os dois pases. Veja a foto (fig. 22). 
Atualmente, porm, com a maior disponibilidade de mercadorias importadas no mercado brasileiro, o contrabando do Paraguai para o Brasil tem diminudo bastante.

Figura 22.

foto mostrando a Ponte da Amizade, sobre o Rio Paran, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Muitos "sacoleiros" ainda atravessam essa ponte diariamente, carregando 
os mais diversos tipos de mercadoria

Fronteiras permeveis

  Em 1993, a suspeita de que teria havido uma chacina de ndios cometida por garimpeiros dentro da reserva indgena Ianommi levou o ento ministro da Justia brasileiro 
e um grande nmero de agentes da Polcia Federal para a regio amaznica, nas proximidades da fronteira 
da Venezuela.
151
  Depois de algum tempo de investigao, descobriu-se que a chacina tinha ocorrido em territrio venezuelano. As autoridades brasileiras, sem saber, haviam ultrapassado 
a fronteira e estavam operando fora do territrio brasileiro.
  A reserva indgena Ianommi (fig. 23) ocupa uma grande extenso de terras na fronteira entre o Brasil e a Venezuela. Para os ndios, a fronteira poltica que atravessa 
o territrio da reserva no tem nenhum significado. Alis, a localizao dessa fronteira  to incerta que sequer as autoridades brasileiras sabiam em que pas estavam 
pisando. Esse  um bom exemplo de fronteira permevel.

Figura 23.

          Reserva Ianommi

mapa mostrando a Reserva Ianommi. A seguir, descrio
 o Fronteiras internacionais
 o Fronteiras interestaduais
 o Capital estadual
 o Rodovia sem pavimentao
 o Reserva Ianommi
 o Terras Ianommi na Venezuela 
  Legenda: o territrio dos ianommis se estende por 96 mil quilmetros quadrados do lado venezuelano e por 94 mil quilmetros quadrados do lado brasileiro. Esses 
ndios vivem perambulando entre as muitas aldeias que se espalham dos dois lados da fronteira.

  No  por acaso que a demarcao (2) da reserva indgena Ianommi despertou tantas crticas por parte dos militares brasileiros. Eles acreditam
152
que a reserva deixa imprecisos os limites de soberania do governo brasileiro. A preocupao dos militares com a demarcao e o controle da fronteira norte do Brasil 
no se encerra no debate sobre as reservas indgenas. Muitos projetos j foram realizados com esse objetivo.
  O Calha Norte, projetado em 1985,  um dos mais importantes. Trata-se da instalao de uma rede integrada de bases do Exrcito e da Marinha ao longo de toda a 
linha de fronteira norte do Brasil, envolvendo a linha de fronteiras com a Colmbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Observe o mapa (fig. 24). O Calha 
Norte visa garantir a presena e a movimentao das Foras Armadas brasileiras e estabelecer um controle efetivo do nosso governo sobre essa parte do territrio.

Figura 24. 

          O Projeto Calha Norte

mapa mostrando a localizao da Calha Norte, Base do Exercto, Base da Aeronutica, Reserva indgena e Aldeia indgena. A seguir, legenda
  As bases militares do Projeto Calha Norte esto distribudas pela fronteira setentrional do Brasil.

  J o Sivam (Sistema de Vigilncia da Amaznia), concebido no incio da dcada de 1990, volta-se para o controle do espao areo amaznico. Veja o mapa (fig. 25). 
O Sivam consiste em uma rede de monitoramento alimentada por imagens geradas por satlites, por radares fixos no solo e por sensores instalados em avies. Por meio 
desse sistema, o governo pretende combater o trfico de drogas e a extrao ilegal de minrios, alm de conhecer melhor os recursos naturais da regio. Para monitorar 
as "fronteiras areas" da Amaznia, o governo brasileiro trouxe a alta tecnologia para o corao da floresta.

Figura 25. 

          O Projeto Sivam (1998)

mapa mostrando o Sistema de Vigilncia da Amaznia. A seguir, descrio
 - Centros de controle de informaes
 - Rede de radares (prevista para o ano 2003)
 - Radares fixos em operao (1998)
 - Limite da Amaznia Legal
  Legenda: o Sivam usa as mais modernas tecnologias de informao para "vigiar" a Floresta Amaznica.

153
Passando a limpo

  Observe com ateno os mapas a seguir.

154
Figura 26.

mapa mostrando a Europa no comeo do sculo XX. A seguir, descrio
 Portugal, Espanha, Frana, Blgica, Pases Baixos, Reino Unido, Noruega, Sucia, Dinamarca, Imprio Alemo, Sua, Itlia, Imprio Austro-hngaro, 
Srvia, Romnia, Bulgria, Imprio Otomano, Imprio Russo

Figura 27.

mapa mostrando a Europa no entre guerras (1919-1939). A seguir, descrio
 Portugal, Espanha, Frana, Blgica, Pases Baixos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Sucia, Dinamarca, Alemanha, Sua, ustria, Tchecoslovquia, Itlia, Iugoslvia, 
Albnia, Grcia, Bulgria, Romnia, Polnia, Litunia, Letnia, Estnia, Unio Sovitica

Figura 28.

mapa mostrando a Europa no final da Segunda Guerra Mundial, (1945). A seguir, descrio
 Portugal, Espanha, Frana, Luxemburgo, Blgica, Pases Baixos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Sucia, Finlndia, Dinamarca, Alemanha, Sua, ustria, Tchecoslovquia, 
Itlia,  
Hungria, Iugoslvia, Albnia, Grcia, Bulgria, Romnia, Polnia, Unio Sovitica

155
Figura 29.

mapa mostrando a Europa atual. A seguir, descrio
 Portugal, Espanha, Andorra, Frana, Luxemburgo, Blgica, Pases Baixos, Reino Unido, Irlanda, Islndia, Noruega, Sucia, Finlndia, Dinamarca, Polnia, Alemanha, 
Sua, ustria, Rep. Tcheca, Rep. Eslovaca, Itlia,  
Hungria, Eslovnia, Crocia, Bsnia-Herzegovina, Iugoslvia, Albnia, Macednia, Grcia, Turquia (parte Europia), Bulgria, Romnia, Moldova, Ucrnia, Belarus, 
Rssia, Litunia, Letnia, Estnia, Federao Russa, Gergia, Armnia, Azerbaijo

  Responda no seu caderno:

 1. Que pases europeus no sofreram alteraes no traado de suas fronteiras ao longo do sculo XX?
 2. Em que parte da Europa as transformaes territoriais foram mais intensas?
 3. Que pases foram criados no decorrer desse perodo?

Notas de rodap

 (1) Foz - rea em que um rio desgua. Isso pode acontecer em um outro rio ou no mar.
 (2) Demarcao - No caso das terras indgenas,  o reconhecimento do direito de uso de uma rea por um determinado povo.

               oooooooooooo
156

Captulo 11
        
          As migraes internacionais

  O homem sempre se deslocou pelo planeta Terra. No se sabe exatamente quais os caminhos percorridos por nossos ancestrais, mas a maior parte dos estudiosos acredita 
que o continente africano foi o ponto de partida. De acordo com esses estudiosos, a nossa espcie surgiu na frica e, mais tarde, espalhou-se pelos outros continentes.
   muito provvel que os primeiros viajantes tenham sido movidos pela busca de alimentos. Eles dependiam da caa e da coleta para sobreviver, j que no conheciam 
a agricultura. A escassez de alimentos explicaria a busca constante de novas reas. Alteraes no ambiente natural, tais como secas prolongadas ou diminuio da 
temperatura, podiam diminuir o estoque de alimentos disponveis, criando a necessidade de outras viagens.
  Abrindo sempre novos caminhos e se adaptando s mais diversas condies naturais, sucessivas geraes de seres humanos colonizaram praticamente toda a superfcie 
do planeta. Leia o quadro 1.

Quadro 1

          A primeira descoberta da 
          Amrica

  Quem descobriu a Amrica? As primeiras comunidades humanas que pisaram no continente ou o primeiro navegante europeu que por aqui desembarcou? Como no foram encontrados 
fsseis dos ancestrais do gnero humano em terras americanas,  certo que houve uma primeira descoberta, ocorrida milnios antes das Grandes Navegaes e da famosa 
expedio de Cristvo Colombo.
  Essa primeira descoberta explica os milhares de grupos e sociedades humanas que j existiam no continente quando os europeus chegaram. O choque entre os nativos 
americanos, descendentes dos primeiros descobridores, e os europeus, que viam no continente um imenso tesouro a ser explorado, foi certamente um dos captulos mais 
cruis da histria da humanidade.
 fim do quadro

  Contudo, esses primeiros viajantes se deslocavam em um mundo muito diferente deste que conhecemos. No havia pases, fronteiras polticas internacionais e postos 
para controlar a entrada e a sada das pessoas.

157
Em busca de asilo

  As pessoas migram, ou seja, deixam seus pases, pelos mais diversos motivos. Conflitos religiosos, por exemplo, j estiveram na origem de grandes movimentos migratrios 
internacionais. Nesses casos, as pessoas partem porque suas crenas e valores no so respeitados no lugar em que nasceram. Em pases onde no h democracia (1) 
veja a pgina 402, as pessoas podem ser obrigadas a ir embora porque manifestam publicamente seu descontentamento com os governos. Isso j aconteceu com brasileiros, 
quando os governantes no eram eleitos pelo povo!
  Guerras e conflitos civis tambm podem resultar em deslocamentos populacionais de grandes dimenses. Quando um pas est em guerra com outro, ou mesmo quando diferentes 
grupos nacionais que vivem em um mesmo Estado entram em conflito armado, a migrao pode se transformar em alternativa de sobrevivncia para muitas famlias.
  As pessoas que deixam o pas em que vivem para escapar de massacres, de perseguies e da violncia da guerra (fig. 1) so chamadas refugiados. Nesse caso, a migrao 
no  uma escolha, mas uma necessidade.

Figura 1. 

foto mostrando um homem e uma mulher com expresses de sofrimento nos rostos. A seguir, legenda
  Sarajevo, capital da Bsnia, em 1995. Muitas pessoas tiveram de abandonar a cidade, devido aos conflitos sangrentos que varreram a regio na dcada de 1990.

  Mais de 20 milhes de pessoas encontram-se atualmente nessa situao, ou seja, tiveram de abandonar seu pas e buscar asilo (2) em outro. Esse enorme contingente 
de refugiados  resultado das guerras civis que acontecem ou aconteceram recentemente na Amrica Central, na Europa, no sul da sia e na frica.
  O caso da frica  o mais dramtico. Devido s interminveis guerras civis existentes em muitos pases africanos, milhares de pessoas so expulsas anualmente de 
suas casas e de seu pas e raramente conseguem asilo nos pases vizinhos.
  A persistncia de tantos focos de conflito no continente africano relaciona-se com o que estudamos no captulo 10, ou seja, com o surgimento dos Estados modernos 
e das fronteiras polticas internacionais. Em grande parte, eles acontecem porque as fronteiras que separam os Estados no foram traadas de acordo com os laos 
culturais que existiam entre os povos africanos. Alis, elas sequer tiveram origem na prpria frica.
158
  As fronteiras polticas africanas foram desenhadas na Europa, com o objetivo de estabelecer qual a parte do continente que seria explorada por cada um dos pases 
europeus, principalmente a Frana e a Gr-Bretanha. Esses pases no estavam nem um pouco interessados em saber como os nativos africanos organizavam seu prprio 
territrio. Na verdade, eles sequer conheciam direito as reas que estavam sendo divididas.
  Mais tarde, quando os territrios colonizados se transformaram em pases independentes, as linhas traadas pelos europeus para dividir o continente africano entre 
si serviram de base para delimitar as fronteiras polticas. Elas passaram a separar pases soberanos. Observe o mapa da figura 2.
  Os laos culturais nativos continuaram a ser ignorados. Em muitos casos, povos inimigos, com uma longa histria de guerras e rivalidades, foram juntados no mesmo 
territrio. Em outros casos, povos com fortes laos culturais (que falam a mesma lngua, cultuam os mesmos deuses etc.) foram separados em territrios distintos.

Figura 2. 

          frica: fronteiras polticas e focos de conflito

mapa mostrando as reas das guerras civis e reas de contestaes e tenses de fronteiras. A seguir, legenda
  Existem muitos focos de disputa nas fronteiras que separam os pases africanos. O mapa retrata a situao no incio de 1993.

  Assim, muitos povos diferentes, que dividem o mesmo territrio, vivem em permanente estado de guerra pelo controle poltico do pas. Quando um deles toma o poder, 
os outros recomeam o conflito, resultando em uma guerra civil quase permanente. Isso ajuda a entender o grande nmero de refugiados de guerra que existe na frica, 
como as pessoas mostradas na foto (fig. 3).

Figura 3. 

foto mostrando vrias barracas de lona e vrias pessoas em uma grande rea verde. A seguir, legenda
  Campo de refugiados em Ruanda, pas africano, em 1994.

Em busca de trabalho

  Os refugiados representam uma parcela importante dos fluxos migratrios da atualidade. Porm, a chamada migrao "econmica"  bem maior. Cerca de 100 milhes 
de pessoas vivem fora de seu pas de origem, sendo que a maioria delas migrou em busca de melhores condies de trabalho e de vida.
  No mapa a seguir (fig. 4) esto representadas as correntes migratrias mais importantes do mundo, ou seja, aquelas que envolvem o maior nmero de pessoas. Observe 
que, na maior parte dos casos, essas correntes saem de pases e regies pobres e se dirigem a pases e regies ricas.

Figura 4. 

          Principais fluxos migratrios do mundo

mapa mostrando as direes do fluxo migratrio. A seguir, legenda
  Anualmente, milhares de pessoas deixam seu pas em busca de melhores condies de vida.

160
  Mxico, Amrica Central e sul da sia so pontos de partida, ou seja, representam reas de repulso populacional. A dificuldade de se obter um bom emprego e os 
baixos salrios ajudam a entender esse fenmeno. A ausncia de boas escolas para os filhos daqueles que ganham menos e a precariedade dos servios de sade e de 
transporte tambm pesam na deciso de muitas famlias migrantes.
  Por outro lado, os Estados Unidos, os pases europeus e o Japo aparecem como reas de atrao para os migrantes. Tambm existe desemprego e misria nessas regies, 
mas a maior parte dos migrantes acredita que vai encontrar melhores oportunidades de trabalho e, portanto, uma vida melhor nos pases ricos. Alm disso, apesar do 
desemprego, existe 
uma oferta razovel de trabalho para pessoas de baixa qualificao (aquelas que no estudaram muito), como  o caso da maior parte dos migrantes.
  Tambm os pases do Golfo Prsico se destacam como pontos de chegada para milhes de pessoas que procuram uma vida melhor fora do pas no qual nasceram. Como a 
economia desses pases gira em torno do petrleo, so as atividades ligadas a ele que geram ofertas de trabalho e incentivam a imigrao para a regio. Grande parte 
da populao do Kuwait (fig. 5), por exemplo,  constituda por imigrantes.

Figura 5. 

foto mostrando um operrio trabalhando na extrao de petrleo no Kuwait, pas situado no Oriente Mdio. A mo-de-obra  recrutada nos pases pobres do sul da sia 
e do norte da frica

  Os movimentos migratrios representados na figura 4 causam um grande impacto na vida econmica e social, tanto nos pases e regies de origem quanto nos pases 
e regies de destino.
  O dinheiro que os emigrados instalados nos pases ricos enviam para as suas famlias (nos pases de origem)  uma importante fonte de riqueza. Em geral, so jovens 
que deixam para trs os parentes mais velhos. Assim, parte do dinheiro que ganham volta para o pas de nascimento, na forma de donativos para a famlia. Somadas, 
essas transferncias ajudam a melhorar as contas nacionais.
  El Salvador  um bom exemplo. Nesse pas, o dinheiro enviado pelos emigrantes (os salvadorenhos residentes no exterior) supera o total de dinheiro conseguido pela 
venda de caf, o mais importante produto de exportao. Para o Mxico, o dinheiro dos emigrados  a segunda fonte de rendimentos do pas, vindo logo atrs da receita 
obtida com a venda do petrleo. Nesses dois casos, o dinheiro vem principalmente dos Estados Unidos. Da mesma forma, os africanos que vivem na Europa e no Oriente 
Mdio contribuem anualmente com bilhes de dlares para as suas famlias e, indiretamente, para os seus pases de origem.
  Isso no significa que  sempre um bom negcio para os pases pobres possuir um grande nmero de cidados morando nos pases ricos. Essas pessoas mandam dinheiro 
porque esto trabalhando e gerando riquezas, s que fora de seus pases de origem. Se houvesse uma poltica para criao de empregos e mais investimentos pblicos 
nos pases pobres, essas riquezas
161
poderiam estar sendo geradas ali mesmo, contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos seus cidados.
  Na maioria dos pases ricos, por sua vez, as medidas de restrio  entrada de migrantes se tornam mais severas a cada ano. Ao mesmo tempo, cresce o combate  
imigrao ilegal, ou seja, aquela no-autorizada pelo pas de destino. Isso acontece por vrios motivos.
  Muitos governantes alegam que os imigrantes pobres representam um peso para os pases ricos, pois eles sobrecarregam os servios pblicos, tais como educao, 
sade etc. Alguns partidos e agremiaes polticas, principalmente na Europa, mas tambm nos Estados Unidos, elegem o imigrante como inimigo pblico nmero 1. Eles 
dizem que os imigrantes so culpados tanto pelo aumento do desemprego quanto pelo crescimento da misria e da violncia urbana.
  Mas os fluxos migratrios internacionais se originam do enorme abismo econmico que separa os pases pobres dos pases ricos - e eles continuaro existindo enquanto 
a riqueza permanecer concentrada em alguns pases e regies do planeta. Alm do mais, grande parte dos imigrantes realiza os servios pesados e mal pagos, que no 
interessam  populao nativa dos pases ricos.

Atividade 1

          Combatendo preconceitos

  No tenho nada contra rabes e africanos, desde que eles fiquem em seus pases.
  Depoimento de Jacques Martinez, francs, 19 anos (Folha de S. Paulo, 13 jul. 1992).

  Ns no temos lugar aqui para crianas maltrapilhas, com pais que tiram os empregos dos alemes. Ns j temos problemas demais.
  Depoimento de Petra, alem, 15 anos (Isto, 2 set. 1992).

  Responda em seu caderno:

 a) Por que existem tantos imigrantes na Frana e na Alemanha?
 b) Qual a posio desses dois jovens em relao aos imigrantes que vivem em seus pases?
 c) Voc acha que essa posio  preconceituosa? Explique por qu.

O sonho americano

  Os Estados Unidos so campees absolutos em nmero de imigrantes: desde 1800, mais de 40 milhes de estrangeiros foram morar l.
  No sculo XIX, os imigrantes eram mais do que bem recebidos, eram at financiados e atrados pelo governo, que oferecia terras para quem quisesse se estabelecer. 
Para ocupar o pas, transformar as terras em campos de cultivo e aumentar a produo de riquezas nas cidades eram necessrios muitos trabalhadores. E eles vieram 
aos milhes, principalmente dos pases da Europa, mas tambm de alguns pases asiticos, em especial da China.
162
  A maior parte deles chegava de navio e entrava no pas pelo porto de Nova Iorque. A triagem e a distribuio dos trabalhadores eram feitas na Hospedaria dos Imigrantes, 
localizada em uma pequena ilha prxima ao porto. Muito mais tarde, a antiga hospedaria viria a se transformar no Museu da Imigrao (fig. 6), que guarda a histria 
dos homens e mulheres que chegaram miserveis e maltrapilhos, mas que iriam ajudar a construir uma grande potncia. Talvez isso seja uma lio para os preconceituosos 
de agora!

Figura 6.

foto mostrando o Museu da Imigrao, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Quase 40 milhes de pessoas imigraram para o pas entre 1800 e 1930

  Desde ento, as coisas mudaram muito. As terras frteis h muito j esto ocupadas pelos fazendeiros ricos. As indstrias, cada vez mais modernas, precisam cada 
dia menos de trabalhadores desqualificados. Os migrantes - que, agora, chegam sobretudo do Mxico e do Caribe (observe outra vez a fig. 4) - no so bem-vindos pelo 
governo norte-americano. Por isso, h o combate cada vez maior  imigrao ilegal e o controle cada vez mais sofisticado sobre as fronteiras terrestres e martimas 
do pas.
  Os Estados Unidos compartilham uma grande linha de fronteira terrestre com o seu vizinho do norte (Canad) e com o seu vizinho do sul (Mxico). As fronteiras terrestres 
dos Estados Unidos com o Canad e com o Mxico so protegidas de forma diferente pelo governo norte-americano.
  O Canad  um pas rico, e sua populao tem uma excelente qualidade de vida. As chances de um trabalhador sem qualificao decidir atravessar a fronteira e ir 
tentar a sorte nos Estados Unidos so pequenas. Assim, no h por que gastar dinheiro controlando essa fronteira.
163
  J o Mxico, ao contrrio,  um pas pobre. O mercado de trabalho norte-americano funciona como um poderoso atrativo para os mexicanos, principalmente para aqueles 
que vivem prximo da linha de fronteira. A migrao ilegal de mexicanos  um grande problema para os Estados Unidos, que buscam manter uma vigilncia constante sobre 
sua fronteira sul. Entretanto, os mexicanos no param de chegar. Alm dos mexicanos, entram anualmente no pas milhares de pessoas vindas dos pases pobres da Amrica 
do Sul (incluindo o Brasil) e do Caribe, muitos deles pelo mar. Assim, a costa da Flrida tambm est sob vigilncia permanente. Veja a foto (fig. 7).

Figura 7.

foto mostrando barco da Guarda Costeira norte-americana patrulha a costa da Flrida. Embarcaes de imigrantes ilegais no so bem-vindas nos portos do pas

  As leis norte-americanas impem severas penalidades para quem contrata trabalhadores que vivem ilegalmente no pas. Mesmo assim, muitos empregadores preferem arriscar-se 
a levar uma multa do que pagar salrios mais altos a empregados norte-americanos ou a imigrantes que estejam com a situao regularizada.

A fortaleza europia

  Como j vimos, a maior parte dos imigrantes que chegou aos Estados Unidos no sculo XIX vinha da Europa. Nessa poca, quase todos os pases europeus eram reas 
de repulso populacional, isto , regies de origem de movimentos migratrios populacionais.
  A modernizao da agricultura reduziu muito a oferta de trabalho no campo, gerando enormes fluxos de colonizadores em busca de terra e trabalho fora do continente. 
Os Estados Unidos receberam a maior parte
164
desse contingente, mas tambm ocorreram fluxos migratrios importantes na direo do Canad, da Argentina, do Chile, do Brasil (fig. 8), da Austrlia, da Nova Zelndia 
e da frica do Sul. 

Figura 8.

foto mostrando parte de Blumenau, no Estado de Santa Catarina, foi fundada por imigrantes alemes. At hoje, as tradies germnicas esto presentes nas festas da 
cidade

  Essa situao iria se inverter no sculo XX. A prosperidade econmica e o aumento da oferta de empregos transformaram as antigas reas de repulso em reas de 
atrao de migrantes.
  Os imigrantes que chegam  Europa partem principalmente das regies que j foram colonizadas pelos europeus e que se transformaram em pases independentes e pobres. 
 o caso do Marrocos, da Arglia e da Tunsia, na frica do Norte, dos quais saem anualmente milhares de trabalhadores em direo  Frana.  tambm o caso da ndia 
(fig. 9) e do Paquisto, que geram intensos fluxos em direo  Inglaterra.

Figura 9.

foto mostrando duas mulheres alimentando pombos nas mos. A seguir, legenda
  Indianas nas ruas de Londres, capital da Inglaterra. Suas roupas coloridas emprestam alegria para a cidade acinzentada.

  Existem ainda outras rotas importantes: a Alemanha, pas europeu que conta com o maior nmero de trabalhadores estrangeiros, recebe principalmente imigrantes turcos.
  Assim como os Estados Unidos, muitos pases da Europa tambm declararam guerra contra a imigrao ilegal, fechando e controlando as suas fronteiras da forma mais 
severa possvel. Mas, tambm nesse caso, trata-se de uma poltica ineficaz: apesar das restries, 500 mil pessoas chegam anualmente ao continente europeu.
  Alm disso, existe um intenso movimento migratrio intra-europeu, ou seja, que tem origem e destino no continente. Trabalhadores irlandeses, portugueses, espanhis 
e gregos, por exemplo, dirigem-se em massa para a Inglaterra, Alemanha e Frana, em busca de ofertas no mercado de trabalho, mesmo nos empregos de baixa qualificao. 
Nesse caso, no existem restries legais, pois um acordo entre os pases que compem a Unio Europia (observe o mapa da fig. 10) tornou livre o trnsito de mercadorias 
e de pessoas atravs de suas fronteiras. Entretanto, mesmo nesse caso, o preconceito  forte.

165

Figura 10.

          A Unio Europia (1998)

mapa mostrando os pases integrantes da Unio Europia. A seguir, descrio
 Portugal, Espanha, Andorra, Frana, Luxemburgo, Blgica, Pases Baixos, Reino Unido, Irlanda, Sucia, Finlndia, Dinamarca, Alemanha, ustria, Itlia, Grcia
  Legenda: o tratado que criou a Unio Europia prev a livre circulao de pessoas, servios, capitais e mercadorias entre os pases que dela fazem parte.

Atividade 2

          Os migrantes europeus

  Com a ajuda do professor, organize a classe em grupos. Cada grupo dever montar um painel sobre a migrao e a vida dos migrantes nos pases europeus, usando artigos 
de jornais e revistas.

Passando a limpo

 1. Com base no mapa da figura 4, descreva os principais fluxos migratrios internacionais. Explique, com suas palavras, por que existem tantos migrantes e que razes 
os levam a deixar o seu pas.
 2. Leia com ateno o texto seguinte:

  O nmero de imigrantes que vivem nos Estados Unidos atingiu em 1994 a maior proporo desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo dados divulgados pelo Censo, 8,7% 
dos residentes dos EUA - o equivalente a 22,6 milhes de pessoas - haviam nascido em outros pases. Isso significa que 1 em cada 11 residentes de cidades norte-americanas 
 estrangeiro. A pesquisa levou em conta imigrantes legais e ilegais. Cerca de um tero do total vive na Califrnia (costa oeste). Os outros estados com grande concentrao 
de estrangeiros so Texas, Arizona, Nova Jersey, Nova Iorque e Flrida. (Adaptado de Folha de S. Paulo, 30 ago. 1995.)

  Com base no texto e no que voc estudou, responda em seu caderno:

 a) Por que existem tantos imigrantes nos Estados Unidos?
 b) De quais pases eles partiram?

Notas de rodap

 (1) Democracia - Regime poltico no qual o povo  livre para escolher seus governantes e para expressar suas opinies.
 (2) Asilo - Proteo para pessoas que tiveram de abandonar seu pas de origem devido a perseguio poltica ou religiosa.

               oooooooooooo
166

Captulo 12

          A cidadania e a vida em 
          sociedade

  Para muita gente, cidadania  apenas o direito de votar e ser votado. Entretanto, cidadania  muito mais do que isso. Ela envolve tambm o direito de cada indivduo 
a condies dignas de vida,  liberdade de manifestao de seus valores culturais e religiosos e  liberdade de organizao poltica, social. Em outras palavras, 
 o direito de um indivduo fazer livremente suas prprias escolhas.
  Todo cidado tem direito de acesso  escola, de poder contar com um sistema de sade de boa qualidade, de trabalhar e de ter liberdade para se organizar e expressar 
suas idias. Com tudo isso, ele pode exercer sua capacidade de escolha, isto , determinar a maneira como quer viver.
  A cidadania  um exerccio cotidiano. O surgimento de novos problemas e necessidades sociais amplia permanentemente o conceito de cidadania. Isso acontece, por 
exemplo, quando ambientalistas, negros, mulheres e estudantes tornam pblicas suas reivindicaes e buscam adeptos para suas causas. A cidadania , tambm, uma conquista 
permanente.
  Infelizmente, muitas pessoas ainda no tm seus direitos de cidado assegurados. As crianas, por exemplo, possuem direitos especficos de cidadania que nem sempre 
so respeitados. Grande parte das crianas do mundo no tem acesso  educao e  sade. Alm disso, desde os primeiros anos escolares, muitas delas so obrigadas 
a trabalhar para ajudar no sustento da famlia, mesmo recebendo salrios bem mais baixos do que os dos adultos. Por isso, acabam abandonando a escola precocemente. 
Veja as fotos (figuras 1 e 2).

Figura 1.

foto mostrando uma criana trabalhando. A seguir, legenda
  Trabalho na minerao de estanho, na Ebesa (Empresa Brasileira de Estanho), em maio de 1998. Isso  lugar de criana?

Figura 2.

foto mostrando uma criana vendendo goma de mascar no trnsito. A seguir, legenda
  Comrcio ambulante nas ruas de So Paulo, em 1996. A luta pela vida comeou cedo demais para esse garoto.

167
  A luta pelos direitos da cidadania se manifesta quando a populao de uma determinada localidade se organiza em associaes para reivindicar melhorias das suas 
condies de vida. Cada movimento recebe um nome, ligado  causa que defende. Assim, surgem movimentos de luta por sade, por moradia etc.
  Reivindicar o acesso  terra tambm  uma forma de ser cidado.  o que faz o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Brasil. Seus membros querem 
a terra para trabalhar e produzir e protestam contra a existncia de propriedades agrcolas sem uso.
  Os movimentos dos negros lutam contra o preconceito racial, alm de reivindicarem, por exemplo, garantia de vagas em universidades pblicas. Veja na foto (fig. 
3) uma manifestao desse movimento. As mulheres se organizam para garantir a igualdade no mercado de trabalho, como salrios iguais aos dos homens quando desempenham 
a mesma funo e participao em cargos de deciso. Em diversos pases, povos indgenas lutam pela demarcao de suas terras.

Figura 3.

foto mostrando muitas pessoas com bandeiras, numa caminhada. A seguir, legenda
  Jornada "Zumbi pela vida", entrando na cidade de Aparecida do Norte, no Estado de So Paulo, em novembro de 1995. Os negros brasileiros lutam para conquistar direitos 
bsicos de cidadania.

  A luta pela proteo do ambiente ganhou fora na dcada de 1960, quando as organizaes ambientalistas passaram a reivindicar o controle da emisso de poluentes 
nas grandes cidades. Alm disso, a conservao das florestas tropicais e o combate ao uso da tecnologia nuclear (fig. 4) so bandeiras importantes dessas organizaes.

Figura 4.

foto mostrando milhares de pessoas em uma rua. A seguir, legenda
  Passeata realizada em outubro de 1995, na cidade de Paris. Mais de 20 mil pessoas protestaram contra a realizao dos testes nucleares franceses.

168
Gesto da cidade e cidadania

  A gesto participativa  uma forma de aproximar a populao do governo. No caso dos municpios, ela se realiza em plenrias pblicas, reunies nas quais a populao 
apresenta suas necessidades e decide onde, quando e quanto dos recursos municipais sero investidos. Muitas vezes, so eleitos representantes da comunidade para 
atuar junto ao poder pblico, fiscalizando os gastos e evitando o desperdcio e a corrupo.
  A gesto participativa permite que a administrao municipal conhea melhor as necessidades de cada bairro e das reas rurais, informando-se diretamente com a 
populao. Alm disso, ela  mais democrtica, pois no so s os polticos que discutem e buscam solues para os problemas da cidade.
  No Brasil, muitos municpios j adotaram a gesto participativa, tais como Diadema (SP), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS). No caso de Porto Alegre (fig. 5), 
por exemplo, em vez de aplicar recursos apenas em seus prprios bairros (na construo de escolas, creches, praas pblicas, iluminao nas ruas etc.), a populao 
decidiu investir na reforma do Mercado Pblico Municipal. Ele est localizado no centro, mas abastece toda a cidade.

Figura 5.

foto mostrando vrias pessoas em uma sala, sentadas em carteiras. A seguir, legenda
  Plenria de Oramento Participativo em abril de 1998, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Em reunies como essa, a comunidade decide diretamente como 
aplicar o dinheiro do municpio.

Atividade 1

          Gesto participativa

  Organize uma plenria de discusso sobre os problemas da escola com a sua turma. Uma pessoa deve se encarregar de dirigir a discusso, organizando a participao 
de todos. Outra deve secretariar a reunio, anotando num papel tudo o que foi levantado e proposto. A plenria dever se encarregar de elaborar solues para os 
problemas.

169
Consumo e cidadania

  Em muitos pases do mundo, inclusive no Brasil, os consumidores tm seus direitos assegurados por leis. O conjunto dessas leis recebe o nome de Cdigo de Defesa 
do Consumidor.  ele que determina as condies em que um cliente (comprador de um produto ou contratador de um servio) pode reclamar contra eventuais problemas. 
Nesse caso, tanto so possveis reclamaes contra defeitos de mercadorias ou contra propaganda enganosa (que divulga caractersticas de um produto que no correspondem 
 realidade), quanto contra o no-cumprimento de contratos de prestao de servio.
  O comprador pode solicitar a troca do produto ou o seu conserto, gratuitamente, desde que o defeito se manifeste no prazo da garantia. A garantia  um perodo 
de tempo em que o fabricante se responsabiliza por solucionar eventuais problemas que surjam em um produto.
  Os consumidores tambm se organizam para fazer valer seus direitos. As associaes de defesa dos consumidores lutam contra abusos cometidos por fabricantes ou 
por prestadores de servio, como preos muito altos ou produtos de m qualidade. Elas costumam mover aes coletivas (1) veja a pgina 428 contra fabricantes que 
desrespeitam os consumidores. Isso facilita na hora de o consumidor reclamar seus direitos, pois diminui os custos de uma ao judicial.

Atividade 2

          Os direitos do consumidor

  Voc, ou algum que more com voc, j exerceu o direito de consumidor? Descreva alguma situao no caderno, considerando os seguintes itens:

 a) a causa do problema;
 b) a quem foi dirigida a queixa;
 c) como foi feita a reclamao (individualmente ou atravs de uma associao);
 d) que providncias foram solicitadas.

Espaos privados e espaos pblicos

  Nas cidades, existem reas de propriedade particular e reas de propriedade do poder pblico. As propriedades particulares podem ser utilizadas para a habitao, 
bem como para as atividades industriais, comerciais, de servios e de lazer. Entretanto, apesar de serem propriedade particular, seu uso  definido por normas elaboradas 
em rgos pblicos (secretarias do estado e do municpio, rgos federais).
  A definio de zonas industriais e zonas comerciais, a regulamentao da construo e da altura de prdios, a preservao de reas verdes nos novos loteamentos, 
por exemplo, so regulamentos que restringem o direito dos proprietrios particulares.
  Em muitos pases, como na Frana e na Espanha, os proprietrios pagam mais impostos se no ocuparem o seu terreno. A legislao desses
170
pases considera que os equipamentos coletivos (iluminao pblica, rede de esgoto, gua encanada etc.) que os cercam custam caro. Assim, os terrenos urbanos so 
importantes no s para seus proprietrios, mas para o conjunto da sociedade, que paga por essa infra-estrutura.
  O governo tambm pode desapropriar reas privadas para ampliar os equipamentos pblicos, construindo novas praas, estaes de metr e vias de circulao. Nesse 
caso, o proprietrio recebe uma indenizao. Leia mais sobre a propriedade privada no quadro 1.

Quadro 1

          A propriedade privada

  Para o pensador francs Jean Jacques Rousseau (1712-1778), o fato de algum ter demarcado com estacas uma determinada rea e dito "Isto  meu" deu incio  propriedade 
privada da terra. Segundo ele, se a comunidade tivesse retirado as estacas do lugar e expulso o "primeiro proprietrio", a propriedade privada no teria sido instituda.
  A cerca instituiu a propriedade individual da terra: com ela, comeou uma longa histria de tenso entre o direito de propriedade particular e os direitos da coletividade. 
Os proprietrios de terras rurais entendem que podem fazer o que quiserem em suas propriedades, inclusive mant-las sem uso. Os trabalhadores rurais necessitam de 
moradia, de alimentos produzidos no campo e de terra para plantar.

Figura 6.

foto mostrando um policial, uma mulher sentada em uma rede e algumas pessoas de p. A seguir, legenda
  Polcia Militar desaloja ocupantes de terreno em Fortaleza, capital do Cear, em junho de 1998. As terras urbanas tambm podem ser objeto de disputa entre proprietrios 
que no as utilizam e as populaes sem teto, que precisam de um lugar para morar.

 fim do quadro

Os espaos pblicos

  Voc j esteve em praas, parques, ruas e avenidas. Estes so exemplos de espaos pblicos. Eles tm esse nome porque so construdos pelo poder pblico (municipal, 
estadual ou federal) em reas pblicas, ou seja, aquelas que pertencem ao municpio, ao estado ou ao pas. Todos podem freqentar os espaos pblicos, desde que 
no desrespeitem suas normas de uso.
  Esses espaos esto dotados de equipamentos pblicos: semforos, cestos de lixo e faixas de trnsito nas ruas e avenidas; bancos, brinquedos, bebedouros e jardins 
em praas e parques. Os banheiros pblicos, que podem estar tanto em parques e praas quanto em ruas e avenidas, tambm so considerados equipamentos pblicos.
171
  Muitas vezes, as melhorias realizadas nos espaos pblicos valorizam as propriedades particulares nos arredores.  o que acontece, por exemplo, quando uma linha 
de metr  construda. Em alguns raros casos, ocorre o inverso: as obras pblicas desvalorizam o imvel; veja um exemplo na foto (fig. 7).

Figura 7.

foto mostrando parte do movimentado Elevado Costa e Silva. A seguir, legenda
  Elevado Costa e Silva, tambm conhecido como Minhoco, no centro da cidade de So Paulo. Ele atrapalha bastante a vida dos moradores dos apartamentos prximos, 
obrigados a conviver com muita poluio e nveis ensurdecedores de rudos. No foi por acaso que o preo desses imveis despencou.

  No  por acaso que as construtoras envolvidas em obras pblicas, os grandes proprietrios de lotes urbanos e as empresas que constroem edifcios participam ativamente 
das campanhas polticas. Elas buscam ampliar sua participao nas decises dos governantes e defender seus interesses.
  A construo e a manuteno dos espaos pblicos so responsabilidades dos rgos pblicos. Elas so financiadas pelos impostos arrecadados pelo governo. Quando 
os recursos so insuficientes, podem ser cobradas taxas para ingresso no local, como acontece em alguns parques naturais.

Os espaos privados de carter pblico

  Os espaos privados de carter pblico so aqueles que, embora constituam propriedade privada, so abertos ao pblico.  o caso de muitos parques, tais como o 
da figura 8, dos museus privados e dos shopping centers.

Figura 8.

foto mostrando o Parque Simba Safri, na cidade de So Paulo. Os lees so a atrao principal

172
  Os shopping centers funcionam como provedores de servios, de compras e de lazer. O dono de um shopping cobra de cada estabelecimento comercial (lojas, restaurantes, 
playgrounds) uma taxa para que ele se instale. Outras vezes, os prprios lojistas so donos do shopping. Nesse caso, eles dividem os custos de manuteno e segurana.
  Dentro dos shoppings centers, todo um vasto aparato  montado para garantir o bem-estar e a tranqilidade dos seus clientes. Infelizmente, na maior parte deles, 
o bem-estar e a tranqilidade s so garantidos para quem tem dinheiro para gastar.
  Assim, os shoppings reproduzem os centros comerciais, mas excluem as crianas pobres, os mendigos e os guardadores de carro que integram a vida nas ruas. Em muitos 
deles, o que vale no so os direitos de cidadania, que incluem o respeito  dignidade de todos, mas os direitos do consumidor.

A geografia das manifestaes

  Os espaos pblicos so tambm usados em manifestaes pblicas. Elas acontecem em praas, parques, ruas, avenidas e rodovias movimentadas. Os manifestantes tm 
como objetivo atingir o maior nmero possvel de pessoas.
  As manifestaes pblicas podem ter carter cultural, poltico, reivindicatrio, religioso e comemorativo. Elas ocorrem em lugares distintos e variam conforme 
os seus objetivos e tradies. As cidades so o palco preferido das manifestaes pblicas, uma vez que abrigam as sedes dos rgos pblicos e grandes aglomeraes 
de pessoas.
  As festas populares so exemplos de manifestaes culturais. Elas geralmente acontecem em um mesmo espao pblico, ao longo de muitos anos.  o caso dos carnavais 
de Salvador (BA). Conforme canta Caetano Veloso, "A Praa Castro Alves  do povo":  nessa praa da capital baiana que tradicionalmente ocorre o encontro de folies 
das mais diversas partes do pas.
  J os comcios so manifestaes polticas. A Praa dos Trs Poderes, em Braslia (DF),  um lugar onde freqentemente ocorre esse tipo de manifestao. L esto 
localizados o Congresso Nacional e as sedes dos poderes Judicirio e Executivo do Brasil. Uma manifestao poltica nesse lugar indica com clareza o desejo de pressionar 
os polticos em suas decises. Observe as fotos (figuras 9 e 10).

Figura 9.

foto mostrando empresrios na Praa dos Trs Poderes, carregando uma faixa, onde se l: "No Existe Emprego Sem Empresa". A seguir, legenda
  Empresrios organizados contra a poltica econmica do governo, em Braslia, em maio de 1996. Nessa manifestao, todos usam terno e gravata.

Figura 10. 

foto mostrando uma multido e uma faixa onde se l: "Diretas J!". A seguir, legenda
  Em maio de 1984, manifestantes de todo o Brasil se reuniram em Braslia para lutar pelo direito de votar para presidente da Repblica. Mas a eleio direta s 
aconteceria cinco anos depois.

  Os movimentos sociais costumam manifestar-se junto aos rgos pblicos.  comum que partam de um grande espao pblico (uma praa ou avenida de grande movimento, 
por exemplo) ou do seu local de origem (municpio ou bairro) em passeata at a sede do rgo do poder pblico responsvel pela soluo do seu problema especfico. 
Chegando  sede, realizam-se atos pblicos para entregar as reivindicaes.
  Cultos ecumnicos (2), comemoraes cvicas e esportivas tambm ocorrem em espaos pblicos. Estas ltimas, principalmente quando envolvem grandes paixes como 
o futebol, so festejadas em espaos tradicionais da cidade. Em copas do mundo, a cada vitria de uma seleo, ruas, praas e avenidas so tomadas pelos torcedores 
(fig. 11).

Figura 11.

foto mostrando os franceses na rua com bandeiras nas mos. A seguir, legenda
  No final da Copa de 1998, realizada na Frana, os franceses espalharam sua alegria pelas ruas de Paris, enquanto os brasileiros choravam, inconformados com o segundo 
lugar.

174
Atividade 3

          Manifestaes pblicas

  Pesquise, entrevistando pessoas mais velhas ou consultando jornais locais, os lugares onde tradicionalmente ocorrem manifestaes pblicas no seu municpio. Faa 
um texto no seu caderno, relacionando os lugares onde elas acontecem com as razes da manifestao.

Passando a limpo

 1. Pesquise em jornais e revistas reportagens sobre manifestaes pblicas de:
 a) trabalhadores;
 b) estudantes;
 c) ambientalistas;
 d) negros;
 e) mulheres;
 f) um partido poltico.

2. Recorte e cole em um painel uma foto de jornal ou revista sobre cada tipo de manifestao citado na questo 1.

3. A partir das reportagens selecionadas, responda:
 a) Por que e onde os trabalhadores se manifestaram?
 b) Onde ocorreu a manifestao dos estudantes e por quais motivos?
 c) O que reivindicam os ambientalistas? Como e onde eles expressaram suas opinies?
 d) Por qual razo e onde os negros se reuniram?
 e) Em que lugar as mulheres realizaram sua manifestao? Quais eram suas "bandeiras"?
 f) Onde e por que os militantes do partido poltico se manifestaram?

4. Comente as razes que voc acredita influenciaram a escolha dos lugares de cada uma das manifestaes destacadas na questo 3.

pea orientao ao professor

Notas de rodap

 (1) Aes coletivas - Aes judiciais movidas por um conjunto de pessoas que possuem o mesmo interesse. Exemplo: quando uma indstria farmacutica produz um remdio 
que no funciona ou que faz mal para os pacientes,  comum que essas pessoas se organizem e entrem na justia com uma ao coletiva contra a empresa.
 (2) Cultos ecumnicos - Atos religiosos nos quais participam pessoas de diferentes crenas religiosas, como catlicos, protestantes, judeus, muulmanos etc.

               oooooooooooo
175
        
          Bibliografia citada

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Fim da Obra

 Programa Nacional do Livro 
  Didtico - PNLD 2002
 FNDE/MEC
 Cdigo: 55022- L

T-

 HINO NACIONAL

 Letra: Joaquim Osrio Duque 
  Estrada 
 Msica: Francisco Manoel da 
  Silva

 Ouviram do Ipiranga as margens 
  plcidas 
 De um povo herico o brado re-
  tumbante,
 E o sol da Liberdade, em raios 
  flgidos,
 Brilhou no cu da Ptria nesse 
  instante.

 Se o penhor dessa igualdade 
 Conseguimos conquistar com brao 
  forte,
 Em teu seio,  Liberdade,
 Desafia o nosso peito a prpria 
  morte!

  Ptria amada, 
 Idolatrada,
 Salve! Salve!

 Brasil, um sonho intenso, um 
  raio vvido
 De amor e de esperana  terra 
  desce,
 Se em teu formoso cu, risonho 
  e lmpido,
 A imagem do Cruzeiro resplande-
  ce.
 
 Gigante pela prpria natureza, 
 s belo, s forte, impvido co-
  losso,
 E o teu futuro espelha essa 
  grandeza.

 Terra adorada,
 Entre outras mil,
 s tu, Brasil, 
  Ptria amada!

 Dos filhos deste solo s me 
  gentil, 
 Ptria amada,
 Brasil! 

 Deitado eternamente em bero 
  esplndido,
 Ao som do mar e  luz do cu 
  profundo,
 Fulguras,  Brasil, floro da 
  Amrica,
 Iluminado ao sol do Novo 
  Mundo!

 Do que a terra mais garrida
 Teus risonhos, lindos campos tm 
  mais flores;
 "Nossos bosques tm mais vida",
 "Nossa vida" no teu seio "mais 
  amores".

  Ptria amada,
 Idolatrada,
 Salve! Salve!

 Brasil, de amor eterno seja sm-
  bolo
 O lbaro que ostentas estrelado,
 E diga o verde-louro desta fl-
  mula
 - Paz no futuro e glria no pas-
  sado.
 
 Mas, se ergues da justia a clava 
  forte,
 Vers que um filho teu no foge  
  luta,
 Nem teme, quem te adora, a pr-
  pria morte.

 Terra adorada,
 Entre outras mil,
 s tu, Brasil,
  Ptria amada!
 
 Dos filhos deste solo s me 
  gentil, 
 Ptria amada,
 Brasil!
